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    EFEITO CORONAVÍRUS


    Setor de plásticos do PIM deve parar por conta do coronavírus

    Paralisação ocorrerá pela falta de encomendas de insumos plásticos do setor de eletroeletrônicos, maior atingido pelo efeito coronavírus

    Sindplast diz que clientes do setor estão com dificuldades de comprar insumos na China para fabricar no PIM | Foto: Divulgação

    Manaus - Nos próximos dias, pelo menos três empresas do segmento de indústria de plásticos devem paralisar suas operações no Polo Industrial de Manaus (PIM). A paralisação se dá pelo efeito da crise mundial causada pelo novo coronavírus, que travou a produção de insumos na indústria chinesa e afetou as operações da indústria brasileira, principalmente a de eletroeletrônicos.

    Sindicato afirma que empresas devem formalizar o pedido na próxima segunda-feira (9)
    Sindicato afirma que empresas devem formalizar o pedido na próxima segunda-feira (9) | Foto: Arquivo Em Tempo

    De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Plástico (Sindplast), Francisco Brito, diante da crise que afeta o setor de eletroeletrônicos, principal cliente da indústria de componentes plásticos, as três empresas da categoria que irão suspender o funcionamento em Manaus, devem formalizar o pedido na próxima segunda-feira (9).

    “A maioria das empresas do PIM, principalmente a de eletroeletrônicos, elas importam produtos de fora, como placas e o celular vem praticamente desmontado da China, só para montar aqui. Eles estão com dificuldade de importar esses produtos e, sem insumos para fabricação no PIM, elas não vão fazer o pedido do componente plástico para completar a montagem do aparelho. Nesse sentido nossas empresas devem solicitar pelo menos 30 dias de férias coletivas”, explicou Francisco Brito. 

    Diante desse cenário, o presidente do Sindplast avaliou que a Zona Franca de Manaus (ZFM) deve passar por um momento complicado, num período que vinha de recuperação econômica. “Principalmente na geração de empregos, mas é impossível dimensionar o impacto no Estado, pois ainda não temos noção do tempo que a situação irá persistir”, observou Francisco Brito.

    Setor de eletroeletrônicos, principal atingido pelo efeito coronavírus, é o principal cliente da indústria de plásticos
    Setor de eletroeletrônicos, principal atingido pelo efeito coronavírus, é o principal cliente da indústria de plásticos | Foto: Ricardo Oliveira

    Foco do problema

    O presidente-executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), José Jorge do Nascimento Junior, explicou que o maior foco do problema neste momento está concentrado nos insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado, e que já se encontram perto de volumes críticos. Em relação aos insumos que chegam ao país por via marítima, os estoques são suficientes para abastecer a produção por até 60 dias.

    Jorge Junior afirmou que, por enquanto, a produção das empresas que fabricam produtos para a linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar); linha marrom (equipamentos de áudio e vídeo); e eletroportáteis (secadores de cabelo, sanduicheira, ventiladores, entre outros), segue normalizada.

    Estoques no PIM

    Sobre os estoques de insumos nas fábricas no PIM, o presidente do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, disse que não possível mensurar hoje até quando devem durar. “Difícil dizer. Eu espero que não tenhamos impactos ou que sejam os menores possíveis, mas os riscos aumentam a cada dia de “ não produção “ na China”, explicou o presidente do Cieam.

    Diferente do que afirmou a Eletros, no Brasil, algumas empresas anunciaram paralisação de linhas de produção, devido à falta de insumos. Segundo Périco, essa situação se dá porque, boa parte dos insumos são produzidos na cidade Wuhan, na China, epicentro do coronavírus.

    Na avaliação de Périco, diante da suspensão do envio dos componentes chineses, as empresas do Brasil não têm outra escolha a não ser adotar medidas para controlar e a situação. “As fábricas tomaram algumas medidas para mediar a falta de componentes, como a redução de atividades, com férias coletivas, até que as produções dos equipamentos normalizem”, explicou o presidente do Cieam.

    Motorola e Samsung no Brasil

    As multinacionais Motorola e Samsung, são exemplos das empresas que anunciaram medidas para controlar a falta de componentes nas fábricas. A Flextronics, responsável pela produção nacional da Motorola, anunciou férias coletivas, que teve início no dia 17 de fevereiro.

    Fábrica da Samsung no PIM no momento não foi atingida pelo anuncio da marca de paralisação
    Fábrica da Samsung no PIM no momento não foi atingida pelo anuncio da marca de paralisação | Foto: Lucas Silva

    Pela Samsung, empresa da Coreia do Sul – país que acumula o total de 5.186 casos da doença, o maior número fora da China -, também mandou cerca de 2,5 mil funcionários das suas fábricas, em São Paulo, ficarem em casa, desde 12 de fevereiro.