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    Dia do Trabalho


    Setor da Construção Civil não parou no Amazonas mesmo com a Covid-19

    Para manter o andamento das obras, diversas adaptações foram necessárias e, mesmo assim, o setor sente os prejuízos

    | Foto: Divulgação/Verum Engenharia

    Manaus – Desde o início da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus (Covid-19), decretos foram lançados pelo Governo do Estado do Amazonas, para paralisar atividades do comércio não essencial. O setor da Construção Civil não foi contemplado e continua operando. Contudo, segundo trabalhadores da área e o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank Souza, diversas mudanças ocorreram e os prejuízos vêm sendo observados.

    Engenheiro e sócio da Verum Engenharia, Fábio Lima, explica que o mercado realmente esfriou nos últimos meses e que os danos aos negócios vêm ocorrendo mesmo que as construtoras tenham liberdade para continuar com os serviços. “Muitos dos serviços técnicos que prestamos são feitos in loco, ou seja, com visitas técnicas e conversas com os clientes que nos procuram. Nesse contexto, o medo da Covid-19 fez com que as pessoas optassem pelo isolamento e a nossa demanda diminuísse”, esclarece.

    Fábio conta que foi preciso esticar o cronograma das obras que já estavam em andamento e diminuir consideravelmente o número de funcionários e colaboradores. Além disso, o engenheiro também relata que, normalmente, existem etapas de uma obra que podem ser feitas ao mesmo tempo para acelerar o processo, contudo – nesse momento – tudo está sendo feito por partes para evitar aglomerações.

    Fábio Lima, engenheiro e sócio da Verum Engenharia
    Fábio Lima, engenheiro e sócio da Verum Engenharia | Foto: Divulgação/Verum Engenharia

    “Estamos fazendo um serviço de cada vez. Em uma das obras em andamento, estamos focando somente na fase de instalações hidráulicas e para isso estamos usando uma quantidade mínima de pessoas, somente o essencial para o serviço”, assegura Fábio.

    Yan Vieira, engenheiro civil na Metroplan Construções, afirma que o foco da empresa é na construção de casas em condomínios fechados. Segundo ele, com a pandemia, a Metroplan está enfrentando dificuldades na compra de material e por isso, definiu paralisação temporária de algumas atividades.

    Ele revela que o sistema de televendas já existia na empresa e que atualmente todas as vendas estão sendo feitas dessa maneira. Yan afirma, além disso, que praticamente todos os funcionários foram suspensos e que os que ficaram estão mantendo todos os cuidados fundamentais.

    “O custo com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aumentou muito por conta disso. Estamos levando em consideração todos os cuidados necessários com os funcionários, principalmente dentro dos canteiros. Chegou ao ponto que o uso de máscaras e álcool em gel se tornou a principal preocupação”, revela Yan.

    O uso de máscaras e álcool em gel se tornou a principal preocupação nos canteiros de obras
    O uso de máscaras e álcool em gel se tornou a principal preocupação nos canteiros de obras | Foto: Reprodução/Internet

    O engenheiro confessa que não sente medo por ter que continuar trabalhando durante a pandemia, mas que fica imensamente triste quando precisa dispensar funcionários da empresa por conta dos cortes de gastos. “É muito triste ter que dispensar um pai de família, ver amigos de outras empresas do ramo também perderem seus empregos. Acho que é uma tristeza que todos acabamos sentindo nesse período”, justifica.

    Andriolly Maciel presta serviços em uma empresa de construção, mas preferiu não divulgar o nome da mesma. Ele salienta que a procura nos serviços caiu drasticamente e que o canteiro de obras está praticamente paralisado. “Estamos trabalhando no levantamento de materiais, orçamentos e relatórios. Eu, por exemplo, só estou trabalhando das 11h às 14h para deixar o canteiro organizado”, explica.

    O funcionário diz que, além das adaptações principais, outras também foram observadas. Ele conta que, assim como na empresa de Fábio, a construtora agora faz um mapa de serviços para cada profissional que entra e sai do canteiro. “Primeiro entra o pedreiro, depois o gesseiro, aí vem o pintor e, por último, o responsável pela limpeza fina. Estamos fazendo isso para evitar as aglomerações”, diz.

