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    Seu bolso


    Bancos tradicionais versus bancos digitais: qual escolher?

    Modalidade digital oferece praticidade e menores tarifas para os clientes, mas bancos tradicionais ganham na tradição e segurança

    Procura por contas digitais tem crescido em todo o país | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Foi-se o tempo em que uma pessoa interessada em abrir uma conta bancária precisava reunir documentos, encarar a fila da agência e aguardar dias para saber se a proposta foi aprovada. Com a ascensão dos bancos digitais, hoje o cliente pode abrir uma conta em poucos passos por meio de aplicativos no próprio celular. Além da praticidade para se tornar um correntista, os bancos digitais representam forte concorrência aos bancos tradicionais por ofertarem taxas e juros reduzidos nas transações financeiras.

    Uma das amazonenses que optaram pela modalidade digital é a orientadora educacional Débora Oliveira, de 27 anos. Cliente do banco Inter há quatro meses, ela conta que passou a economizar R$ 45 por mês em tarifas bancárias. “Parece pouco, mas faz diferença. Com o banco digital, não tenho preocupação com tarifas em pequenas transações, como transferência e saques, posso gerar boletos para receber de pessoas que me devem, tenho total mobilidade e zero burocracia, além de contar com cartão de crédito sem anuidade”, enumera as vantagens.

    A diferença entre os bancos digitais e os bancos tradicionais vai além da plataforma utilizada para abertura de conta. Os bancos digitais são regulados pelo Banco Central e administradas por fintechs - empresas de tecnologia voltadas à área de finanças. No Brasil, as maiores representantes são o Nubank, Inter, Original, Next e Neon. 

    "O banco digital é uma modalidade nova que teve um’boom’nos últimos tempos, muito conhecido, mas ainda pouco utilizado. Ainda tem espaço para mais bancos em razão da população descontente com as taxas e juros cobrados pelos bancos tradicionais. O número de bancos e clientes da modalidade digital deve crescer ainda mais nos próximos anos", analisa o economista Ailson Rezende. De acordo com a pesquisa da agência Cantarino Brasileiro, 15% dos correntistas já possuem contas em bancos tradicionais e digitais. O perfil mais comum dos usuários digitais é de jovens de até 28 anos, de classe média e alta das regiões Sudeste e Sul do país.  

    Entre as principais vantagens oferecidas pelos bancos digitais, está a agilidade na hora de abrir a conta; as tarifas baixas ou nulas em operações como saque, depósito, e transferência; cartões de crédito sem anuidade; e atendimento rápido direto no celular. Não precisar ir até a agência física e aguardar na fila por atendimento foi uma das razões que fez a administradora Samara Castro, de 25 anos, optar por uma conta digital.

    "Sou cliente do Nubank há quatro anos e do Inter há alguns meses, e cada um deles têm suas vantagens, mas a principal é não precisar me deslocar para fazer nenhuma operação. O atendimento é rápido feito por chat ou redes sociais, sem burocracia. Se tem problema, eles solucionam rápido", conta Samara. 

    A satisfação dos clientes com os serviços da conta digital é de 30,7%. Com os bancos tradicionais, o índice é apenas 17,5%, releva o levantamento da Cantarino Brasileiro.

    E os bancos tradicionais?

    Não precisar enfrentar filas é uma das vantagens do banco digital
    Não precisar enfrentar filas é uma das vantagens do banco digital | Foto: Divulgação

    Com toda a praticidade ofertada pelas fintechs, os bancos tradicionais precisaram correr para oferecer vantagens parecidas e conquistar a fatia da população cada vez mais interessada na modalidade digital. O Nubank, por exemplo, afirma ter 12 milhões de clientes que economizaram cerca de R$ 2,3 bilhões em tarifas bancárias no ano passado.

    "As tarifas e juros são os principais motivos que levam os clientes a abrirem contas digitais. Para competir, os bancos tradicionais devem reduzir taxas e tarifas para manutenção da conta corrente e rever a anuidade do cartão de crédito", afirma Ailson Rezende. 

    Iniciativas tecnológicas já fazem parte das estratégias dos bancos gigantes para competir com as fintechs. Em 2016, por exemplo, o Itaú lançou o aplicativo Abreconta, que permite qualquer pessoa abrir uma conta digital em menos de 30 minutos. Parcerias com fintechs também são apostas: o Bradesco banca o Next, lançado na metade de 2017, com conta corrente sem tarifas e cartão de crédito internacional. O último gigante a anunciar parceria para ampliar os serviços digitais foi o Banco do Brasil, que se aliou à fintech Bom Pra Crédito.

    Abrir uma conta digital leva poucos minutos por meio de apps
    Abrir uma conta digital leva poucos minutos por meio de apps | Foto: Leonardo Mota

    Segurança

    Entre as razões que as pessoas ainda optam por abrir contas em agências bancárias tradicionais, está a segurança sentida pelo cliente na instituição financeira. O relacionamento mais próximo com o gerente, investimentos mais seguros, maior gama de serviços e disposição de caixas eletrônicos também são apontados como vantagens dos bancos tradicionais sobre os digitais.

    "A única desvantagem [da conta digital] é que posso depositar no Inter, mas só por caixa 24 horas, o que considero perigoso", diz Débora Oliveira.

     Para Ailson Rezende, os bancos digitais estão aprimorando a segurança para garantir a confiança do cliente. "Ninguém quer jogar fora o seu dinheiro que foi obtido com tanto sacrifício. Os bancos digitais mantêm sites seguros com garantias de restituição de perda ou roubo que venham a acontecer na conta e cartão de crédito", explica. Mas o especialista recomenda ao cidadão, antes de abrir qualquer conta, seja digital ou tradicional, que faça uma pesquisa a respeito das tarifas e as garantias oferecidas por cada instituição para então avaliar qual a melhor escolha financeira.