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    Greve


    Petroleiros do AM se unem a movimento nacional em frente à Reman

    A greve permanece por tempo indeterminado

    Além dos direitos trabalhistas, os manifestantes reivindicam redução do preço da gasolina | Foto: Kennedson Paz

    Manaus - Dando continuidade à greve nacional dos petroleiros, que começou na noite da última sexta-feira (31), a categoria no Amazonas realizou ato público na manhã desta segunda-feira (3) em frente à Refinaria Isaac Sabbá (Reman), localizada na rua Rio Quixito, bairro Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus. 

    O ato, que reuniu os trabalhadores da Refinaria de Manaus às 7h, teve como principal objetivo lutar em defesa da Petrobrás. Nos últimos meses, a empresa tem enfrentado processo de desmonte no Brasil.

    Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), Marcus Ribeiro, os trabalhadores protestam contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados – Fafen-Paraná, anunciado pela Petrobrás, sem acordo com os sindicatos no último dia 14 de janeiro.

    “Nossa greve iniciou na sexta-feira às 23h. A pauta de reivindicação principal é a luta contra as demissões que estão acontecendo na empresa Fafen, onde estão demitindo mais de mil trabalhadores. E também forçar a empresa a voltar para mesa de negociação. A atual gestão da Petrobrás está aplicando uma política de não negociar o acordo coletivo. Queremos respeito”, cobrou Marcus.

    Os petroleiros manifestam contra a demissão de trabalhadores da Fafen-Paraná
    Os petroleiros manifestam contra a demissão de trabalhadores da Fafen-Paraná | Foto: Kennedson Paz

    Somando a esta reivindicação, os trabalhadores também buscam conscientizar a sociedade sobre os efeitos negativos que a privatização da Petrobrás terá sobre os preços dos combustíveis, os empregos e a renda dos trabalhadores, com a desindustrialização do país e enfatizar as decisões unilaterais da Petrobrás, descumprindo o acordo firmado no TST, sobre direitos e condições de trabalho da categoria.

    O deputado estadual do Amazonas José Ricardo também esteve presente apoiando o movimento. Ele aproveitou também para esclarecer a importância da manifestação em relação à elevação do preço da gasolina.

    “Em relação à questão do sistema de gás e petróleo no Estado do Amazonas, esse processo de privatização da Petrobrás acaba gerando demissões e aumentando o nível de desemprego. Especialmente aqui no Amazonas, estamos reivindicando os direitos trabalhistas que não estão sendo atendidos. Nós consideramos a Petrobrás um patrimônio, uma das maiores empresas do Brasil. Como o Petróleo e Gás são questões estratégicas, isso vai trazer grandes consequências. Quem perde é o país que hoje já tem uma elevação do preço do gás e gasolina sofrerá com um aumento ainda maior”, esclareceu o deputado.

    A greve começou na última sexta-feira (31) e segue por tempo indeterminado
    A greve começou na última sexta-feira (31) e segue por tempo indeterminado | Foto: Kennedson Paz

    O custo deveria ser menor pois temos uma refinaria aqui funcionando há mais de 50 anos. O problema é que a Petrobrás está adotando os preços internacionais do petróleo que tem variação diária, de um modo geral sempre em elevação pois acompanha a cotação do dólar. É preciso deixar preços estáveis se não a população vai continuar sofrendo com isso.

    Em Manaus, o preço mínimo da gasolina chega a R$ 4,60, com expectativas de aumento. O que torna a população refém do sobe e desce do mercado e exposta às crises internacionais de petróleo, que está sendo vendido a preço da cotação do dólar. 

    Demissões no rastro da desindustrialização 

    A campanha ainda chama a atenção para a desindustrialização do país que a redução dos investimentos da Petrobrás vem provocando. Os R$ 104,4 bilhões que a empresa investiu em 2013 caíram para R$ 49,4 bilhões em 2018, afetando diversos segmentos de fornecedores de bens de serviços da cadeia de óleo e gás. 

    Outro fator que preocupa é o desemprego. Cerca de 270 mil pessoas foram demitidas da Petrobras entre 2013 e 2018, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) - o que representa um impacto sobre mais de 1 milhão de pessoas, considerando as famílias, e engrossa as altas taxas de desemprego do Brasil.

    Veja reportagem


    *Colaborou Kennedson Paz, repórter do Portal EM TEMPO