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    Rede Hoteleira


    Ocupação nos hotéis do Amazonas está abaixo da média crítica

    Dados da Abih-AM apontam que enquanto o litoral brasileiro comemora ocupação de 90% a 100%, no Amazonas a estimativa é abrir 2020 entre 26% a 30%

    Esperança para 2020 está na liberação de vistos para diversos países e a possível reativação do Tropical Hotel Manaus | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Enquanto a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih Nacional) comemora altas taxas de ocupação na rede hoteleira de estados da região litorânea brasileira, próxima dos 90%, o Amazonas fecha 2019 e abre 2020 com uma das suas mais baixas taxas, entre 26% a 30% apenas, inferior à média crítica que é 35%. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas (Abih-AM).

    O nível baixo de ocupação dos hotéis de Manaus, comum nessa época do ano, está menor que o tradicional, de acordo com o presidente da Abih-AM, Roberto Bulbol. Ele explica que a alta na rede hoteleira do litoral brasileiro se dá principalmente pelo período de férias e os atrativos de festas de fim de ano e Carnaval em cidades como Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Maceió (AL) e até mesmo Santos (SP).

    “São cidades com facilidade de acesso. Elas têm estradas que fazem a interligação. Para chegar em Manaus só tem avião e nesse período o custo é muito alto. Não temos estrada que nos ligue a estados das outras regiões e nós infelizmente ainda não temos um atrativo que chame esses turistas. A Amazônia tem muitos encantos, mas o brasileiro gosta mesmo é de praia. A floresta é visitada em outras épocas principalmente pelo turista estrangeiro”, explica Bulbol.

    Nível menor ocupação é acentuado devido às férias coletivas do PIM, que reduz o turismo de negócios em Manaus
    Nível menor ocupação é acentuado devido às férias coletivas do PIM, que reduz o turismo de negócios em Manaus | Foto: Arquivo Em Tempo

    Sem negócios

    O presidente da Abih-AM explica que o período mais crítico para a rede hoteleira do Amazonas se dá, também, em função da ocupação comercial. É quando as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) dão férias coletivas para milhares de trabalhadores e deste modo o turismo de negócios também desacelera. “Muitos amazonenses saem de férias e muitos viajam principalmente para o Ceará. E o turista de negócios deixa de vir a Manaus atrás da indústria”, salienta.

    Apesar da baixíssima ocupação na rede hoteleira amazonense, Bulbol observa que, o ano que foi crítico para todos começou a dar ares de melhora a partir do segundo semestre do ano. Nessa linha, ele se diz otimista quanto a 2020, mas observa que para o setor também ganhar os bônus de um ano de recuperação econômica, há dificuldades a serem superadas como, por exemplo, na aviação que perdeu muitos voos nos últimos três anos.

    “Não podemos negar que tivemos uma pequena melhorada a partir do terceiro trimestre. Mas, tivemos problemas como a da redução da aviação regional. Nesse sentido a nossa maior dificuldade continua sendo o acesso. A passagem aérea aqui é muito cara. Mas, no país já começaram a chegar as empresas de baixo custo e, embora, ainda não tenha nenhuma para Manaus, elas devem influenciar em todo o país”, avaliou Bulbol.


    É possível recuperar 

    Outros pontos que podem influenciar na melhora da ocupação dos hotéis de Manaus, depois do Carnaval - quando é baixa temporada no litoral brasileiro -, é a liberação dos vistos de acesso ao Brasil para países como o Japão, China e Estados Unidos e a possível reativação do Tropical Hotel Manaus. Para Bulbol, se a compra do empreendimento for efetivada e ele voltar a operar como hotel, ele deve voltar a atrair a atenção dos turistas nacionais e internacionais.

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    O Tropical Hotel é um ícone não só da hotelaria local, mas da hotelaria brasileira e estrangeira. Ele representa muito para o turismo local. Já foi o maior hotel do Brasil por muitos anos, com 640 apartamentos unidades habitacionais. Ele é um centro de convenções, é um eco resort. Se voltar a operar pode ajudar a reaquecer o turismo local, como foi o Ariaú. O Tropical reformado é um hotel preparado para receber presidentes e até mesmo reis "

    Roberto Bulbol, presidente da Abih-AM, sobre a importância do Tropical Hotel Manaus


    Nacional

    Pesquisa da Abih Nacional afirma que as taxas de ocupação para a festa do final de ano e para o verão 2020, mostrou números bastante positivos. “A retomada da economia está fazendo o brasileiro investir no seu lazer e na realização dos seus sonhos, como por exemplo, conhecer novos lugares e culturas desse imenso país tão cheio de atrativos”, afirmou o presidente da entidade Manoel Cardoso Linhares.

    Em Salvador, por exemplo, os hotéis comemoram a alta procura e esperam que a ocupação no Réveillon chegue aos 100%. Em Pernambuco, Recife e Porto de Galinhas deve se aproximar aos 100% e em janeiro, o índice esperado está em torno de 90%. No Ceará os dados apontam ocupação de 95% em dezembro e em torno de 80% em janeiro. Já em Alagoas, a ocupação deve chegar a 92% no réveillon e no Rio Grande do Norte, em 91% no mesmo período.

    Na capital carioca, a média de ocupação durante o feriado do final de ano está em 87%. Os bairros mais visados são Ipanema, Copacabana, Barra da Tijuca, Leblon, Flamengo e Botafogo. Para a noite do Réveillon, especificamente, essas regiões já registram média acima dos 90%.