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    Desemprego


    Mais de 100 mil jovens desistiram de buscar emprego no Amazonas

    Dados do IBGE-AM do último trimestre do ano passado mostra jovens sem perspectiva de encontrar emprego no Amazonas

    Experiência é exigida por recrutadores do Amazonas | Foto: Márcio James/Semcom

    Manaus –  O Amazonas encerrou o ano de 2019 com 102 mil trabalhadores que desistiram de buscar emprego, por baixa expectativa de conseguir êxito em seleções. A quantidade de amazonenses desalentados corresponde a pelo menos 13% dos 859 mil habitantes do Amazonas entre 14 a 24 anos, que estão aptos a trabalhar. A informação está na mais recente PNAD Contínua Trimestral, divulgada pelo IBGE na semana passada.

    Apenas 62,88% estava efetivamente na força de trabalho, 1,9 milhão. Desse total, 87,12% respondiam por alguma ocupação (1,657 milhão), sendo que 7,12% (118 mil) estavam subocupados por insuficiência de horas trabalhadas – contra 123 mil no trimestre passado e 96 mil no mesmo período de 2018. Em Manaus, 57 mil trabalhadores estavam nessa situação, mesmo número registrado na sondagem anterior, mas bem superior à subutilização de mão de obra um ano antes (39 mil). 

    “Tivemos um aumento no número de pessoa que perderam a expectativa, desistiram de procurar emprego, mas isso é normal dentro de um grande grupo de pessoas desocupadas”,  diz Adjalma Jaques, supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM.

    A taxa de desocupação em Manaus e também no Amazonas apresentou redução no quarto trimestre de 2019. "A capital amazonense ainda está numa posição desconfortável  em relação às outras capitais, já que tem a maior taxa de desocupação do país”, revela

    Perfil que RHs buscam

    Historicamente, o desemprego entre os jovens é sempre maior no mercado trabalho, no entanto em momentos de crise, o quadro aumenta devido à baixa experiência e qualificação, deixando os jovens mais vulneráveis, é o que explica a psicóloga e consultora de carreiras Karla Mendonça.

    “Os setores de recursos humanos buscam recrutar jovens que tenham um perfil específico para cada área de atuação, mas no geral o jovem precisa adquirir experiência, por meio de estágios, programas de aprendiz, trainee, voluntários e etc.  Participar de cursos presenciais e online, palestras e manter-se muito atualizado com o uso das tecnologias como Pacote Office", revela.

    Karla destaca ainda que em recrutamentos o avaliador busca uma atitude do candidato, proatividade e firmeza em sua postura, assim é possível passar confiança para aqueles que desejam contratá-lo.

    Sem perspectiva

    Já aos jovens que desistiram de procurar emprego é possível analisar a falta de experiências em seus currículos profissionais e talvez por isso não seja possível, realizar a contratação. Mas para o bacharel em direito, Jesse Batista, esse é cenário é diferente, ele conta que apesar de investir em experiências está desempregado há pouco mais de sete anos.

    “Fiquei desempregado e logo depois resolvi entrar da faculdade, mas continuei em busca de estágios, inclusive realizei estágios, mas não consegui emprego algum. Hoje estou formado e ainda busco algo voltado para minha área, mas não como antes, perdi a expectativa”, ressaltou Jesse.

    O bacharel afirma ainda que buscava se adequar ao perfil das empresas, realizando cursos, mas as instituições sempre exigiam experiência na área, se tornando um ciclo vicioso sem fundamento já que para ter experiência é necessária atuação.

    Para ele, o mercado de trabalho deveria ser mais flexível e entender a condição dos recém-formados que estão dispostos a fazerem o diferencial em suas empresas.