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    CORONAVÍRUS


    Medo de coronavírus aquece vendas de produtos de prevenção

    Comerciantes do atacado e varejo comentam a alta na procura de produtos como álcool em gel e máscaras. Organização Mundial da Saúde declarou a doença como pandemia

    Procura por itens de prevenção para transmissão de doenças respiratórias dispara nas farmácias | Foto: Lusa/EPA

    Manaus - O coronavírus chegou ao Brasil e promete ficar por, pelo menos, alguns meses. Nesta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde declarou a doença Covid-19 uma pandemia, ou seja, que está por todas as partes do mundo. Em Manaus, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) anunciou na tarde desta sexta-feira (13) o primeiro caso de coronavírus. No contexto Brasil, os casos de coronavírus já ultrapassam a casa das centenas, segundo o Ministério da Saúde. Em decorrência da nova doença, a Companhia Nacional de Álcool (CNA), dona de quatro fabricantes de álcool no País, registrou aumento de dez vezes em fevereiro de 2020. A comparação foi feita com o mesmo período do ano passado.

    Na companhia, o álcool em gel para as mãos representa de 5% a 10% do faturamento da empresa, porém, com o aumento da demanda para o enfrentamento da doença, o produto pode aumentar sua participação para até 25% do faturamento, segundo previsões baseadas nos números reais. Em anúncio à imprensa, Leonardo Medeiros, CEO da CNA, explica que "a demanda em janeiro foi o dobro da esperada e fevereiro já supera inclusive os meses mais críticos de 2016 quando o Brasil foi surpreendido pelos casos de H1N1". 

    Em Manaus, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Drogas do Amazonas(Sindidrogas), Eliomar Bruce, disse que o mercado ainda não sentiu um grande impacto no aumento das compras ou no preço de produtos de prevenção. "Permanece normal, por enquanto", afirma ele.

    Mas num contexto nacional, as máscaras já começaram a faltar. E tem motivo para isso, como explicou Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogas (Abrafarma). Em entrevista ao jornal O Globo, ele culpou as restrições de exportações do produto pelo governo chinês como principais responsáveis pela baixa oferta do produto no Brasil. "A maioria das máscaras são produzidas na própria China, e por lá ter sido o epicentro, o governo chinês determinou que as empresas do setor priorizassem o mercado interno", disse ele. 

    Na internet, é possível encontrar álcool em gel de 500 ML a partir de R$ 16,99, mas os valores podem atingir até R$ 199 para alguns de maior quantidade e marcas famosas. Uma boa dica é utilizar o site Buscapé. Ao inserir o produto de interesse, o mecanismo faz uma busca pelos principais sites de vendas e mostra as principais ofertas. Pela ferramenta, é possível encontrar pequenos frascos de álcool em gel por até R$ 7. 

    Mudança de rotina

    Apesar do mercado ainda estar controlado por Manaus, já tem gente mudando a rotina por causa do coronavírus. É o caso da assessora de imprensa Islânia Lima, de 37 anos, que já sentiu na pele a realidade que tem tomado conta do Brasil desde que o coronavírus chegou no País. Ela e a família pegaram um voo de Manaus para Guarulhos (SP) na última terça-feira (10), e sentiram a necessidade de usar máscaras durante todo o trajeto. "Tenho acompanhado as notícias na televisão e o número de casos que está crescendo. Percebi, durante a viagem, que nos aeroportos é onde mais as pessoas estão usando as máscaras devido a grande circulação de pessoas de diferentes países", conta ela, que comprou um pacote de máscaras com dez unidades, por R$ 5, em Manaus.

    Islânia Lima, de 37 anos viajou com a família, todos de máscara
    Islânia Lima, de 37 anos viajou com a família, todos de máscara | Foto: Reprodução

     Ela conta que achou caro o valor que pegou no álcool em gel: R$ 7 em um frasco pequeno, de uso pessoal. "Estou tendo preocupação de mãe com meus filhos, para que possamos nos prevenir tanto em avião quanto nos aeroportos. E na volta pra Manaus, a ideia é que façamos o mesmo trajeto", comenta Islânia. 

    Quem também já se preparou e comprou álcool em gel foi a professora aposentada Iracema Pinheiro, de 68 anos. Ela diz que não sentiu diferença no preço do produto que adquiriu em janeiro. "Comprei porque sempre procurei me prevenir. Antes era a H1N1, então, fiz disso um hábito. Com medo que faltasse, porque sabia que a demanda ia aumentar por conta do coronavírus, resolvi prevenir e comprei logo o meu", explica a idosa.

    Ela diz que criou o hábito de ao chegar em casa, lavar as mãos com água e sabão e, em seguida, utilizar o álcool em gel. "Não apenas eu, mas recomendo que todos da minha casa façam o mesmo, afinal, o vírus pode passar de um para o outro facilmente", comenta Iracema. 

    Prevenção

    Ainda não se tem muita informação sobre o coronavírus e por isso o medo é grande. Mas para combater a doença, ficar por dentro das medidas de prevenção é essencial. Luciana Duarte, médica infectologista do Grupo América e Sistema Hapvida, apresenta um panorama geral da doença. "A maioria dos indivíduos que adoecem evoluem com doença branda, semelhantes a um resfriado e se recuperam espontaneamente, apenas com medidas básicas de suporte, como hidratação e sintomáticos. Isso acontece principalmente entre jovens", comenta, ela. 

    A grande questão é com idosos e pessoas com imunidade baixa. "Nessa parcela de indivíduos, pode evoluir como doença grave, apresentando insuficiência respiratória (falta de ar) e óbito. Os números ainda estão em estudo, mas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 20% das pessoas podem evoluir com doença grave, e 2,5% irem a óbito", explica Luciana.

    Confira abaixo as principais dicas para se prevenir:

    •Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

    •Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

    •Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

    •Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

    •Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

    •Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

    •Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

    •Manter os ambientes bem ventilados;

    •Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

    •Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.