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    Dólar


    Variações do dólar afetam importações do Polo Industrial de Manaus

    Na última sexta-feira (21), o dólar bateu cotação recorde de R$ 4,39, afetando a indústria nacional que depende de insumos importados

    Em 2019, na máxima do ano, a moeda estrangeira chegou a alcançar o patamar de R$ 4,25, no dia 27 de novembro | Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

    Em 2019, na máxima do ano, a moeda estrangeira chegou a alcançar o patamar de R$ 4,25, no dia 27 de novembro
    Em 2019, na máxima do ano, a moeda estrangeira chegou a alcançar o patamar de R$ 4,25, no dia 27 de novembro | Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

    Manaus - Com as oscilações no câmbio, o dólar subiu novamente e voltou a fechar no maior valor nominal desde a criação do real. Na terça-feira passada (18), o dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 4,358, com alta de R$ 0,029 (+0,66%) e na sexta (21), o valor aumentou novamente (R$ 4,3926). No Amazonas, representantes da indústria afirmam que a alta da cotação do dólar pode impactar negativamente as importações do Polo Industrial de Manaus (PIM).

    Em 2019, na máxima do ano, a moeda estrangeira chegou a alcançar o patamar de R$ 4,25, no dia 27 de novembro. Já nas últimas semanas de 2020, a moeda norte-americana encerrou a sexta-feira (21) a R$ 4,3926 na venda, em alta de 0,02%. Na abertura, chegou a R$ 4,4061 – nova máxima nominal intradia já registrada no País. Na mínima, foi a R$ 4,3725.

    Turbulência

    O mercado financeiro em todo o mundo tem atravessado turbulências em meio ao receio do impacto do coronavírus sobre a economia global. A interrupção da produção em diversas indústrias da China está afetando as cadeias internacionais de produção. Indústrias de diversos países, inclusive do Brasil, sofrem com a falta de matéria-prima para fabricarem e montarem produtos.

    O presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio AM), Aderson Frota, explica que, com referência a quem ganha ou perde com essa alta, é muito relativo. A valorização do dólar é benéfica para os exportadores, mas maléfica para os importadores, uma vez que o custo da importação de mercadorias aumenta.

    ‘’É por isso, inclusive, que a Petrobrás estará anunciando um aumento no preço da gasolina. Se houve oscilação no valor do dólar e desde 2017 a Petrobrás calcula seus reajustes com base na cotação internacional, então a tendência é aumentar o preço do petróleo’’, esclarece o presidente.

    ''Na exportação é melhor para o Amazonas, mas na importação é negativo'', afirma Nelson Azevedo.
    ''Na exportação é melhor para o Amazonas, mas na importação é negativo'', afirma Nelson Azevedo. | Foto: Divulgação

    Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fieam), também afirma que a valorização ou desvalorização do dólar tem dois momentos: o da exportação e o da importação de produtos. ‘’Na exportação é melhor para o Amazonas, mas na importação é negativo, uma vez que dependemos muito da importação na indústria e no comércio da região’’, explica o vice-presidente.

    Além disso, ele revela que o comércio só pode torcer para que a alta passe, pois a questão não depende das indústrias da região e sim do mercado e sua autorregulação.

    Para o economista Wallace Meireles, a exportação na região não depende só do câmbio, uma vez que existem outros fatores que acabam dificultando o crescimento nesse quesito.

    Para o economista Wallace Meireles, a exportação na região não depende só do câmbio
    Para o economista Wallace Meireles, a exportação na região não depende só do câmbio | Foto: Arquivo EM TEMPO

    ‘’Lidamos com problemas estruturais e de logística, sem falar na questão dos incentivos fiscais. Questões que sempre trarão impactos no modelo e no processo exportador’’, afirma Meirelles.

    Para o economista, o ideal seria que o governo tivesse um planejamento para que as exportações pudessem ocorrer sem entraves. Isso é essencial para um país que deseja crescer e não ficar preso a uma economia interna. De acordo com ele, aproximadamente 95% do que é produzido na ZFM é internalizado no país e somente 5% vai para o exterior, fazendo a região perder um mercado gigantesco.