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    Trabalhadores informais: os mais vulneráveis à crise na pandemia

    Conheça os trabalhadores que sofrem com a crise econômica no período da pandemia

    Manaus - AM 30.04.2020. Empregos informais: os mais vulneráveis à crise na pandemia. Na Foto: Robson Goiabeira, motorista de aplicativo. Foto: Lucas Silva/ Em Tempo | Foto: Lucas Silva

    Manaus – A Covid-19 atingiu não somente a saúde das pessoas no mundo, mas também o bolso. Já era de se esperar a crise econômica, afinal, a lei da oferta e procura rege o mercado financeiro. Seguindo as medidas de prevenção e combate à doença, as pessoas precisam ficar em casa e isso mudou o consumo e causou uma retração econômica sem precedentes, que ainda está longe de chegar ao fim. No Amazonas, durante enfrentamento desta pandemia, os mais afetados são os trabalhadores informais.

    Trabalhadores informais são pessoas que têm emprego por conta própria sem Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) registrado. Esse é o caso de Francisco Neves, conhecido na comunidade como “Nen da 14” e que passou por situações difíceis nos últimos dias pela falta de dinheiro. Casado, tem filhos, possui um bar dentro da quadra da escola de samba da Vitória Régia, localizada na rua Major Gabriel, bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus. Neves não abre seu estabelecimento desde quando saiu os decretos de isolamento.

    Nen aluga um ponto onde vende bebidas, comidas e aperitivos
    Nen aluga um ponto onde vende bebidas, comidas e aperitivos | Foto: Lucas Silva


    “Minha vida mudou com a chegada da pandemia na nossa cidade. Não posso trabalhar, pois meu bar está fechado desde o primeiro decreto. Com isso, não tenho de onde tirar dinheiro. Fiz o cadastro para receber o auxílio de R$600,00 e graças à Deus recebi. Foi o que me salvou. Tinha muitos planos para os próximos meses, mas sem dinheiro fica difícil”, disse o trabalhador.

    “Nen” explicou que em meio a pandemia ele ainda foi vítima do coronavírus e chegou a ver a morte de perto. “Peguei Covid-19. Fiquei no Hospital 28 de Agosto e sai porque meu caso não era grave, ao ponto de ficar internado. Meu tratamento foi em casa e eu quase morri. Foi Deus que me deu o livramento e minha esposa Luana, que esteve todo tempo comigo, não me abandonou para nada. Gratidão sempre a Deus e a minha mulher que incansavelmente não mediu esforços para tratar de mim”, contou o autônomo.

    O comércio é responsável pela renda da família de Nen, e está fechado em virtude dos decretos
    O comércio é responsável pela renda da família de Nen, e está fechado em virtude dos decretos | Foto: Lucas Silva

    Devido a doença, o homem não podia trabalhar e precisou contar com a ajuda de pessoas especiais para o sustento de sua família. “No momento estou vivendo de ajuda. Meus amigos do time e o pessoal do grupo que eu tenho do boteco é que estão me ajudando com leite, frauda e cesta básica. Peço a Deus que proteja sempre meus amigos”.

    “Na peleja”

    Robson Goiabeira atua como motorista de aplicativo na capital amazonense há pouco mais de um ano.  Desempregado em Manaus, Robson viu nessa nova modalidade uma oportunidade de renda e emprego que tem dado certo. Mas, com o avanço da Covid-19, o homem relatou que as corridas estão difíceis, sem contar com o medo da contaminação com os passageiros que leva no carro.

    “Acredito que a melhor forma de se prevenir com certeza é o isolamento. Obedecer aos novos hábitos de lavar as mãos e o uso de álcool em gel. Logo no início, fiquei 30 dias em casa, mais precisei retornar no domingo (26). Não tive como ficar mais em casa. Não estou recebendo auxílio de nenhum órgão público, nem prefeitura, muito menos do governo do estado ou federal. Tenho recebido ajuda de familiares e amigos”, falou o motorista.

    Robson é o único mantenedor da família
    Robson é o único mantenedor da família | Foto: Lucas Silva

     O homem contou ainda que as coisas estão difíceis nas ruas, a maioria está pagando as corridas com cartão. Dinheiro em espécie tem se tornado raridade. Porém, ao ver os mantimentos acabando e com filhos em casa, para ele não tem outro jeito, tem que trabalhar.

    “Eu aguentei até onde deu. Tem dias que você faz um pouco para pelo menos comer e outros que não faz nada. Preciso trabalhar, não tem outra solução. Sigo pedindo em primeiro lugar de Deus livramento, depois proteção. Sabemos dos riscos que existem, mas não temos nenhuma ajuda. Então é Deus por nós e eu vou atrás trabalhando no que sei fazer”, disse Robson.

    Informalidade no Brasil

    No Brasil, o quadro trabalhista é marcado pela alta taxa de informalidade, ficando pouco acima dos 40% do total de empregados. Em 2019 e no início de 2020, eram mais de 38 milhões de pessoas trabalhando sem registro.

    Cinco categorias diferentes de trabalho se enquadram dentro do conceito de trabalho informal, conforme classificado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São elas: emprego por conta própria sem CNPJ registrado. É o caso dos motoristas de aplicativos de transporte; emprego sem carteira de trabalho no setor privado; emprego doméstico sem carteira de trabalho; emprego como familiar auxiliar, que ocorre quando a pessoa trabalha ajudando parentes na profissão; trabalho como empregador sem CNPJ registrado, como é o caso de microempreendedores não registrados que contratam auxiliares (podem ser pedreiros ou ambulantes).

    O auxílio emergencial já aprovou 48,5 milhões de trabalhadores de acordo com a Caixa Econômica Federal
    O auxílio emergencial já aprovou 48,5 milhões de trabalhadores de acordo com a Caixa Econômica Federal | Foto: Divulgação

     Auxílio Emergencial

    O governo federal instalou no início do mês de abril um auxílio emergencial destinado aos trabalhadores informais, aos microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados. O intuito do benefício é fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus. No entanto, nem todos conseguiram receber, conforme relatado na matéria.

    Um dos motivos da reprovação no auxílio é a renda familiar mensal per capita (por pessoa) seja de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo que a família recebe) de até três salários mínimos (3.135,00). Caso ultrapasse esses valores, o cidadão que não se enquadra no perfil de beneficiado. Existem outros pré-requisitos que devem ser respeitados para receber o auxílio. Para mais informações, cadastrar ou consultar a situação de seu cadastro acesse: https://auxilio.caixa.gov.br/#/inicio

    O Presidente da República, Jair Bolsonaro, fez declarações polêmicas sobre a Covid-19
    O Presidente da República, Jair Bolsonaro, fez declarações polêmicas sobre a Covid-19 | Foto: Divulgação

    Posicionamento do Presidente da República

    O isolamento social e domiciliar foi uma medida decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que dividiu opiniões das autoridades no Brasil. O presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou que era contra o isolamento horizontal e que era preferível o vertical. Para ele, não somente a vida, mas o emprego é de suma importância para o ser humano. Jair chegou a dizer em um de seus pronunciamentos que a Covid-19 era equivalente a um “resfriadinho e uma gripezinha”.

    “Não me calo destas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nos mais vulneráveis. Essa tem sido a minha preocupação desde o princípio: o que será do camelô, do ambulante, do vendedor de churrasquinho, da diarista, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros autônomos com quem venho mantendo contato durante toda a minha vida pública?”, questionou Bolsonaro.   

     Em Manaus, mesmo com os decretos de isolamento do governo e da prefeitura, os casos registrados ultrapassam 5 mil pacientes  e 425 mortes por coronavírus.

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    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo