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    Tensão internacional


    Briga entre Irã e EUA: comércio e indústria podem sentir o baque

    Preço do combustível e dos produtos em geral podem ser afetados no Amazonas, diz representantes dos setores

    Principal impacto observado é a flutuação no preço do petróleo | Foto: Reprodução/Reuters Aly Song

    Manaus - A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã tem deixado o setor econômico amazonense preocupado com as repercussões que a briga pode ter na indústria e comércio local. De acordo com os representantes dos setores, preço do combustível e dos produtos em geral podem ser afetados.

    O principal impacto observado é a flutuação no preço do petróleo.  Na última terça-feira (6), após o ataque iraniano às bases norte-americanas no Iraque, o petróleo dos EUA negociado para fevereiro chegou a subir mais de 4%. No início da semana, o preço do barril de petróleo Brent já tinha batido US$ 70, valor mais alto desde setembro.

    A variação afeta o valor do combustível no Brasil, que depende da importação para abastecer seus postos. Segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, um cenário hipotético que afetaria a atividade industrial e comercial amazonense seria a da alta do combustível. "Se houver um aumento no preço, as coisas ficarão mais caras para trazer para cá, assim como para escoar a produção daqui", explica. 

    Os preços dos produtos em geral seriam afetados por conta da logística de transporte, comenta o presidente Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag.  “Os estados mais afetados seriam aqueles afastados do grande centro, como Amazonas, Rondônia etc. Com o aumento do diesel, tudo o que vem para cá ficaria mais caro, a mercadoria no total e os derivados de petróleo, como pneu, plástico e vários outros. Seria um crescimento de inflação em um momento de recuperação econômica, que não podemos ter de jeito nenhum”, declara Assayag.

    Por outro lado, representantes amazonenses enfatizam que a situação é muito recente para fazer maiores projeções. "Temos que aguardar para ver", diz Perico.

    O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) reforça que, por ora, não há motivos para alarde. "Não chega a ponto de ficarmos apavorados, mas não há dúvida que preocupa, pois é uma situação que afeta o cenário global. O Brasil tem relações comerciais com muitas nações, e num conflito desses o mundo para. Vamos esperar que isso se resolva e a diplomacia vença para que não seja necessário sacrificar nenhuma economia", afirma Azevedo. 

    A relação comercial entre Brasil e Irã é considerada pequena, mas com potencial de crescimento para os próximos anos. Milho, soja, açúcar e carne são os principais produtos exportados para o país iraniano. Do país persa, o Brasil importa manufaturados de ferro e aço, mas nenhum desses materiais vêm para as indústrias instaladas no polo industrial do Amazonas, segundo o presidente da Cieam. 

    Tensão nos investimentos

    O superintendente adjunto de operações da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Luciano Martins Tavares, explica que o Irã não figura entre os grandes parceiros comerciais da Zona Franca. “O país do Oriente Médio para quem mais vendemos são os Emirados Árabes (0,13% de nossas exportações) e de quem mais compramos é da Arábia Saudita (0,65% de nossas importações). Dependendo do tamanho e duração do conflito, o comércio com estes países pode de alguma forma ser afetado, em função do estreito de Ormuz ser importante rota comercial na região”, explica. 

    Tavares acrescenta que a tensão internacional também tende a impactar nos investimentos comerciais. “Um cenário de conflito leva investidores a serem mais conservadores, retirando suas aplicações de qualquer país que apresente o mínimo risco”, afirma.