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    Empresários manauaras se reinventam e lucram com temperos amazônicos

    Com arubé e murupi, os empresários Adélia Menezes e Mário Fogaça são destaque no mercado de molhos regionais

    Há mais de duas décadas, Mário e Adélia levam sabores amazônicos para o Brasil e o mundo
    Há mais de duas décadas, Mário e Adélia levam sabores amazônicos para o Brasil e o mundo | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Quando uma empresa está há muito tempo no mercado, a inovação em seus produtos é tão importante quanto a qualidade. É nisso que os empreendedores Mário Fogaça e Adélia Menezes, donos da Oiram Sabores Amazônicos, acreditam. Com 22 anos de estrada, a Oiram se reinventou e investiu em dois molhos típicos da floresta para serem o novo carro-chefe da marca: o arubé e o murupi. 

    “Após muita pesquisa de receitas e mercado, migramos para a área de temperos”, conta Adélia. Inicialmente, a Oiram fabricava bombons finos de chocolate com recheios de frutos da região, como o cupuaçu. A necessidade de inovação e a crise econômica fez com que os empresários decidissem focar em outros sabores da terra.

    “Passamos então a fabricar o molho de pimenta murupi, porque ela é genuinamente amazônica, tem sabor frutado, especial, um perfume diferente que dá o diferencial na preparação dos molhos”, explica Adélia. 

    O preço dos molhos de pimenta Oiram variam de R$5 a R$35 no varejo, dependendo do tamanho e do tipo. A empresa também trabalha com geleias de cupuaçu e açaí (comercializados a R$15) e licores artesanais de cupuaçu, açaí, jenipapo e araçá-boi.

    Produtos têm a cara e o sabor da floresta
    Produtos têm a cara e o sabor da floresta | Foto: Lucas Silva

    Sabor tradicional

    Mas a grande novidade do ano trazida pela Oiram é o arubé, um tempero amazônico milenar com sabor semelhante ao da mostarda, feito a partir da massa da mandioca de onde é extraído o tucupi. Esse tempero pode ser usado no preparo de frutos do mar e carnes vermelhas e brancas. 

    Adélia relata que o interesse pelo tempero renasceu durante a Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. “Chefs franceses conheceram o arubé no Pará e o elegeram como tempero da Copa, mas ninguém produzia isso em escala comercial. Nós pesquisamos, conversamos com nossa equipe técnica responsável e acabamos desenvolvendo uma receita”, relata a empreendedora.

    O lançamento do arubé da Oiram aconteceu em 2019 durante a Feira Internacional de Gastronomia Amazônica (Figa). “Foi um sucesso muito grande, uma grande surpresa para nós. Os chefs que estavam lá fizeram pratos com o  nosso arubé. Isso nos deixou felizes e nos deu gás para produzir comercialmente”, relembra Adélia.

    Atualmente, o arubé é vendido em bisnagas de até 275 ml, ao preço de R$10. A média mensal de bisnagas produzidas é de 10 mil unidades.

    “O arubé pode substituir a manteiga e outros condimentados que encontramos nos supermercados. É um produto com sabor, de qualidade e natural, sem conservantes e corantes”, recomenda Adélia. O tempero também pode ser usado no preparo de várias receitas com frango e peixe, por exemplo, ou ser consumido direto no pão no lugar de molhos como mostarda, ketchup e maionese.

    Arubé feito a partir da massa da mandioca
    Arubé feito a partir da massa da mandioca | Foto: Lucas Silva

    Reinvenção

    Adélia atribui a longevidade da Oiram no mercado à busca constante de inovação nos produtos. É por meio de muita pesquisa e trabalho que o empreendimento é detentor de cinco Prêmios Qualidade Amazonas (PQA), concedido pela Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam). 

    A popularidade dos produtos da Oiram vai além das fronteiras do Amazonas. A empresa tem compradores de São Paulo, Curitiba, Brasília, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Em pequena escala, a Oiram também exporta suas iguarias para a França e o Canadá.

    Em Manaus, é possível encontrar  os molhos e temperos em cachaçarias, no Aeroporto Eduardo Gomes e na Galeria +, situada na Avenida Djalma Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças. Mas ainda é nas feiras populares que os produtos Oiram encontram alcance maior entre os próprios amazonenses. “Nas feiras da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) é onde podemos demonstrar nosso produto, conversar com o cliente e divulgar o que a Oiram tem feito”, declara satisfeita a empresária.

    Casal busca se reinventar para se manter no mercado
    Casal busca se reinventar para se manter no mercado | Foto: Lucas Silva