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    EFEITO CORONAVÍRUS


    Indústria amazonense pode ter recuo acima de 20% no primeiro semestre

    Informação foi dada por executivo amazonense, que foi reconduzido a presidência da Eletros em meio a crise do Covid-19

    Coronavírus ameaça a produção e os empregos no Polo Industrial de Manaus, segundo entidades representativas | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Há menos de dois anos na presidência da Associação Nacional das Empresas de Eletroeletrônicos (Eletros), o amazonense José Jorge do Nascimento Junior, foi reconduzido ao comando da entidade pelos próximos quatro anos, até 2024. A renovação do título de Jorge Junior sobre uma das principais associações da indústria brasileira ocorre no momento em que o setor, junto com todos outros, enfrenta um inimigo invisível - o novo coronavírus (Covid-19) -, que já ameaça um recuo superior a 20% na produção industrial do primeiro semestre.

    Jorge Junior, reconduzido ao comando da Eletros, afirma que a associação se unirá às entidades da indústria amazonense contra o coronavírus
    Jorge Junior, reconduzido ao comando da Eletros, afirma que a associação se unirá às entidades da indústria amazonense contra o coronavírus | Foto: Arquivo Em Tempo

    A Eletros que conta hoje com 33 empresas eletroeletrônicas e eletrodomésticas associadas, com a maioria delas com plantas industriais instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM), tem se articulado, nesse momento de tensão causado pelo Covid-19, pela saúde do trabalhador, da população, segundo Jorge Júnior. “Nossas empresas estão empenhadas em garantir a boa saúde dos nossos funcionários. Mas também é importante conter um colapso econômico com o desemprego em decorrência da falência de empresas com a imensa crise econômica que se avizinha”, avalia.

    O presidente da associação que começou o seu primeiro mandato em 2018 com a crise gerada pela greve dos caminhoneiros, agora se vê diante de um cenário, onde, de acordo com ele “não é possível contabilizar o recuo da indústria pela imprevisibilidade do tamanho real do que está por vir, mas o recuo no primeiro semestre será de mais de 20%”.

    “Quando cheguei aqui [na Eletros] eram 28 empresas associadas e hoje são 33. Nós reposicionamos a entidade como legítima representante da Indústria eletroeletrônica e eletrodoméstica; melhoramos a relação com os poderes públicos e outras entidades e instituições parceiras; aprimoramos os serviços prestados aos associados. Agora, as pautas prioritárias são a reforma tributária e a abertura comercial e a pauta urgente é enfrentamento da crise causada pelo Covid-19”, afirma Jorge Junior.

    União das entidades

    Diante da crise na indústria em que Jorge Junior é reconduzido a presidência da Eletros, o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, diz que em primeiro lugar a decisão do conselho diretor da Eletros é fruto do reconhecimento do profissionalismo e competência do Jorge Junior. “Para nós, que somos muito próximos, é motivo de alegria e orgulho. Institucionalmente falando, a Cieam tem um grande alinhamento com a Eletros, assim como a Fieam, onde estou segundo vice-presidente, também. Tenho certeza de que essa harmonia e comunhão de forças será cada vez maior”, avaliou.

    Presidente da Cieam afirma que medidas estão sendo tomadas para evitar a disseminação do Covid-19 no PIM
    Presidente da Cieam afirma que medidas estão sendo tomadas para evitar a disseminação do Covid-19 no PIM | Foto: Arquivo Em Tempo

    Com Jorge Junior a frente da Eletros, Périco afirma que a união das entidades será fortalecida no sentido de auxiliar o gestor público com orientações e exemplos para que o vírus não se propague. Ele lembra, por exemplo, que pela primeira vez na história, o conselho do Cieam realizou uma reunião por vídeo conferência. “Estamos orientando as empresas sobre medidas e ações a serem tomadas nesse sentido de evitar a proliferação do vírus. Discutimos ações como uma postergação ou parcelamento do ICMS para ajudar a economia, principalmente de pequenas e médias empresas e o comércio”, diz.

    Propostas contra crise

    Périco explica que as entidades sugeriram ainda a postergação de pagamento de alguma multa que, porventura, venha a acontecer por falta de pagamento de tributos. Agora, o presidente do Cieam diz que a indústria espera muito mais, principalmente do Governo Federal, que trate desse momento da mesma forma como se fosse uma guerra “pois é uma guerra contra um inimigo silencioso e perigoso”.

    O representante salienta ainda que a indústria espera pela abertura de linhas de crédito subsidiadas, suspensão de contrato de trabalho com o salário do trabalhador sendo pago pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou outros recursos como, por exemplo, as verbas partidárias. “Elas poderiam ser destinadas, ao invés de campanha política e suporte a partidos, para ajudar nesse momento, a mantermos as atividades e evitarmos demissões”, avalia Périco.

    Indústria amazonense cogita paralisação das linhas de produção caso haja descontrole sobre número de contaminados em Manaus
    Indústria amazonense cogita paralisação das linhas de produção caso haja descontrole sobre número de contaminados em Manaus | Foto: Arquivo Em Tempo

    Sobre possível fechamento de fábricas em Manaus, Périco observa que vai depender muito das ações para evitar a entrada de pessoas infectadas em Manaus e na disseminação do vírus entre nossas pessoas. “Se os casos aumentarem muito, provavelmente, da mesma forma como aconteceu em outros lugares do mundo e do Brasil, sim, deixaremos os trabalhadores em casa para evitar essa aglomeração de pessoas dentro das fábricas”, afirma.