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    Feiras


    Isolamento social gera queda de 50% nas vendas em Feiras de Manaus

    Feirantes e fornecedores esperam dias melhores na economia amazonense e permanecem, mesmo com dificuldades, com o abastecimento de produtos essenciais em Manaus

    As feiras também mantêm grandes redes de supermercados abastecidas
    As feiras também mantêm grandes redes de supermercados abastecidas | Foto: Bruna Oliveira

    Manaus – Tradicionais e com cara do regionalismo de Manaus, as maiores feiras de produtos regionais no Estado, a Feira da Manaus Moderna e a Feira Moderna da Banana, localizadas no bairro Centro, Zona Sul de Manaus, sofrem as consequências da pandemia mundial. Um problema que estava a um continente de distância chega ao Norte do Brasil e preocupa quem vive da venda direta e indiretamente do setor primário.

    Queda de 50%

    As duas são as únicas feiras que continuam funcionando após decreto governamental que proíbe a aglomeração e vendas de produtos de comércios não essenciais. Carregadores e fornecedores transitam entre a movimentação abastecendo boxes com produtos. O fluxo de movimentação caiu 50% e consequentemente há baixa na venda de produtos regionais.

    Houve mudança também nos horários de funcionamento das feiras. O horário, que era das 2h da manhã até às 19h, agora passa a ser das 2h da manhã até às 13h. A decisão da Comissão Gestora foi feita em conjunto com a Secretária de Agricultura Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc). 

    O presidente do Sindicato dos feirantes da Feira da Manaus Moderna, David Lima, explica que o valor na queda de clientes tem interferido diretamente na economia do local e que a feira tem subsistido mais do atacado, abastecendo grandes supermercados da cidade de Manaus, do que no varejo, na venda dia a dia na feira. A maior queda ocorreu durante a "Semana Santa", que chegou a 70% abaixo do contabilizado em 2019.

    A queda na venda está em 50% desde o decreto governamental
    A queda na venda está em 50% desde o decreto governamental | Foto: Bruna Oliveira

    “Os clientes estão fazendo estoque de alimentos, então eles compram e passam mais de uma semana sem ir na feira e, por isso, o movimento tem diminuído. Alguns dias são bons e outros não. É importante lembrar que a feira mantém a cadeia alimentar da cidade abastecida. Estamos arriscando as nossas vidas para que não falte alimento para as famílias”, enfatizou David.

    Outro ponto destacado por Lima é que alguns boxes na feira estão fechados, pois seguem a recomendação de que se o vendedor for do grupo de risco precisa mandar outra pessoa trabalhar no lugar ou fechar o boxe, principalmente se não for de produtos de consumo essencial.

    Vendas em baixa

    Os vendedores da feira contam que estão comprando em menor quantidade para a revenda, pois, com a falta de clientes, não querem que a mercadoria estrague. O momento é de incerteza diante da pandemia mundial.

    Sidney Valente, vendedor de tucumã na feira da Manaus Moderna, explica que a venda caiu 70% nas últimas semanas. Na quinta-feira, um dos dias de mais movimentados no local, o vendedor explica que há dificuldades para efetuar a venda.

    A venda de tucumã também foi afetada diretamente
    A venda de tucumã também foi afetada diretamente | Foto: Bruna Oliveira

    “As pessoas estão com medo de vir para a feira, mas a gente continua a vender. A feira está fechando às 13h e a gente fica com a mercadoria estocada. Estamos comprando em menor quantidade para não estragar. Também estamos tentando manter o preço normal para atrair os clientes, mas está difícil”, disse.

    O vendedor de carnes Mário Moreira trabalha com o pai aposentado na feira. Ele afirma que o percentual de queda na venda é de 50%. Em dias mais movimentados não sobra carne para vender no próximo dia.

    “Eu e meu pai estamos na dificuldade para vender. Caiu 50%. Estou baixando o preço para atrair mais clientes na feira. Está difícil”, lamenta.

    Vendedores de carne mantém preços baixos para atrair os poucos clientes que ainda vão na feira
    Vendedores de carne mantém preços baixos para atrair os poucos clientes que ainda vão na feira | Foto: Bruna Oliveira

    Já na venda dos peixes, o feirante Marcelo Monteiro reclama do aumento nos preços dos fornecedores do pescado. Ele defende que precisou aumentar o valor, pois não consegue lucro mantendo o mesmo preço das semanas anteriores.

    “Do jeito que eles vendem caro, não tem como baixar os preços. Ontem mesmo tive que ajudar uma família que estava sem comida, doamos peixe. Eu sei bem como tem sido dias difíceis. Se para mim que sou vendedor já está assim, imagina para quem não trabalha?”, contou.

    O abastecimento não vai parar, a movimentação continua intensa, pois muitos dos produtos que mantêm a feira são oriundo de outros estados e do produtor local no setor primário. 

    Consumo de banana em alta

    Bem ao lado da Feira da Manaus Moderna, na Feira da Banana vendedores dizem não sentir os impactos na queda de clientes. O preço da banana aumentou, mas os clientes continuam a comprar a fruta. O vendedor Carlos Pantoja explica como estão as vendas.

    Vendedores da Feira da banana comemoram aumento na venda
    Vendedores da Feira da banana comemoram aumento na venda | Foto: Bruna Oliveira

    “O preço aumentou de R$ 15 para R$ 35, mesmo assim as pessoas continuam comprando. Posso dizer que até aumentou a procura porque os restaurantes estão fechados e os consumidores estão cozinhando mais em casa. Daí eles vêm para a feira para comprar os alimentos”, disse o vendedor.

    A cozinheira Maria Neide, de 60 anos, é compradora semanal da feira. Ela confessa que percebeu o aumento nos produtos, principalmente na venda dos ovos. Em grandes supermercados da cidade, encontrou a cartela com 30 unidades de ovos por R$ 20 e na feira encontrou no valor de R$ 13.

    “Eu prefiro vir na feira mesmo. Eu sei que é perigoso, mas se for para pagar mais barato prefiro comprar o suficiente e evitar vir nas próximas semanas. Uso máscara, álcool em gel e venho porque está tudo muito caro fora da feira”, explicou Neide.

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