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    Jogos


    Startups de games faturam R$ 1 milhão no Amazonas

    Cenário no Estado é promissor, mas esbarra em desafios de qualificação e investimento para crescer

    Criadora do jogo Matemagos, a startup Flying Saci faturou R$1 milhão em 2019 | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O mercado amazonense de games vem se destacando cada vez mais. Uma das startups, a Flying Saci Game Studio, faturou em 2019 R$ 1 milhão. O Brasil, atualmente, o é líder com quase 400 empresas no ramo e um movimento de R$ 1,5 bilhão anual, de acordo com dados da Gracom. Até 2022, o segmento deve crescer 5,3%, segundo dados da 19ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia.

    A Flying Saci Game Studio está localizada dentro de uma incubadora na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Nascida em 2016, a startup é voltada para o desenvolvimento de jogos educacionais e também aplicações em realidade virtual e aumentada. 

    O time da Flying Saci é liderado pelo desenvolvedor e professor Sylker Teles. Com experiência de 15 anos no ramo, Teles diz que houve uma grande evolução no mercado amazonense de jogos. “Quando eu comecei a trabalhar, era antes dos celulares. Hoje ficou mais fácil desenvolver, há mais ferramentas acessíveis e surgiram mais cursos para os profissionais se especializarem”, conta.

    No portfólio da Flying Saci, há quatro jogos: Qual é o Sapo?, Memory Challenge, Olha o Bicho e Matemagos. Esse último auxilia no aprendizado da matemática e é distribuído para escolas da rede pública de ensino, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), uma das investidoras da startup.

    “O maior desafio de desenvolver jogos na região é a falta investimento e recursos. Para você chegar nesse ponto de faturamento, tem que passar um período longo sem ganhar dinheiro”, avalia o desenvolvedor.

    Entretenimento

    Outro estúdio de sucesso no Estado é o Black River Studios, um dos braços do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia. “Somos focados exclusivamente em fazer jogos de entretenimento. Já fizemos projetos para a Samsung, principalmente em realidade virtual, mas nosso objetivo sempre foi criar jogos de entretenimento que sejam bons e interessantes para o jogador”, explica o game designer do estúdio, Ronaldo Nonato. 

    A Black River reúne uma equipe de aproximadamente 50 pessoas - um número alto no cenário brasileiro. Nonato não abre números de faturamento, mas garante que o investimento e o retorno dos produtos são alto. 

    No portfólio da empresa são 10 jogos, a maioria de realidade virtual e alguns disponíveis em plataformas móveis. Entre os destaques, estão o Finding Monsters Adventure, voltado para o público infantil, e o Angest, um jogo mais adulto, de suspense. Os planos são de expandir a produção para consoles e computadores. 

    Para Nonato, o maior desafio de desenvolver jogos na região é a falta de profissionais. “O Norte cresceu absurdamente no cenário de games, mas ainda é pouco. Há poucos casos de sucesso, ainda há muita gente que quebra [financeiramente]. É comum as pessoas saírem da área quando dá errado”, relata. Uma das estratégias para fortalecer o cenário no Amazonas é justamente integrar a comunidade de quem trabalha com games, diz Nonato.

    “É importante a criação dessa comunidade, o sentimento de que todos têm que se ajudar. O caminho é trabalhar juntos para fazer jogos cada vez melhores. Tem espaço para quatro, 10, 20 estúdios de games em Manaus. O estúdio do lado não é concorrente”, declara o game designer. 

    Inovação

    Em um esforço para alavancar o desenvolvimento do ecossistema de jogos do Amazonas, o FPF Tech e INDT em parceria com a Microsoft inauguraram recentemente o Amazon Forest Game Studio. Dentro do espaço, que é aberto para outras startups do segmento, já está sendo desenvolvido um jogo, o Kukoo Monkeys - The Lost Pets, da empresa amazonense Petit Fabrik.

    “O jogo é uma espécie de ponta da lança, referência para que tenhamos programas de estágio e profissionais qualificados na região falando de games. A aceleração de outros estúdios de game é uma iniciativa rara no Brasil. Temos condições de aparecer no mercado nacional como uma região proeminente na área de investimento em games”, aposta o CEO da startup, Olímpio Neto.

    Uma equipe multidisciplinar com mais de 30 profissionais ajuda a desenvolver o Kukoo Monkeys, que conta a jornada de simpáticos macaquinhos que vivem em uma árvore, cujas portas levam para outros mundos fantásticos e cheios de aventura. 

    “A expectativa é lançar um título com potencial de mercado global. O jogo será lançado já em inglês. Nossa ideia é que possa alcançar números altos e se torne referência de jogo que nasceu no Amazonas e ganhou projeção internacional”, prospecta o CEO.