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    CORONAVÍRUS NA ECONOMIA


    Risco de desabastecimento na China pode afetar indústria de Manaus

    Avanço do coronavírus tem afetado a produção no país asiático, que é um dos principais fornecedores de insumos do PIM

    China é grande fornecedora de insumos para produção de TVs, geladeiras entre outros | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus  - Em um cenário de recuperação econômica, os representantes da indústria da Zona Franca de Manaus (ZFM) temem um recuo diante do alerta de um possível desabastecimento de bens intermediários e insumos, em decorrência dos efeitos do coronavirús sobre a indústria chinesa. O país asiático é um dos mais importantes fornecedores de componentes para empresas das linhas branca e marrom e das de eletrônicos e eletroportáteis da indústria brasileira e do Polo Industrial de Manaus (PIM).

    O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, José Jorge do Nascimento Junior disse considerar preocupante a instabilidade na cadeia logística de importação de insumos produzidos na China. Segundo ele, a potência asiática é uma fornecedora estratégica de componentes para empresas que fabricam fogões, geladeiras e máquinas de lavar; equipamentos de áudio e vídeo; e secadores de cabelo, sanduicheira, ventiladores, entre outros.

    Eletros diz que, se a China não retomar a produção nos próximos dias, Brasil pode ficar sem insumos estratégicos para produção industrial
    Eletros diz que, se a China não retomar a produção nos próximos dias, Brasil pode ficar sem insumos estratégicos para produção industrial | Foto: Reprodução

    De acordo com Jorge Junior, o que mais preocupa a associação são os insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado para celulares, TV e tabletes fabricados na ZFM. Segundo ele, o estoque via aérea são suficientes para abastecer a produção das indústrias por entre dez a 15 dias.

    Já em relação aos insumos que chegam ao país por via marítima, o presidente da Eletros afirmou que os estoques são suficientes para abastecer a produção por até 90 dias.

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    Ou seja, podemos ter um risco de paralisação de recebimento de insumos neste momento e depois daqui a uns 3 meses, caso as coisas não se regularizem nesta semana "

    Jorge Junior, presidente da Eletros, sobre os riscos de desabastecimento da indústria

    China em Manaus

    O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, também avaliou que o risco de redução da produção dos bens intermediários e insumos pelo mundo é real e pode afetar o PIM. Segundo ele, além de fornecedora do PIM, a China é um dos países que mais cresce em número de fábricas na ZFM, nos últimos anos. 

    “É preocupante porque, diante do avanço do vírus, pode atrasar a produção no mundo e o nosso próprio comércio brasileiro, também pode sofrer com o desabastecimento, com as restrições que podem acorrer na China, como inclusive já ocorreu no epicentro do vírus, a cidade de Wuhan, que hoje está isolada por decisão do governo Chinês”, disse.

    Azevedo informou que, junto a Superintendência da Zona Franca de Manaus (ZFM), a indústria amazonense discute estratégias para diminuir os impactos nos negócios. “Estamos buscando uma forma de como contemporizar para não sentir um efeito que venha prejudicar a nossa produção, até porque estamos num cenário de recuperação da economia da ZFM”, comentou.

    Fieam diz que indústria discute estratégias para evitar os impactos na produção
    Fieam diz que indústria discute estratégias para evitar os impactos na produção | Foto: Arquivo Em Tempo

    Contaminação na importação

    Sobre os riscos de o vírus chegar a Manaus por meio das importações chineses das fábricas do PIM, Azevedo disse que o risco é quase zero. Segundo ele, os estudos apontam que o risco não está no produto em si, mas em quem traz o produto. “Ocorre que, se o vírus não tiver onde se hospedar, dentro de 48 horas ele perde o efeito”, comentou. Nesse sentido, Azevedo explicou que os produtos chineses que chegam em Manaus, eles quase nunca chegam direto e é muito raro o transporte desses produtos por meio de avião.

    “É muito raro receber uma coisa direto da china para Manaus. Geralmente os produtos que vem por meio dos grandes transatlânticos, eles chegam primeiro nos grandes portos do litoral brasileiro como o de Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) ou Santos (SP). Depois do transporte de longo curso, se faz um transbordo e vem para a cabotagem, a nível de território brasileiro, e depois ele pode até vir por meio de carreta”, explicou o vice-presidente do Fieam.

    Apesar do risco quase zero, Azevedo disse que, na semana passada, o Fieam reuniu com os órgãos de saúde e de planejamento da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado, para definir como se comportar diante dos riscos. “Em primeiro lugar, estamos nos precavendo para evitar a contaminação e enquanto isso estamos vendo de que forma evitar o efeito avassalador do possível desabastecimento”, reiterou Azevedo.

    Outro lado

    O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, disse que não há porque ter essa preocupação com o desabastecimento, uma vez que todas as encomendas para a produção anual já foram feitas. “Geralmente quando a imprensa fala isso, serve para os empresários aumentarem o preço dos produtos, assim como foi feito com a carne e com a gasolina”, disse.