Bebida


Sabores da Amazônia: frutos nativos da floresta viram licores exóticos

Parceria entre microempresa e Inpa leva para o mercado manauara bebidas de frutos amazônicos

Jenipapo, pimenta, camu-camu, maracujá são alguns dos frutos utilizados nos licores | Foto: Divulgação

Manaus - Jenipapo com maracujá e abacaxi. Buriti com jambu. Camu-camu e cubiu. A mistura dessas frutas pode parecer estranha à primeira vista, mas, por meio da Tacaburi Frutos da Amazônia, tornam-se licores deliciosos que trazem um sabor da floresta para a mesa de manauaras e viajantes. 

Os licores são produzidos pela microempreendedora Maria das Dores Batista da Silva, a partir da pesquisa desenvolvida pelo técnico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Afonso Rabelo. O instituto transferiu a tecnologia para a microempresa em novembro de 2019, e as bebidas estão se popularizando rapidamente entre o público. 

Valor das bebidas varia de R$15 a R$30
Valor das bebidas varia de R$15 a R$30 | Foto: Divulgação

“Esse é um trabalho longo que vem sendo desenvolvido desde 2009. Fomos às feiras de Manaus saber que frutos são comercializados, onde encontrá-los, em que época, qual o sabor, o teor de açúcar, se é azedo ou não. Isso resultou na publicação de um livro e a partir daí começou a produção dos licores”, explica Rabelo. 

Ao todo, são 16 tipos de licores especiais formados a partir da combinação de extratos das frutas, água, açúcar e cachaça. A mistura resulta em sabores exóticos como abacaxi, cupuaçu e jambu; buriti com jambu; jenipapo com abacaxi; jenipapo com jambu; jenipapo com maracujá e abacaxi; cubiu com maracujá e abacaxi; entre outras. O preferido do público é o jenipapo com jambu e pimenta. 

Produtos são pioneiros no mercado amazonense
Produtos são pioneiros no mercado amazonense | Foto: Divulgação

As garrafas são comercializadas a R$ 20 (250 ml) e R$30 (500 ml). Para os revendedores, o preço fica a R$15 (250 ml) e R$25 (500 ml). Segundo Maria das Dores, o custo de produção é baixo e a margem de lucro chega a 40%. “Somos pioneiros nesse mercado. Pesquisamos no comércio e não encontramos esse tipo de licor, só com a fruta. Existem mixes, mas não como o que fazemos”, conta a empresária, que produz e envasa as bebidas em casa.

A meta da Tacaburi é chegar a 20 licores diferentes. O próximo passo é experimentar misturas com o açaí, conta o pesquisador Afonso Rabelo. “Vamos misturar, fazer testes para ver quais frutos são melhores e acentuem a cor e o sabor do açaí”, diz. 

Os interessados em experimentar os ‘néctares’ amazônicos podem encontrar as garrafas na Taberna do Chef Procópio, situada no Mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus. O estabelecimento comandado pelo chef Cláudio Procópio, especializado em receitas da culinária amazônica. Encomendas também podem ser feitas por meio do WhatsApp (92) 9606-5634.

Maria das Dores, o pesquisador Afonso Rabelo e o chef Cláudio Procópio
Maria das Dores, o pesquisador Afonso Rabelo e o chef Cláudio Procópio | Foto: Divulgação

Da floresta para o povo

Com 10 anos dedicados a desenvolver pesquisa aplicada com frutos da Amazônia, o técnico do Inpa acredita na contribuição de produtos como os licores no fortalecimento da economia e da preservação da floresta.

"Hoje nós temos o discurso de manter a floresta em pé, e os frutos são um grande argumento para isso. Além de serem nativos, são saborosos e nutritivos. Várias pesquisas já descobriram as propriedades desses frutos", afirma Rabelo.

"As comunidades rurais e extrativistas podem ser beneficiadas se forem gerados mais produtos em cima desses frutos", argumenta o técnico. "Dessa forma, podemos parar de importar matéria prima e começar a exportar, gerando renda e melhoria da qualidade de vida dessas comunidades”, finaliza. 

Afonso já pesquisa frutos amazônicos desde 2009
Afonso já pesquisa frutos amazônicos desde 2009 | Foto: Leonardo Mota