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    Adaptando os Negócios


    Empresários se reinventam durante crise gerada pelo Covid-19 no AM

    Pequenas e médias empresas buscam se adaptar para atender os clientes por meio do serviço de delivery

    Funcionários da lanchonete Instafood Lanche | Foto: Divulgação

    Manaus – Diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), pequenas e médias empresas de Manaus estão sendo forçadas a se adaptar em tempo recorde, para conseguir manter as vendas durante o período de isolamento social e do fechamento do comércio não essencial, decretado pelo Governo do Estado. Empreendedores amazonenses estão se reinventando para manter as vendas dos produtos e serviços, por meio do delivery.

    Dono e fundador da doceria Sweet Gourmet, Alex Moreira, 21 anos, relata que trabalhava somente com revendas em faculdades, restaurantes e lanches em Manaus, mas que resolveu mudar o sistema de vendas quando o Covid-19 chegou à cidade. “Resolvi fazer a transição do método de revenda para o método de venda direta, que no caso foi pelo aplicativo Ifood. Já estava me preparando para isso, então dei sorte de fazer isso antes da situação piorar”, afirma.

    Alex Moreira, dono da doceria Sweet Gourmet
    Alex Moreira, dono da doceria Sweet Gourmet | Foto: Divulgação

    O dono fala também sobre a organização da empresa e as precauções tomadas para não gerar riscos à saúde dos familiares, que trabalham com ele, e nem à dos clientes. “Já deixamos um estoque de produtos prontos, uma quantidade mínima que acreditamos que as pessoas podem pedir em um dia e ficamos no aguardo das 20h às 23h. Colocamos tudo em saquinhos lacrados e sempre utilizamos bastante álcool para a limpeza do local de produção e para o uso dos funcionários”, esclarece.

    Francinete Sarmento, 41 anos, é proprietária do Instafood Lanche e logo que os casos de coronavírus começaram a surgir na cidade, ela resolveu reunir seus funcionários e tomar as medidas necessárias para manter seu negócio durante a crise. “Reuni os funcionários e a primeira providência foi a contenção de gastos. Também optei por fazer um rodízio com eles para manter o emprego de todos. Além disso, exigi que o uso de máscara, álcool em gel e luvas fosse cumprido”, explica.

    Funcionários da lanchonete Instafood Lanche
    Funcionários da lanchonete Instafood Lanche | Foto: Divulgação

    A proprietária também declarou que, desde o decreto do governador, a lanchonete passou a funcionar somente com delivery e já está alcançando 60% de sua arrecadação total somente com esse sistema de vendas. Segundo Francinete, o isolamento é sim necessário, mas as dificuldades financeiras podem aparecer para muitos empresários, então deve existir um equilíbrio.

    O dono do restaurante de comida mexicana El Dino Mexicano, Eldino Júnior, 27 anos, esclarece que o delivery já era uma realidade em sua empresa, mas sua programação de marketing precisou mudar com a chegada da crise. “Focávamos mais no salão, mas agora tivemos que nos adaptar, potencializando o delivery”, afirma.

    Restaurante de comida mexicana El Dino Mexicano
    Restaurante de comida mexicana El Dino Mexicano | Foto: Divulgação

    As medidas protetivas estão sendo tomadas com extrema cautela no restaurante. Segundo Eldino, o álcool em gel é disponibilizado para todos os funcionários e os motoboys são orientados a evitar o contato direto com os clientes. Ele espera que, assim como ele está tendo esse cuidado, o Governo também possa dar apoio aos pequenos empresários, pois todos contam com aluguéis, funcionários e impostos para pagar.

    Adalclecio Aguila, 47 anos, é proprietário do Encontro de Sabores, restaurante de linguiças artesanais em Manaus. Ele afirma que, diante da situação, sua empresa não aumentou a taxa de entrega para tornar os alimentos mais atrativos. “Além disso, buscamos a colaboração mútua entre nossos parceiros para divulgar os produtos no maior número de veículos possíveis. Um ajudando ao outro e incentivado os clientes comprarem”, esclarece.

