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    Manaus 350 anos


    Capital da floresta: para onde vai a economia?

    Manaus ainda tem participação decisiva no PIB de todo o Amazonas

    Indústria e serviços são principais motores da economia manauara. | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Muito se discute sobre o futuro da economia do Amazonas. Do ciclo da borracha à indústria 4.0, a capital da floresta precisou se reinventar para garantir o futuro dos seus habitantes. Nestes 350 anos muito se fez, mas quais são os caminhos para a economia avançar? 

    De acordo com a Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), o PIB de 2016 apresentou os seguintes resultados: o setor primário arrecadou R$ 5,8 bilhões, a indústria R$ 26,3 bilhões, serviços R$ 43,6 bilhões, e impostos e subsídios R$ 13,1 bilhões.

    O setor primário representa 6,6% do total, dos quais Manaus representa 3,6%. A indústria tem um montante de 29,6%, dos quais Manaus representa 95,4%. No setor de serviços, o total é de 49,9%, dos quais Manaus representa 74,5%; e impostos e subsídios 14,8%, dos quais representa 94,8%. Estes dados reforçam que Manaus ainda tem forte concentração econômica do Estado do Amazonas.

    Polo Industrial de Manaus

    Mercado Adolpho Lisboa é um dos símbolo mais icônicos da cidade.
    Mercado Adolpho Lisboa é um dos símbolo mais icônicos da cidade. | Foto: Leonardo Mota

    O economista Wallace Meirelles Pinheiro, conta que neste primeiro semestre de 2019, o maior motor da economia amazonense, o Polo Industrial de Manaus (PIM) apresentou um bom crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, superior a 10%, chegando à movimentação de R$ 48,5 bilhões.

    Também houve aumento da arrecadação tributária estadual que segundo a Secretaria do Estado da Fazenda do Estado do Amazonas (Sefaz) teve um crescimento real de 3%, no acumulado, totalizou R$ 7,14 bilhões, dos quais o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) correspondeu a 90%, quase R$ 7 bilhões. 

    No entanto não houve crescimento na mão de obra direta do PIM, o que pode estar levando estes trabalhadores a informalidade ou para outras atividades. "Os gastos têm apresentado um crescimento superior a arrecadação, o que mostra que o governo precisa identificar e trabalhar as fontes de crescimento das despesas que estão impactando nos gastos públicos no curto prazo, e a longo prazo, preparar reforma administrativa e do processo de execução dos gastos públicos", afirmou o economista.

     Estruturalmente, a economia do Amazonas continua concentrada em Manaus, com aproximadamente 80% do PIB estadual, pouco diversificada, com uma das piores cadeias logísticas e dependendo excessivamente no PIM e dos serviços, sendo que estes estão diretamente ligados às indústrias, ou dependem indiretamente da renda e consumo gerado pela movimentação da economia.

    Novas tecnologia têm a somar com a indústria.
    Novas tecnologia têm a somar com a indústria. | Foto: Leonardo Mota

    "Precisamos de um plano de desenvolvimento para o Estado que ajude a resolver os problemas logísticos, estimule o empreendedorismo, ajude a desconcentrar a economia rumo ao interior do Estado, bem como diversificar a matriz econômica amazonense para o longo prazo", disse. 

    Indústria 4.0 

    Indústria de Manaus tem papel fundamental no PIB do Estado do Amazonas.
    Indústria de Manaus tem papel fundamental no PIB do Estado do Amazonas. | Foto: Emerson Quaresma

    A indústria ainda é um dos nossos grandes braços e precisa se reinventar para manter mercado. Neste contexto, surge a Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial, que é uma expressão que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de sistemas ciberfísicos, internet das coisas e computação em nuvem.

     "Quando falamos em Indústria 4.0, imaginamos uma coisa totalmente diferente acontecendo na indústria, mas o que a gente tem que entender é que na verdade a Indústria 4.0 é a aplicação de novas tecnologia no nosso modelo conhecido de indústria", explica diretor executivo da Fundação Paulo Feitoza (FPF Tech), Luís Braga. 

    Um exemplo disso é uma fábrica onde máquinas podem trocar informações entre elas, usando tecnologia sem fio. Desta forma, de maneira tecnológicas as máquinas apontam quando têm que receber um material, quando precisam de manutenção e quanto têm produzido.

