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    Coronavírus


    Pandemia impacta comércio, turismo, bares e restaurantes do AM

    Crise na economia do Amazonas pode gerar um cenário de até cinco mil desempregados só no comércio de Manaus

    Diminuição no fluxo de consumidores gera queda nas vendas no comércio manauara | Foto: Lucas Silva

    Manaus – O primeiro caso confirmado de coronavírus em Manaus ocorreu no dia 13 de março. Desde então, a economia vem sentindo o impacto da crise que continua se expandindo ao redor do globo. Lojistas revelam queda de até 80% em suas vendas, agências e hotéis chegam a 90% na diminuição do fluxo de consumidores, bares e restaurantes atingem 100% de perda nas vendas. O sentimento de incerteza assola os trabalhadores, afinal, o que irá acontecer com a economia amazonense?

    Restaurantes estimam queda de 90% e bares 100% 

    Bares e restaurantes já sentiram uma queda imediata em suas vendas, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fábio Cunha. Ele revela que a média para os restaurantes é um salto de 50% a 90% e para os bares, a porcentagem chega até 100% de perda nas vendas.

    “Os restaurantes que ficam abertos a noite foram os mais afetados, pois eles servem também como uma forma de entretenimento para a população. Os que abrem em horário de almoço foram menos atingidos, mas continuam com problemas no faturamento. O serviço Delivery recebeu um acréscimo nas vendas, mas nada considerado relevante”, explica o presidente.

    Além disso, Cunha esclarece que, em alguns casos, as casas já fecharam por conta do elevado custo para se manter sem consumidores. Os proprietários optam por fechar e esperar o que irá acontecer com a economia a partir de agora. Para o presidente, o planejamento é essencial para que a crise possa ser gerenciada.

    “Colocamos o corte da mão de obra sempre por último, mas já estamos adiando algumas contas e algumas demissões já estão sim ocorrendo, principalmente para aqueles que tem contratos de período de experiência expirando. Estamos também pleiteando com o Governo uma ajuda por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), além de anistia de impostos”, finaliza.

    Comércio pode perder 5 mil trabalhadores

    O presidente da Câmara Dirigente dos Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, afirma que os cálculos indicam uma queda violenta nas vendas do comércio e avaliou que, se a situação continuar assim ou piorar, haverá muitas demissões no setor. “A queda nas vendas já está em torno de 25% a 35%, o que pode gerar um cenário com até cinco mil desempregado no setor, se a situação piorar”, esclarece.

    A situação de desemprego também preocupa o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomercio-AM), Aderson Frota. Ele observou que, se o movimento de consumidores continuar caindo e reduzir as vendas, o desemprego se tornará uma realidade.

    “Estamos preocupados com a sociedade, por isso buscamos conversar com outros setores econômicos e, também, com o governador - para propor que exista redução de multas para empresas que não puderem pagar os impostos do mês - além da suspensão do contrato de trabalho para que os funcionários possam ser socorridos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)”, explica.

    Lojistas revelam queda de 80% no fluxo de consumidores

    Nos últimos dias, o fluxo de consumidores no comércio da capital já sofreu uma queda de até 80%, segundo lojistas e camelôs do Centro de Manaus. Eles afirmam que a movimentação despencou e que os prejuízos já podem ser sentidos e tentam lidar com a crise tomando as medidas necessárias.

    Segundo lojistas, o movimento no Centro caiu drasticamente desde o início da semana
    Segundo lojistas, o movimento no Centro caiu drasticamente desde o início da semana | Foto: Lucas Silva

    A gerente da loja Única Sapataria, Marleni Mar, disse que o movimento no Centro caiu drasticamente desde o início da semana. “Nós recebíamos em torno de 100 clientes por dia, agora, quando aparecem 20 pessoas é muito. Ou seja, a movimentação aqui caiu em torno de 80%. Está parecendo um domingo, um dia parado”, observou.

    A gerente da loja de roupas Milano Modas, Juliana Santos, afirmou que a situação piora com o passar dos dias e revelou que tem adotado estratégias para sobreviver com as vendas. “Estamos fazendo promoções, colocando peças de R$20 por R$10, vendendo com até 50% de desconto, para ver se conseguimos atrair os poucos clientes que ainda existem”, explicou.

    Shoppings de Manaus 

    As redes de shopping centers vivem um momento de incerteza sobre a movimentação nos centros de compras nas últimas semanas. O fluxo de clientes já começou a ser afetado, chegando a 50% de queda nas vendas, segundo lojistas. Shoppings relatam quais medidas de prevenção estão tomando para manter o faturamento durante o período da crise.  

    A proprietária da loja de maquiagens Make For You, localizada no Sumaúma Park Shopping, Daniela Maia, explica que o fluxo de consumidores realmente caiu muito. Ela não vê pessoas circulando pelo espaço como algumas semanas atrás. “O movimento caiu pela metade. Antes recebíamos 100 clientes, agora somente uns 50. Ou seja, 50% de queda nas vendas”, revela.

    Daniela também afirma que, em sua loja, a saída está sendo fazer promoções para chamar atenção dos poucos clientes que ainda estão frequentando o shopping. Segundo ela, somente a baixa dos preços será capaz de manter as lojas abertas nesse período de crise.

