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    Mototaxistas usam app para 'driblar' crise no transporte em Manaus

    Para suprir falta de pessoas nas ruas, mototaxistas buscam aplicativos para conseguirem viagens, seja de transporte de passageiros ou mercadorias

    App Moto Táxi Oficial tem cadastrado 80 mil mototaxistas em Manaus
    App Moto Táxi Oficial tem cadastrado 80 mil mototaxistas em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus - A Prefeitura de Manaus anunciou, no último domingo (5), que irá suspender a venda do passe estudantil e a gratuidade para idosos em ônibus do transporte coletivo, buscando diminuir progressivamente o número de pessoas fora de casa. Para superar a falta de pessoas nas ruas e continuar gerando renda para suas famílias, mototaxistas buscam aplicativos para "driblar" o coronavírus.

    Trazido para Manaus por Ricardo Castro, de 34 anos, do setor jurídico do Sindicato dos Mototaxistas (Sindimoto), o aplicativo "Moto Táxi Oficial" tem sido a principal válvula de escape para os condutores que continuam trabalhando mesmo com a crise do Covid-19.

    "É muito mais fácil do que pegar passageiro na rua. Ele dá a função de táxi ou motoboy, que trabalha com o envio de mercadorias. Hoje temos cerca de 80 mil usuários", conta Ricardo.

    Na capital amazonense desde meados de 2017, seguindo os passos da entrada da Uber, o aplicativo possui mais de 100 mil downloads e está disponível tanto para iOS (iPhone), quanto para Android. Ricardo Castro esclarece que o serviço busca transmitir segurança aos usuários disponibilizando a foto do condutor, a placa do veículo e o telefone para contato.

    Mototaxistas dizem que a diminuição de pessoas nas ruas é notória
    Mototaxistas dizem que a diminuição de pessoas nas ruas é notória | Foto: Divulgação

    "O aplicativo dá a chance de realizar reclamações, e o motorista pode ser bloqueado temporariamente ou até mesmo excluído, mas não houve nenhum problema em Manaus até hoje. Atualmente é uma ferramenta que  ajuda muito os usuários, você anda na rua e parece tudo abandonado, mas as pessoas que usam o aplicativo continuam fazendo corridas", afirma Ricardo Castro.

    Entre a cruz e a espada

    Adson Luiz Menezes de Melo trabalha como mototaxista há 14 anos e afirma enfrentar a maior crise de clientes desde que ingressou na profissão. "A população está muito abalada", diz o condutor. Com aproximadamente 70% da renda reduzida devido ao coronavírus, Adson destaca a importância dos serviços de aplicativos tanto para o usuário, quanto para o mototaxista.

    "Tem sido uma válvula de escape neste momento, me ajuda muito, assim como meus companheiros. É o que tem nos ajudado 100% nos mantimentos, por conta da caída drástica nos nossos orçamentos. Antes da crise, costumava fazer mais transporte de pessoas, mas atualmente creio que está dividido com as mercadorias", revela ele.

    | Foto: Divulgação

    Aos 34 anos, Adson conta que trabalha há três anos com o serviço do "Moto Táxi Oficial" e atualmente os bairros "mais carentes, para pessoas de menor poder aquisitivo" de Manaus concentram a maior parte dos clientes. Ele, que mora com as filhas, não esconde a preocupação em contrair o vírus, mas ressalta a importância da categoria durante a pandemia.

    "Minha família precisa de mim e, como pai e homem de casa, tenho que dar o meu melhor para cada uma delas. O mais difícil é  ter que demostrar que está tudo bem, quando na verdade eu estou praticamente destruído por dentro, por causa de uma situação dessas. Se estender a quarentena creio que seremos mais úteis ainda à população, pois prestamos um serviço de qualidade e confiabilidade aos nossos clientes", afirma Adson Luiz.

    Serviço essencial

    O mototaxista Rodrigo Oliveira da Silva, de 33 anos, também vive a mesma situação, onde encontrou, no serviço do aplicativo, uma maneira de continuar ativamente na profissão mesmo com a diminuição do número de pessoas nas ruas. "Quase não tem ninguém na rua e as poucas que faço, são o que me ajudam a levar sustento para casa. Hoje é um serviço essencial", diz ele sobre o lado positivo do app.

    Também associado desde a entrada do serviço em Manaus, Rodrigo destaca as zonas Sul e Leste como as que mais demandam o transporte de passageiros. A rotina começa às seis da manhã e só acaba às nove da noite, de segunda a sábado. O que antes gerava R$150 diariamente, hoje em dia, quando há movimento, é "ao menos R$50".

    "Se não fosse pelo aplicativo, seria muito difícil arrumar clientes. Entre ir para a rua e ver minha família ficar com fome, prefiro sair para trabalhar, preciso correr esse risco. Não sei como vou fazer, a situação está difícil, mas vou dar o meu jeito, porque não pode faltar nada para eles. No entanto, todo tempo estou me policiando, com álcool em gel, lavando as mãos, dando toucas para os clientes".

    Recomendações

    Como o serviço de mototáxi continua funcionando normalmente, o Sindicato dos Mototaxistas (Sindimoto) destaca as principais recomendações durante o período de transmissão comunitária do novo coronavírus (Covid-19), dentre elas o uso de "touca, máscara e álcool em gel - antes de repassar o capacete e a mesma coisa na volta -, evitar toques, além de não usar a viseira", destaca Ricardo Castro.

    A palavra de ordem ainda é para que todos, sem exceções, permaneçam em casa o máximo possível e só saiam em caso de necessidade extrema.

    Nesta segunda-feira (6), o balanço de casos de Covid-19 em Manaus, divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), apontou para o aumento de 115 pessoas contaminadas em relação ao dia anterior, saltando para 532 pessoas com o novo coronavírus em todo o Estado.

    Assista ao Web TV News - 1ª edição, que foi ao ar nesta segunda-feira (6) na Web TV Em Tempo:

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