    Parque Tecnológico da Elsys é todo conectado.
    Parque Tecnológico da Elsys é todo conectado. | Foto: Lucas Silva

     Segundo o especialista, os benefícios são incontáveis. Esta automação aumenta a produção, melhora a qualidade e a margem para erro é menor. Além disso, a produtividade é melhor e a indústria consegue vender produtos mais baratos. 

    Uma grande polêmica deste novo modelo é a substituição das pessoas por máquinas. "Isso é uma mudança que chegou e não tem como voltar atrás ou impedir, o que nós temos que fazer é preparar as pessoas para que elas consigam estar aptas a trabalhar nesse novo mercado", afirma Luís.

    O especialista ressalta que um emprego em tecnologia é bem remunerado, portanto esta pessoa pode colaborar ainda mais com a atividade econômica, utilizando serviços de outras pessoas. Um salário maior possibilita financiar uma cadeia maior de profissionais como escola particular, contratação de motorista e outras atividades semelhantes.

    "O Polo Industrial de Manaus (PIM) está no mesmo nível da Indústria 4.0 do que as outras regiões do país. Existem empresas que estão em estado mais avançado, mas a grande maioria está no estágio inicial e têm grandes oportunidades para as pessoas se profissionalizarem para poderem atuar", disse Luís.

    Algumas fábricas em Manaus já utilizam este modelo, como é o caso da Elsys. O parque tecnológico da Elsys em Manaus fabrica uma média de 15 mil produtos por dia. Neste montante estão inseridos produtos próprios e componentes para outras empresas parceiras.

    Nos mais de 10 mil metros quadrados da empresa em Manaus, o parque tecnológico se destaca por seguir as bases da Indústria 4.0. O ambiente interligado permite que os setores de manutenção e estoque acompanhem as máquinas sem precisar estar dentro do parque tecnológico, a cada 15 minutos um destes sistemas é atualizado. Hora a hora a performance das máquinas é medida. O colaborador também pode ver seu desempenho em tempo real.

    Apesar da crise que deixa o mercado em alerta, no último ano a Elsys Indústria Eletrônica LTDA investiu R$ 3 milhões para a reforma da fábrica em Manaus e aumentou seu quadro de colaboradores. De 2017 para 2018 houve aumento de 20% de geração de empregos; de 2018 para 2019, foram 11%. "Nós sempre nos reinventamos, mas nunca perdemos o que somos, apenas incorporamos", afirma o diretor comercial nacional da Elsys, Claudio Blatt.

    Turismo

    Outro setor que apresenta bons resultados é o turismo
    Outro setor que apresenta bons resultados é o turismo | Foto: Divulgação

    Outro setor que apresenta bons resultados é o turismo. De acordo com o Departamento Estatístico da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), o número de turistas que visitaram o Amazonas em 2018 foi de 607.973, sendo 356.311 domésticos (nacionais), 220.549 estrangeiros e 31.112 não especificados. 

    Estes turistas gastam em média de R$ 197,90 (domésticos) a  R$252,00 por dia (estrangeiros). A maioria deles têm como área de interesse o ecoturismo, turismo de natureza e aventura, turismo de pesca esportiva, hotelaria de floresta, turismo cultural e histórico, e turismo de negócios e eventos. 

     De acordo com a Amazonastur eles vêm dos Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra e Japão, os cinco primeiros maiores emissores entre os 10 maiores destinos emissores internacionais. Os domésticos vêm de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Roraima e Distrito Federal, que também são os cinco primeiros emissores dente os maiores destinos emissores nacionais. 

    Em relação ao atendimento que é realizado no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) da Prefeitura de Manaus por meio da Manauscult, no mercado Adolpho Lisboa, as nacionalidades variam mês a mês, mas os estrangeiros consolidados são dos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Venezuela e França, os cinco primeiros colocados entre os turistas estrangeiros que mais buscam informações; e entre os domésticos, turistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Distrito Federal.

     Serviços

    O presidente da Câmara Dirigente dos Lojistas (CDL), Ralph Assayag, acredita que este é o setor que mais vai crescer e empregar em 2020. "Quem apostar na área de serviços vai crescer bem. Existe um problema muito grande de falta de serviço e todo mundo que criar alguma coisa a mais na área de serviço vai ter esse crescimento", afirmou. 

    Ele estima que este ramo contrate mais que a indústria e o comercio no ano que vem. "Todo mundo instala ar-condicionado, mas precisa de manutenção e limpeza, não tem como fugir disso, vamos ter crescimento de mão de obras de todos os setores de manutenção. Quem investir nisso vai ter a diferença", ressaltou.