    O proprietário revela ainda que está fazendo delivery, mas com entrega programada. De acordo com Adalclecio, dependendo da distância, a empresa também optou por não cobrar taxa de entrega dos clientes, reduzindo assim o lucro. No mais, todas as entregas são feitas utilizando equipamentos de proteção como máscaras, luvas e álcool em gel.

    Adalclecio Aguila, do restaurante Encontro de Sabores, não aumentou a taxa de entrega para tornar os alimentos mais atrativos
    Adalclecio Aguila, do restaurante Encontro de Sabores, não aumentou a taxa de entrega para tornar os alimentos mais atrativos | Foto: Divulgação

    “Entendo que o momento exige cautela, entretanto é preciso pensar naqueles que trabalham para sobreviver. Acredito ser necessário flexibilizar algumas atividades a fim de possibilitar que trabalhadores informais ou de agricultura familiar possam sustentar suas famílias. Caso contrário, o impacto na economia será mais prejudicial que o próprio vírus”, defende o proprietário ao ser perguntado sobre o decreto feito pelo governador.

    Dona da doceria So Sweet, Raiane Silva, 20 anos, aponta que o primeiro passo para manter suas vendas foi mudar o foco das vendas. “Nessa temporada estamos trabalhando com a Páscoa. Como tudo mudou, mudamos o foco. Com crianças em casa, investimos nos produtos infantis, como o kit confeiteiro, com uma proposta de personagens, nome na caixa e coisas que entretém esse público”, revela.

    Raiane Silva, dona da doceria So Sweet
    Raiane Silva, dona da doceria So Sweet | Foto: Lucas Silva

    Segundo ela, houve um aperto nas condições de trabalho, pois não está fácil encontrar materiais para trabalhar, sem contar nos preços que subiram absurdamente em certos supermercados. Contudo, Raiane compreende ser necessário manter o isolamento nesse momento de crise e que não é contra o decreto de paralisação do comércio não essencial.

    O empresário Gustavo Picanço, dono da rede Gusta Mais Gelateria, também precisou se reinventar com a chega do coronavírus. Com parte da população em quarentena e muitas crianças em casa, Gustavo apostou no delivery de picolés e sorvetes direto da fábrica. “Como há muitas crianças em casa, os pais têm recorrido a compra de picolés e sorvetes para entretê-los”, explica.

    Ele revela que o escritório, a fábrica e a rotina de funcionários tiveram adaptações para equilibrar o faturamento. “Procuramos saber como empresas da China superaram o problema e observamos que medidas adotadas lá poderiam ser aplicadas na Gusta Mais, como o revezamento de funcionários. Estamos fazendo esse revezamento entre os funcionários e colaboradores da rede. E, além da linha de produção, funcionários do RH, financeiro e vendas já atuam home-office há uma semana”, acrescenta.

    Gustavo Picanço, dono da Gusta Mais Gelateria
    Gustavo Picanço, dono da Gusta Mais Gelateria | Foto: Divulgação

    O empresário argumenta que o anúncio de fechamento de bares e restaurantes pegou a classe empresarial de surpresa. “Hoje, o desafio é se reinventar e, com isso presenciei um avanço, que planejava somente para o futuro – o delivery. Acontece, que ainda estava estudando a possibilidade de oferecer o serviço que reunia muitas reclamações por aplicativos. No entanto, esta foi uma das minhas saídas para contornar esta situação”, encerra

    Decreto

    Mesmo diante de apelos de empresários do comércio pela reabertura das portas, o governador do Estado, Wilson Lima, manteve a vigência do decreto estadual que determina a suspensão do funcionamento dos estabelecimentos não essenciais, a fim de evitar uma maior propagação do novo coronavírus (Covid-19) no Amazonas. Após apresentação das projeções do vírus, sem o isolamento social no Estado, empresários concordaram com a manutenção do fechamento das portas para evitar aglomerações.

    A reunião com o governador ocorreu na segunda-feira (30) e contou com a presença de representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, órgãos de controle e entidades do comércio e da indústria. O encontro foi avaliado positivamente pelos últimos, pois consideram positiva a criação de um comitê que vai discutir a retomada gradual da atividade econômica à medida que o controle do novo coronavírus (Covid-19) avance.

    O governador frisou que a prioridade neste momento é a saúde, mas que o Estado estuda meios de recuperar a economia, alinhado com todos os setores produtivos.