    As empresas estão buscando evitar aglomerações de trabalhadores nas obras
    As empresas estão buscando evitar aglomerações de trabalhadores nas obras | Foto: Divulgação/Verum Engenharia

    Andriolly revela estar tranquilo com o trabalho, mesmo com os receios em relação a pandemia. Ele afirma que sua saúde está ótima e que a única que ainda se preocupa com suas saídas para o trabalho é a esposa. “Ela acaba se preocupando mais comigo e com os outros funcionários do que nós mesmos. Mas a empresa está tomando as medidas de prevenção contra o vírus, então não nos sentimos tão ameaçados”, encerra.

    Adaptações e futuros negócios

    O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank Souza, traça um panorama da situação do setor em relação aos canteiros e aos futuros negócios do segmento no estado.

    “No que se refere aos canteiros de obra, todas as empresas se adaptaram para manter as ações que evitam, minimizam e são adequadas para a não contaminação dos funcionários. Temos manuais, procedimentos e protocolos que estão sendo seguidos. Alguns exemplos são: dispensa dos trabalhadores de idade mais avançada, restrição de entrada de pessoas estranhas, o não uso do mesmo equipamento, pias para lavar as mãos, álcool em gel e palestras educativas”, esclarece o presidente do Sinduscon-AM.

    Frank Souza, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM)
    Frank Souza, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) | Foto: Paulo Pereira

    Frank relata que, até agora, os cuidados estão surtindo efeitos, pois nenhum caso de contaminação foi identificado no setor desde o início da pandemia. “Pelo menos, nenhum caso chegou ao conhecimento do sindicato. Estamos operando com bastante cautela e atenção em relação a isso”, expressa.

    Na parte da economia, Frank salienta que em ambos os tipos de obras - imobiliárias ou públicas – a movimentação ocorre por meio de créditos, sejam eles do setor financeiro (bancos) ou do governo federal, estadual e municipal. Nesse sentido, existe um receio entre os trabalhadores da área em relação a interrupção dessas obras, devido ao direcionamento dos investimentos ao setor da saúde.

    “Sabemos que o estado precisa de dinheiro para lidar com o problema da saúde e, com a redução de verba, pode haver uma paralisação total de diversas obras, além de não existir a demanda para novas construções”, explica Frank.

    Segundo o presidente, o comitê de crise criado pelo governo do estado tem ajudado o setor
    Segundo o presidente, o comitê de crise criado pelo governo do estado tem ajudado o setor | Foto: Paulo Pereira

    Contudo, o presidente do Sinduscon-AM admite que o comitê de crise criado pelo governo do estado tem conseguido fazer com que diversos órgãos entendam a situação do setor, além de apresentar medidas que estão dando um folego para quem trabalha no segmento.

    “O governo estadual está ampliando o prazo de pagamento de alguns impostos para aqueles que estão com obras em andamento e, apesar de boa parte do funcionamento público está em home office, continuam fazendo vistorias nas obras. Nós do sindicato estamos ajudando as empresas com a busca de créditos perante organismos e bancos. E a Caixa Econômica está agindo e ajudando os consumidores, oferecendo um período de três meses para o pagamento de moradias que já haviam sido compradas”, enumera o presidente.

    Frank confessa que o cenário atual aponta para uma diminuição no Produto Interno Bruto (PIB) do país e que a situação provavelmente só irá melhor em 2021. Ele afirma que o sindicato tem produzido diversos vídeos educacionais durante esse período, mostrando como moradias precárias levam ao desenvolvimento de doenças importunas. “Temos um déficit habitacional de 200 mil moradias, pelo menos, no Amazonas. A falta de saneamento básico e de estrutura pode gerar doenças e nós temos brigado muito em relação a isso. Precisamos repensar os modelos de moradia social”, finaliza.

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    Confira as matérias especiais da WEB TV Em Tempo a respeito do trabalho em meio a pandemia:

    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo