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    Moeda americana


    Dólar alto ameaça empregos da indústria e o comércio no Amazonas

    Aumento no custo da produção industrial pode gerar menos demanda e afetar o número de empregos na região

    Setores eletroeletrônicos e de duas rodas serão os principais afetados com a alta do dólar | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus - O número de empregos da indústria amazonense pode sofrer diminuição com a alta recorde do dólar no mercado brasileiro. Com a moeda americana batendo recorde pelo terceiro dia seguido ontem (27) cotado a R$4,26, a produção industrial da Zona Franca de Manaus tende a ficar mais cara, o que implica em redução do consumo de bens produzidos e risco de desemprego na região.

    “As empresas daqui dependem da importação de insumos para a produção dos bens. Com o dólar alto, esse custo tende a subir, impactando no valor do produto final. Isso pode causar uma redução no consumo desses produtos, gerando menos demanda para a indústria. Isso afeta o número de empregos”, explica o presidente do Centro das indústrias do Estado do Amazonas (Ciem), Wilson Périco.

    Périco destaca que o valor atual do dólar impactará nos produtos que serão fabricados nos meses de janeiro e fevereiro de 2020. Setores eletroeletrônicos e de duas rodas serão os principais afetados.

    Segundo o representante, a esperança do setor é que o dólar volte a operar na faixa de R$4 para que o ritmo da indústria amazonense se mantenha. “Já convivemos com dólar alto outras vezes. Infelizmente o nível de emprego no Brasil ainda é pequeno e do desemprego, muito alto. O poder de compra ainda está aquém do que gostaríamos. Mas nossa expectativa é que essa seja uma questão pontual provocada por comentários equivocados da própria equipe econômica do governo e o mercado retome a normalidade em breve”, aposta o presidente da Cieam. Périco faz alusão aos comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou no início da semana que “é bom se acostumar com câmbio mais alto por um bom tempo”.

    Trabalhadores

    A fala do ministro também é criticada por representantes dos trabalhadores da indústria. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Amazonas (Sindiplast), Francisco Brito, a alta do dólar deve-se principalmente à falta de confiança dos outros países na economia brasileira.

    “Com a equipe do governo só falando besteira, não há confiança do mundo no Brasil. Desse jeito, o dólar sobe. Mas [as indústrias] apoiaram essa presidência, então o que vamos fazer? “, questiona.

    Brito afirma que a valorização da moeda americana só traz desvantagens para os industriários da região. “As empresas não vão comprar insumos para produzir porque o cliente delas não vai comprar por causa do preço alto. Achamos sim que a taxa de câmbio vai diminuir os postos de trabalho. Há empresas que aproveitam o cenário para terceirizar e pagar salários mais baixos”, critica Brito.

    Impacto no comércio

    O economista da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), José Fernando, explica que a alta do dólar afeta os preços não só da produção industrial, mas também do varejo, artigos importados, combustível e outros itens que dependem de insumos do exterior para serem produzidos. “A moeda americana é universal. A partir do momento em que há um aumento no valor do dólar, isso repercute em tudo”, resume.

    A instabilidade política na América do Sul, a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a queda da taxa de juros no Brasil são alguns dos fatores que explicam a alta da moeda americana, diz o economista. “Havia muito dólar no Brasil em busca de aplicações baseados nos juros altos. Quando a taxa de juros cai, esse capital especulativo tende a sair do país, ocasionando uma elevação na taxa de câmbio”, explica José Fernando.

    Para o especialista, é difícil fazer uma projeção das próximas movimentações da taxa cambial. José Fernando acredita que a variação do dólar deve girar entre R$4 e R$4,10 nos próximos meses.