Fonte: OpenWeather

    CARTA AO GOVERNADOR


    Entidades propõem reabertura gradual do comércio de Manaus

    Proposta encaminhada ao governador Wilson Lima busca reabrir o comércio de rua no dia 30 e os shoppings no dia 7 de abril

    Comércio não essencial funciona normalmente na Zona Leste, ignorando o decreto de calamidade pública do governo | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Treze entidades do comércio e da indústria do Amazonas assinaram carta conjunta solicitando a suspensão gradativa da quarentena do comércio de Manaus. Na carta enviada ao governador do Estado, Wilson Lima, a data para o comércio de rua retornar as atividades seria na próxima segunda-feira (30) e os shoppings dia 7 de abril, ambos com horário reduzido. A proposta busca formas de não prejudicar o setor.

    Após decreto que determinou fechamento do comércio não essencial, o Centro amanheceu na terça (24) de portas fechadas
    Após decreto que determinou fechamento do comércio não essencial, o Centro amanheceu na terça (24) de portas fechadas | Foto: Lucas Silva

    O documento foi assinado pela Câmara de Dirigentes Logista de Manaus (CDL-Manaus), Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM), Federação das Indústrias do Estado do Amazoans (Fieam), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Associação do Comércio Amazonense (Aca), Codese, Assossiação dos Notários e Registrados do Estado do Amazonas (Anoreg), Ademi-AM, Associação de Empresários do Vieiralves (AEV), Abrasel, Creci e Rede das Imobiliárias de Manaus (Rimam), com o objetivo de contribuir na construção de alternativas para proteção de emprego e renda da população como forma de diminuir os impactos negativos causados pela pandemia Covid-19 na economia do Estado.

    Segundo o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota o documento propõe medidas para não prejudicar os lojistas e funcionários.

    “Se todo o comercio continuar fechado a economia, os trabalhadores e a população vai sofrer. Em pouco tempo teremos um grande problema de caixa dessas empresas. Existem estabelecimentos que já perderam 80% das vendas. Elas estão mais próximas de fecharem, fazendo com que o crescimento no Amazonas não ocorra. Por isso é importante que as medidas do documento sejam acatadas”, disse.

    Assim como no Centro, algumas grandes lojas da Zona Leste fecharam as portas, seguindo o decreto do governo
    Assim como no Centro, algumas grandes lojas da Zona Leste fecharam as portas, seguindo o decreto do governo | Foto: Lucas Silva

    Efeito do decreto

    No último dia segunda-feira (23), foi determinada a suspensão da abertura de estabelecimentos comerciais não essenciais, pelo governador Wilson Lima, como forma de combater a proliferação do vírus. Mesmo com a medida, muitos lojistas que atuam em bairros Zona Leste, continuaram as vendas normalmente nesta quinta-feira (26).

    Apesar dos lojistas responsáveis alegarem ter dispensado os funcionários, as lojas continuam abertas recebendo diversos clientes interessados nos produtos.

    O responsável da loja Hilary Modas, Djalma Cassiano, disse estar ciente do risco que a aglomeração de pessoas traz para proliferação do coronavírus e que isso prejudica a população. Mas afirmou que a loja não será fechada por ser a sua única fonte de renda.

    Comerciante da Zona Leste diz que não fecha as portas porque tem contas como aluguel a pagar
    Comerciante da Zona Leste diz que não fecha as portas porque tem contas como aluguel a pagar | Foto: Lucas Silva

    “A gente tem despesas. Precisamos comer, pagar aluguel, funcionários e essa loja é de onde nós tiramos o nosso sustento. Então, se eu fechar eu vou falir e deixar várias pessoas desempregadas. Um dia de loja parada traz um prejuízo para o mês inteiro”, explicou o comerciante.

    O proprietário Ander que preferiu não informar seu sobrenome, afirmou que nenhuma autoridade foi até o seu estabelecimento proibi-lo de trabalhar. No entanto, ele afirma seguir as orientações feitas pela Organização Mundial da Saúde.

    “Todos nós usamos máscaras durante o período de trabalho e buscamos amenizar a aglomeração de clientes que se formam na loja. Fazemos uma fila e deixamos ir entrando aos poucos. Então, eu não vou fechar a loja, pois eu não tenho outra fonte de renda. Quando alguma autoridade chegar por aqui e me impedir de trabalhar e garantir que eu não vou ficar sem dinheiro, eu paro de trabalhar”, afirmou Ander.

    Os demais comerciantes abordados pela equipe de reportagem declararam não ter conhecimento do decreto e por isso continuaram com as atividades comerciais funcionando normalmente.