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    Cotação


    Alta do dólar deixa produção do Polo Industrial mais cara

    Produtos ficarão mais caros por conta do encarecimento dos insumos importados

    Alta do dólar deve afetar o preço dos produtos industriais produzidos em janeiro e fevereiro de 2020 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Manaus - A alta no dólar, que abriu ontem (26) cotado em R$ 4,27, está preocupando o setor produtivo amazonense, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o câmbio de equilíbrio “tende a ir para um lugar mais alto”. Para as empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM), a consequência imediata é o encarecimento dos insumos importados para a produção industrial da região. O presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, explica que o aumento dos custos de produção deixa mais caro o custo do produto final - o que pode dificultar as vendas futuras.

    “O dólar de hoje vai afetar os produtos que serão feitos no final de janeiro e começo de fevereiro. O impacto do dólar será refletido no preço dos produtos dessa data. O produto mais caro fica mais difícil de ser comercializado. O que nós esperamos é que haja um reequilíbrio dessa variação cambial para que os preços dos produtos não afugentem o consumidor, e não prejudiquem nossas vendas. A nossa esperança é que a redução do preço do dólar ocorra o mais rápido possível para não afetar as vendas futuras dos produtos produzidos aqui em Manaus”, explicou o representante do Cieam.

    Os setores de eletroeletrônicos e duas rodas serão os mais atingidos com a alta da moeda americana. Outras áreas que podem esperar crescimento nos preços são as de produtos derivados do trigo, petróleo e  remédios importados ou feitos com insumos do exterior. Já para quem viaja, os custos de passagens e hospedagens aéreas devem ficar mais altos, já que o dólar turismo está sendo negociado ao redor de R$ 4,45.

    Preço do pão deve se manter estável

    Uma das preocupações do consumidor amazonense com a alta do dólar é o impacto no preço do quilo do pão francês, alimento número um na mesa do brasileiro. Isso porque o Brasil importa do mercado internacional o trigo usado na fabricação do pão. O cereal é cotado em dólar, portanto qualquer alteração  na moeda americana pode afetar a produção industrial nacional.

    O presidente em exercício do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindipan-AM), Carlos Azevedo, afirma que, por enquanto, o amazonense não deve sentir nenhum aumento no preço do pão francês. 

    “A panificação não reajusta o preço do pão desde o ano passado. O quilo do pão francês permanece na faixa de R$5,50 em áreas periféricas e R$14,50 em conglomerados. Até agora nenhum distribuidor falou em reajuste do preço da farinha de trigo, o preço permanece normal”, explica o presidente. “Vamos observar para ver como o mercado vai se portar”. 

    Conjuntura

    Para o economista Osiris Silva, a cotação do dólar não deve ser o único foco da análise do cenário econômico brasileiro. “Claro que a subida do dólar provoca uma reação em cadeia, já que o aumento do custo de produção da ZFM é transferido para o setor comercial do país, nos bens que são aqui produzidos. Mas isso é conjuntural e momentâneo, não levará a um caos econômico”, afirma o especialista.

    “O importante é a média do dólar no ano. O governo estima que deva fechar em R$3,80, mas, se fechar a R$4 ,não deve ser motivo para pânico. Mais importantes são os impactos que outras medidas governamentais estão provocando como, por exemplo, a desoneração da folha de pagamento, custos trabalhistas e reestruturação da máquina pública”, avalia. 

    O economista acrescenta que a alta do dólar é positiva para o setor exportador brasileiro, o que implica uma balança comercial superavitária. Osiris também aponta outros números positivos que podem quebrar o ciclo de recessão da economia brasileira, como a taxa de juros e a inflação, que permanecem com índices baixos.