    O movimento dos shoppings caiu pela metade, segundo lojistas
    O movimento dos shoppings caiu pela metade, segundo lojistas | Foto: Divulgação

    A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) recomendou aos associados com empreendimentos localizados em áreas com casos confirmados de coronavírus que funcionem em horário reduzido, das 12 horas às 20 horas. A associação observou que a medida evita paralisar totalmente as atividades econômicas, em especial os serviços de utilidade pública, como bancos, farmácias, laboratórios e supermercados, por exemplo.

    Aumento de 25% da demanda de álcool em gel

    Segundo a Companhia Nacional de Álcool (CNA), o álcool em gel para as mãos representa de 5% a 10% do faturamento da empresa, porém, com o aumento da demanda para o enfrentamento da doença, o produto pode aumentar sua participação para até 25% do faturamento, segundo previsões baseadas nos números reais.

    A falta do produto começa nas grandes distribuidoras de medicamentos, então o efeito cascata cai sobre as redes regionais de farmácias. Gerentes informaram que estão aguardando para repor estoque e os consumidores consequentemente ficam sem o produto para a proteção contra o Covid-19. A grande preocupação é falta da previsão de reposição de estoque.

    Na drogaria localizada na avenida Max Teixeira, Zona Norte, há um mês estão sem estoque do álcool em gel e há uma grande procura por álcool líquido. A empreendedora Caroline Botelho, estava na drogaria na última quarta-feira (18) em busca do produto e não teve sorte. “Estou vindo lá da Zona Centro-Sul em busca do álcool em gel e não encontro em nenhuma drogaria. Vamos em outros estabelecimentos procurar. O que estamos fazendo como medida nos últimos dias é evitar sair de casa, já que estão pedindo para evitar o contágio”, ressaltou.

    A grande preocupação é falta da previsão de reposição de estoque
    A grande preocupação é falta da previsão de reposição de estoque | Foto: Lucas Silva

    O presidente do Sindicato do Comercio Varejista de Drogas do Estado do Amazonas (Sindidrogas), Armando Reis, informou que a previsão para os distribuidores é de reposição a partir de 15 dias do estoque de álcool em gel. Reis afirmou que, por ser no Brasil, um grande produtor de álcool em gel e máscaras descartáveis, após a reposição de estoque, o preço tende a continuar com o valor acessível ao consumidor, mesmo diante da grande procura.

    Agências de viagem e hotéis somam quedas de 90% no movimento

    A pandemia de coronavírus também impacta o setor de serviços, principalmente o segmento do turismo no Estado, responsável por uma receita total entre turistas brasileiros e estrangeiros de mais de R$ 540 milhões, segundo dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).

    Na quarta-feira (18), o cruzeiro alemão Amera, previsto para atracar em Manaus, não pode liberar seus tripulantes para entrarem na capital. A proibição é resultado do Decreto Estadual nº 42.061, que determina adoção de medidas preventivas contra o coronavírus. Em meio à crise, Manaus que recebeu mais de 300 mil turistas só na primeira metade de 2019, se vê na onda de um furacão, isto porque agência de viagens e hotéis somam quedas de 90% no movimento. 

    Olímpio Carneiro é dono de uma agência de turismo de mesmo nome. Há 15 anos no mercado, a empresa funciona dentro do Tropical Executive Hotel e dispõe de passeios pela região amazônica. Segundo ele, o mercado de turismo está parado. "Caiu o movimento em 90%. Eu vendia de dois ou três roteiros por dia. Agora nesta crise, hoje eu não vendi nenhum", conta.

    Caiu o movimento em 90%, afirma agente de turismo
    Caiu o movimento em 90%, afirma agente de turismo | Foto: Divulgação

    O gerente de vendas do Hotel Go Inn Manaus, Filipe Barrozo, diz que o empreendimento já sofre as consequências da crise criada pela Covid-19. "A crise do coronavírus tem gerado grande impacto no nosso setor. Desde a quinta-feira passada, já registramos 64 cancelamentos de reservas já negociadas, comenta. 

    Voos registram queda de 30% 

    A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que as suas associadas já registram, em média, “queda de 30% na demanda por voos domésticos, e redução de 50% nas viagens internacionais, em relação ao mesmo período do ano passado”. A Gol e a Latam, gigantes do setor, fazem parte da Associação, que já havia alertado na semana passada para a “grave a crise econômica que afeta a aviação comercial brasileira neste cenário de pandemia do coronavírus”.

    Em nota a Latam informou uma redução de 70% em suas operações, sendo 90% nos voos internacionais e 40% em viagens internas. A empresa “possui mais de 42.000 funcionários e opera aproximadamente 1.400 vôos diários”, segundo divulgado em nota da companhia. 

    A Azul anunciou a diminuição de ofertas de assentos em seus voos em 25% a menos até março e 50% em abril. A mesma empresa anunciou que todos os voos internacionais estão suspensos, com exceção dos que saem de Viracopos (São Paulo), onde a empresa tem mais clientes. 

    Campanha

    A Manauscult tem realizado ainda a campanha "não cancele, remarque". A ideia, segundo a assessora de comunicação da secretaria, Mônica Figueiredo, é incentivar o turismo local e reduzir as perdas financeiras. 

    Ela diz também que nenhum grande evento da secretaria foi cancelado, posto que os principais são realizados no segundo semestre do ano, como o Passo a Paço e o Festival Folclórico do Amazonas. "Entretanto, cumprindo a recomendação, todos os apoios aos eventos nos bairros estão suspensos pelos próximos 30 dias", diz a assessora.