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    EFEITO PANDEMIA


    Com portas fechadas, restaurantes têm dificuldades no delivery

    O serviço de entregas é o método adotado pelos estabelecimentos para não serem prejudicados pela crise na saúde pública que afeta a economia

    | Foto: Divulgação/ Soparia Amazônica

    Manaus – Devido ao isolamento social em Manaus, muitos restaurantes estão impedidos de receber seus clientes em local físico e, por isso, a saída para esses estabelecimentos foi investir no delivery para não serem prejudicados pela pandemia, ocasionada pelo novo Coronavírus. No entanto, o principal recurso também apresenta algumas dificuldades, entre eles a reclamação dos clientes, mas isso não faz com que os empresários desanimem.

    De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a capital amazonense teve um aumento de 33,3% no número de pedidos realizados pelas plataformas de delivery, como WhatsApp, telefones, redes sociais, sistema to go e drive thru.

    Segundo o levantamento feito pela Abrasel, 54,2% dos restaurantes estão trabalhando com o delivery e 40,3% deles não estão abertos. Os motivos listados pelos empresários são: a falta de estrutura para atender delivery, não obteve retorno financeiro na primeira semana, preferiram não arriscar a equipe ou encerraram as atividades em definitivo.

    Os desafios que o delivery apresenta o proprietário da Soparia Amazônica, Victor Oliveira, conhece bem e afirma já ter enfrentado reclamações nas entregas.

    “Já tivemos reclamações, e o motivo mais delas é referente ao atraso na entrega. Isso acontece devido a nossa entrega ser volátil em alguns dias da semana, mas estamos sempre procurando melhorar os pontos que recebem reclamações para não acontecer novamente. Também temos a política da empresa de retornar sempre que possível para os clientes e entender de perto a situação para que possamos resolver, a gerência costuma fazer isto pessoalmente”, explicou o proprietário.

    A soparia precisou reestruturar o cardápio para os clientes terem mais opções e também possibilitar a montagem de pratos de acordo com a escolha do consumidor. Conforme Victor, foi necessário reduzir o número de colaboradores e investir em entregadores mais experientes para que o restaurante ganhasse mais agilidade nas entregas.

    “Apesar desse período estar sendo difícil, é preciso nos reinventar para tornar o produto ainda mais atrativo aos nossos clientes. Com as medidas que tomamos, os nossos pedidos aumentaram em média 30% a 40% em relação ao período antes da pandemia”, destacou o empresário.

    Uma das dificuldades enfrentadas por Victor é devido a suspensão de contratos e a diminuição da carga horária dos funcionários.

    “As vias dos sistemas que usamos demoram muito para serem homologadas e com isto temos os funcionários esperando e solicitando respostas de tais contratos. Temos também a dificuldade de acesso aos créditos liberados recentemente, a maioria das linhas ainda não estão disponível nos bancos e os que estão muitos exigem até garantias para que possamos acessá-los”, informou Victor.

    Entregas feitas pela Soparia Amazônica
    Entregas feitas pela Soparia Amazônica | Foto: Divulgação/ Soparia Amazônica

    De acordo com o último levantamento feito pela Abrasel, as empresas associadas não fizeram novas contratações de motoqueiros para os estabelecimentos, muitos usam ferramentas de delivery - então acabam tendo um serviço terceirizado. É o caso da cafeteria “Lulu Pães e Doces”, que, segundo a proprietária Rafaela Carvalho, foi necessário remanejar os funcionários para o atendimento virtual e desenvolveu o sistema de drive thru.

    “Adaptamos todos os nossos produtos para que fossem entregues com mais proteção e  aumentamos a nossa área de entrega. Nós sempre trabalhamos com delivery, então aumentou somente a demanda e a equipe passou priorizar os atendimentos via WhatsApp, ifood e Instagram para os pedidos”, explicou a proprietária.

    Os pedidos da cafeteria aumentaram aproximadamente 80% e, apesar das entregas serem feitas por motoboys terceirizados, a equipe sempre solicita um feedback do cliente sobre os produtos.

    “O produto final que chega até o cliente, tem que ser com a mesma qualidade que é feito na loja. Sempre pedimos feedbacks para que possamos aprimorar e melhorar quanto ao nosso delivery. E ainda temos a opção do drive thru, que pode ser uma opção para quem não quer optar pelas entregas”, enfatizou Rafaela.

    A proprietária disse, ainda, que a maior dificuldade nesse período é não poder receber os clientes no espaço físico, mas afirma se manter otimista em meio à situação.

    O aumento da demanda também atinge a lanchonete Melk’s Burguer. Segundo o proprietário Malcon Santos, apesar do estabelecimento já trabalhar com delivery há quatro anos, ele decidiu investir em outras formas de atrair mais clientes durante a pandemia.

    “Eu investir em planejamento estratégico para ter novos clientes e não perder os fixos, com isso as vendas pelo delivery aumentaram em 30%. Por isso, foi necessário aumentar o número de entregadores. Antes, eu precisava de dois entregadores durante a semana e apenas um no fim de semana, mas agora todos os dias temos dois entregadores e nos fins de semana temos três”, explicou.

    Conforme Malcon, as reclamações não aumentaram durante o período de quarentena. Porém, ele afirma que imprevistos acontecem e a lanchonete sempre busca recompensar os clientes com descontos e brindes.