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    MEDIDA GOVERNAMENTAL


    Centro de Manaus está de portas fechadas após decreto de calamidade

    Medida do Governo do Estado para ajudar a evitar a disseminação do novo coronavírus no Amazonas não agradou a todos comerciantes

    CDL-Manaus diz que se todos os comércios essenciais fecharem as portas, mais de 40 mil trabalhadores vão ficar em casa | Foto: Lucas Silva

    Manaus – O primeiro dia do comércio amazonense não essencial, após decreto estado de calamidade pública assinado pelo governador Wilson Lima, na segunda-feira (23), amanheceu com a maioria das portas do centro de Manaus fechadas e algumas sendo fechadas após intervenção policial. Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, se todas as portas do comércio não essencial fecharem, mais de 40 mil pessoas ficarão sem trabalhar.

    Algumas lojas amanheceram com aviso nas suas portas, atendendo a determinação do decreto
    Algumas lojas amanheceram com aviso nas suas portas, atendendo a determinação do decreto | Foto: Lucas Silva

    Os comerciantes do Centro de Manaus que abriram as portas no primeiro dia do decreto não demonstram apoio à medida. A vendedora Stefany que trabalha no centro da cidade contou que, na manhã desta terça-feira (24), a polícia esteve no local e determinou que todas as lojas fossem fechadas. Os policiais informaram que a ação estava pautada no decreto do governador e que iriam ficar no espaço até que todos os camelôs e lojas encerrassem os serviços.

    “Eles não deram nenhum prazo, disseram que é indeterminado. Agora me diz, como que nós vamos comer durante a semana? Tem gente que depende do dinheiro que ganha aqui pelo centro todos os dias para poder levar comida para casa”, disse Stefany.

    Além disso, a vendedora também revelou seus medos e anseios sobre a criminalidade que há anos assola os principais locais do Centro de Manaus. “Acredito que agora o roubo vai aumentar, porque o centro irá ficar vazio. Isso me revolta, pois parece que eles preferem o povo roubando que trabalhando e ganhando seu dinheiro honestamente”, afirmou.

    Vendedores ambulantes não gostaram da forma como procedeu o fechamento das lojas do Centro de Manaus
    Vendedores ambulantes não gostaram da forma como procedeu o fechamento das lojas do Centro de Manaus | Foto: Lucas Silva

    Além dela, outra vendedora, Rejane também esclareceu seus motivos para a revolta. Ela contou que trabalha no Centro há 16 anos e que está sobrevivendo como pode. “Não há quem me dê o que comer. Se eu for para casa, vou morrer de fome. Pelo menos aqui na rua tenho como gerar minha renda todos os dias”, afirmou.

    A trabalhadora também não gostou da medida. Segundo ela, não existiu um ultimato ou um comunicado direcionado do Governo. “Não falaram nada para gente, por isso ficamos sem saber o que fazer. Ninguém recebeu uma notificação. Só chegaram falando que iam fechar. Não esclareceram se vamos receber ajuda e eu preciso continuar trabalhando”, observou.

    Representantes do Comércio

    O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomercio-AM), Aderson Frota, afirmou que a situação precisa ser observada de modo amplo, levando em consideração as medidas a serem tomadas e suas respectivas consequências. “É claro que a prioridade é a vida humana, mas não podemos esquecer que nesse contexto está a sociedade, estão as empresas empregadoras e o próprio trabalhador. Não podemos desconhecer aspectos da economia, pois corremos o risco de entrar novamente em um processo de recessão aguda, que poderá ceifar ainda mais empregos”, explicou.

    Poucas pessoas se arriscaram ir ao Centro de Manaus na manhã desta terça-feira
    Poucas pessoas se arriscaram ir ao Centro de Manaus na manhã desta terça-feira | Foto: Lucas Silva

    Frota comunicou ainda que é preciso que o Governo ouça as matrizes que representam o setor de comércio e serviços, pois o papel delas é abastecer a sociedade e suas necessidades básicas. “Estamos preocupados com a sociedade, com a economia e com o emprego, mas sabemos que o mais importante é a vida das pessoas. Por isso buscamos conversar com outros setores econômicos e, também, com o governador, para propor que exista redução de multas para empresas que não puderem pagar os impostos do mês, além da suspensão do contrato de trabalho para que os funcionários possam ser socorridos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)”, comentou.

    O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, afirmou que o fechamento total do comércio deixaria mais de 40 mil pessoas sem trabalhar. Mesmo assim, ele acredita que estabelecimentos de lazer e recreação devem sim ser fechados, uma vez que são locais que aglomeram muitas pessoas. “Estamos tentando não sucumbir o comércio, mas infelizmente precisamos acabar com o funcionamento desses espaços. Eles geram muitas aglomerações e isso poderá ajudar ainda mais na disseminação do coronavírus”, esclareceu.

    Auxílio do Governo

    A partir do decreto publicado na segunda-feira (23) pelo governador Wilson Lima, um pacote de medidas foi anunciado para auxiliar as micro e pequenas empresas, além de cidadãos vulneráveis.

    O Estado disponibilizará nos próximos dias, R$ 40 milhões por meio da Afeam e os recursos serão para capital de giro. Além de um programa de distribuição de renda que está sendo estruturado e deverá beneficiar 50 mil famílias de baixa renda com o valor de R$ 200 mensais pelo período de três meses.