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    Orçamento


    Família de baixa renda do AM gasta 65% do orçamento com casa e comida

    Gastos com alimentação e habitação limita as compras de famílias com menores rendimentos

    Alimento e despesas com a habitação têm maior peso no orçamento de famílias de baixa renda | Foto: Divulgação

    Manaus - As famílias amazonenses de baixa renda destinam a maior parte do seu orçamento mensal para despesas com alimentação e habitação. É o que revela a Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana. Segundo o levantamento, as famílias que ganham até dois salários mínimos (R$1.908) destinam 65,9% dos ganhos para casa e comida. Destes, 26,1% são para alimentação, enquanto 39,8% ficam para aluguel e tarifas de água, luz, e telefone, entre outros. 

    Um dos exemplos que se encaixa nesse perfil é o da família da manicure Célia Marques, 39. Cerca de 33% do orçamento mensal é destinado à alimentação. A renda mensal de Célia, que trabalha por conta própria, varia de R$ 1,2 a 1,5 mil. Quando vai ao supermercado, costuma gastar em torno de R$ 500 nas compras do mês.

    “Isso porque eu gosto de procurar promoções e comparar preços. Ainda assim, o gasto com comida é grande porque alimentação é uma coisa que se consome todo dia, então sempre tem despesa”, diz a manicure. O restante do orçamento da família de Célia é dividido entre contas de água, luz elétrica, telefonia e transporte. 

    Já em relação às famílias com rendimentos maiores, de até 25 salários mínimos (R$23.850), a porcentagem de gastos com casa e alimentação é bem menor: 38,6% do orçamento são destinados a esses gastos, sendo 7,4% com alimentação e 31,2% com habitação.

    Limitação de compras

    Esse gasto maior com alimentação e habitação acaba limitando as compras dos amazonenses de baixa renda, segundo o economista Luiz Roberto Coelho. “Não é que a família mais pobre consuma mais alimentos que uma família mais rica. A questão é que fatores como cesta básica, luz, aluguel e água tem um peso maior no orçamento mensal”, explica. “As famílias de baixa renda não têm questões fundamentais como moradia e alimentação resolvidas, por isso elas são prioridade. Moradia é proteção, alimento é sobrevivência. Dessa forma, eles não gastam tanto com lazer ou educação, por exemplo”.

    Esse fato é demonstrado pelos números da pesquisa do IBGE: nas famílias com rendimentos superiores a 25 salários mínimos, o gasto com educação é 26 vezes maior do que naquelas famílias com rendimento de até dois salários mínimos. Ou seja, enquanto a primeira categoria de família gasta R$ 510,60 em educação, a outra gasta apenas R$ 19,32.

    "No caso das famílias que ganham, digamos a partir de R$ 20 mil, sobra mais dinheiro para gastar em cursos, graduação, viagem, turismo e outros, enquanto para aqueles que ganham menos mal sobra para outros investimentos", exemplifica o economista.

    A professora Madalena Amorim, 51, é uma das que gostariam de dedicar maior parte do orçamento à educação e lazer. Apenas 8% do orçamento vai para escola e cursos para os filhos, enquanto alimento e habitação consomem 42% da receita da família. A renda mensal dela gira em torno de R$ 5 mil. “O maior gasto é com alimentação, mas eu gostaria de poder investir mais em outras coisas como a educação para meus filhos e lazer no geral”, afirma a professora.

    Saúde e transporte

    Depois de alimentação e habitação, o transporte é a terceira maior participação nos gastos das famílias amazonenses. Nas famílias de baixa renda, 8% do orçamento (R$ 118,97) vai para o transporte. Nas famílias de renda mais alta, o gasto é maior: 10,9% (R$ 1.882,57) são para esse fim.

    Já em relação à assistência à saúde, a família amazonense destina 3,5% (R$112,54) das despesas totais para esse fim. A pesquisa mostra que, mesmo entre as famílias mais abastadas, gasta-se mais com remédios do que com planos de saúde.