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    INSUMOS CHINESES


    Retomada na produção de insumos da China anima indústria amazonense

    Apesar da volta da fabricação de insumos, o transporte ainda pode causar desabastecimento na indústria de Manaus

    Fieam aposta que empresas vão negociar com marítimos para que não haja atraso na entrega das encomendas do PIM | Foto: Dhyeizo Lemos

    Manaus - A indústria amazonense voltou a respirar aliviada quanto a segurança dos seus estoques de insumos e componentes, importados da indústria chinesa, com a recente retomada da produção industrial de Wuhan, cidade chinesa que foi o epicentro o novo coronavírus e das demais regiões industriais. Mas, as empresas de Manaus ainda podem sentir prejuízos de desabastecimento em meados de maio, ou até mesmo um pouco antes, por conta do tempo de transporte da nova produção chinesa.

    A afirmação é do presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), José Jorge do Nascimento Junior. “Um navio passa em média cerca de 3 meses para chegar aqui [no Brasil] saindo da China. Em fevereiro não saiu quase nenhum navio da China. Então, devemos ter algum problema de falta de insumos em maio ou próximo. Mas os navios já começaram a sair nesta semana”, afirmou.

    Jorge Junior, presidente da Eletros, alerta que tempo do transporte dos insumos por navios pode causar desabastecimento
    Jorge Junior, presidente da Eletros, alerta que tempo do transporte dos insumos por navios pode causar desabastecimento | Foto: Arquivo Em Tempo

    Diante do cenário, Jorge Junior disse que as empresas estão atuando para ajustar a produção dentro do que elas têm de insumos, de modo que não haja interrupção na produção. Mas, ainda assim afirmou que há algum risco em situações pontuais, caso os insumos não cheguem no período de 45 a 60 dias. “A possível falta de insumos pode prejudicar a produção e com isso toda a cadeia”, salientou Jorge Junior.

    Sobre mensurar os prejuízos, o presidente da Eletros disse que no momento não se tem o percentual, mas afirmou que diante da crise do novo coronavírus não espera crescer 5 a 10%. “Estamos trabalhando para que não haja paralisações como disse. Mas hoje o viés é de baixa. Não sabemos quanto será a queda”, ponderou.

    Planejamento

    O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, com mais otimismo, disse que dentro do planejamento das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), acredita que elas não sofrerão desabastecimento. “No PIM, as empresas fazem o seu planejamento anual e pega a sua programação no primeiro semestre e já encomendam três estoques. O primeiro é o que fica com o fornecedor [na China ou em qualquer outro país], outro em viagem e um dentro da fábrica. Para esses quatro meses as empresas estão programadas, e o que não chegou está chegando”, sustentou.

    Nelson Azevedo, vice-presidente da Fieam, afirma que empresas seguem com programação de produção normal no PIM
    Nelson Azevedo, vice-presidente da Fieam, afirma que empresas seguem com programação de produção normal no PIM | Foto: Divulgação

    Azevedo afirmou que no momento as empresas da indústria amazonense estão supridas e que a produção não vai parar. O que preocupa, na verdade é um possível prejuízo no consumo. “Os estoques estão em acordo com a programação. Começaram a falara mais de coronavírus em Manaus a pouco mais de um mês. O que era [de insumos] para embarcar março ou abril, com certeza vai chegar aqui e cremos que não vai ter problema na produção. Agora essa sacudida mundial pode nos afetar no consumo”, avaliou.

    Sobre o tempo do transporte nas grandes embarcações da China para o Brasil, o vice-presidente da Fieam disse que as empresas do PIM podem adotar estratégias específicas para evitar o possível atraso na entrega das encomendas. “As empresas vão negociar para diminuir o tempo de chegada. É tudo questão de negociação com as empresas de transporte marítimo”, observou Azevedo. “E agora, com a retomada da produção [na China] aumenta a nossa segurança de que não teremos problema na produção de Manaus”, comentou.

    O representante da Fieam disse ainda não ter conhecimento de nenhuma empresa do PIM que esteja parada parcial ou total por conta do coronavírus. “É mais alarmismo”, comentou. Segundo ele, ao contrário do que estão dizendo, a produção segue sua programação normal. O que há de diferente é o fato de as empresas estarem conversando com os seus funcionários para evitar a disseminação do vírus nas linhas de produção.