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    Cuidador de idoso


    Cuidador de idoso: a ocupação que mais cresce no Brasil

    De acordo com Caged, o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263, em 2007, para 36.720, em 2018

     O número de brasileiros acima dos 60 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve ultrapassar a marca dos 60 milhões até 2050
    O número de brasileiros acima dos 60 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve ultrapassar a marca dos 60 milhões até 2050 | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas divulgou, no último dia 8 de abril, a pesquisa “Onde Estão os Idosos? Conhecimento contra a Covid-19”, que mostra que 10,53% da população brasileira tem 65 anos ou mais. Aliado a isso, de acordo com a Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a profissão de cuidador foi a que mais cresceu entre os anos de 2007 e 2017: 547%.

    De acordo com a pesquisa da FGV, que usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) na comparação dos anos 2012 a 2018, o aumento no número de pessoas com 65 anos ou mais na população brasileira foi de 20%. O número de brasileiros acima dos 60 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve ultrapassar a marca dos 60 milhões até 2050.

    Devido ao dinamismo da vida urbana, ao aumento progressivo da expectativa de vida e à diminuição das taxas de natalidade, que resultam no estreitamento da pirâmide etária no Brasil, o mercado começou a procurar uma forma de se estender até a população idosa, outrora deixada de lado pelo baixo poder de compra. 

    De acordo com a pesquisa da FGV, o aumento no número de pessoas com 65 anos ou mais na população brasileira foi de 20%
    De acordo com a pesquisa da FGV, o aumento no número de pessoas com 65 anos ou mais na população brasileira foi de 20% | Foto: Lucas Silva

    A profissão do futuro

    De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263, em 2007, para 36.720, em 2018. O Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac) teve aumento de 84% na procura do curso de formação de cuidadores em 2018, na comparação com 2017.

    “O trabalho de cuidador vai muito além de procedimentos técnicos: é carinho e atenção. Hoje temos famílias que não imaginam a vida do pai ou da mãe sem a gente. Para ser cuidador, deve amar o que faz”, conta Plicia Guimarães, de 35 anos, diretora técnica da Cuidare Manaus.

    Há pouco mais de dois anos, Plicia decidiu abrir uma filial da rede de franquias Cuidare, agência de cuidadores de pessoas que oferece serviços não só aos idosos, como também a crianças, adultos com limitações físicas ou mentais, gestantes, mães de múltiplos e pessoas em pós-operatório.

    De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263, em 2007, para 36.720, em 2018
    De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263, em 2007, para 36.720, em 2018 | Foto: Daniel Boechat

    “Quando eu falo da importância em investir em uma agência, é por experiência própria. Meu pai morreu há cinco anos de câncer. Não vi um bom atendimento na época e comecei a perceber que meu pai precisava de atendimento que não fosse mecânico, tipo robô: remédio no horário, banho sem conversar, brincar, dar uma palavra de carinho que precisamos ouvir”, relembra, sem conseguir conter a emoção.

    Além do significado particular para investir na agência de cuidadores, a diretora da Cuidare destaca que fez pesquisas de mercado em Manaus antes de abrir a filial, que mostraram uma demanda acima da esperada de pacientes e familiares em busca de pessoas especializadas no cuidado com idosos. “Comecei fazendo o processo de seleção a cada dois meses, mas em menos de 30 dias precisei fazer mensalmente”, conta.

    Diretora da Cuidare destaca que fez pesquisas de mercado em Manaus antes de abrir a filial
    Diretora da Cuidare destaca que fez pesquisas de mercado em Manaus antes de abrir a filial | Foto: Arquivo Pessoal

    “O que mais me deu dificuldades foi mudar aquela cultura de contratar uma pessoa que cuida da casa e do idoso ao mesmo tempo, ou aquelas pessoas que moram na residência para cuidar e explicar para os clientes que cuidador é um profissional treinado e que não é uma empregada doméstica”, relata Plicia Guimarães.

     “Não é só cuidar, também é dar amor”

    A venezuelana Damelys Fajardo, de 42 anos, trabalha como cuidadora há 16 meses em Manaus
    A venezuelana Damelys Fajardo, de 42 anos, trabalha como cuidadora há 16 meses em Manaus | Foto: Lucas Silva

    A venezuelana Damelys Fajardo, de 42 anos, trabalha como cuidadora há 16 meses em Manaus, onde completa dois anos de residência no mês de junho. Formada como técnica de enfermagem, com especialidade na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Damelys destaca as diferenças entre as profissões.

    “Como enfermeira a gente interage com o paciente, mas pensa como ciência. Em muitos momentos, sequer fala com o médico na UTI e às vezes nem conhece a família do paciente. No trabalho de cuidador é muito diferente e muito enriquecedor, cuidamos daquela pessoa como fosse alguém da própria família, porque não é só cuidar, é também dar amor”, conta a cuidadora.

    Damelys diz ainda que os pacientes que demandam os cuidados especializados geralmente têm dificuldades em realizar as tarefas do dia a dia
    Damelys diz ainda que os pacientes que demandam os cuidados especializados geralmente têm dificuldades em realizar as tarefas do dia a dia | Foto: Lucas Silva

    Ela diz ainda que os pacientes que demandam os cuidados especializados geralmente têm dificuldades em realizar as tarefas do dia a dia, mas o maior desafio no começo da nova profissão foi lidar com os familiares - que algumas vezes olham como ‘intrusa’ no ambiente familiar - e atualmente é o coronavírus, já que trabalha com pacientes de risco.

    “Atualmente nossa rotina tem mudado muito. Temos que sair com uma roupa, luvas, máscaras, toucas e atualmente estamos evitando pegar transporte público. Chegando na residência, tomamos banho, tiramos e guardamos a roupa do trajeto e deixamos o sapato fora: todo um ritual para entrar na residência”, relata Damelys.

    O maior desafio no começo da nova profissão foi lidar com os familiares
    O maior desafio no começo da nova profissão foi lidar com os familiares | Foto: Lucas Silva

    Para a cuidadora Camila Rodrigues, 29, que exerce a profissão há um ano, mas é formada em técnica de enfermagem há sete meses, um bom cuidador precisa ter “capacidade de clarificar, ser simpático, ético, positivo, lúdico, ter postura, dar amor, saber respeitar a opinião e o silêncio do paciente”.

    Motivada pelo amor em ajudar o próximo e com o desafio de tirar o melhor sorriso do paciente a cada dia, Camila revela que assim que iniciou no segmento, ficava preocupada pensando que talvez o paciente por quem ela estava responsável não fosse gostar dela, no entanto, a trajetória na profissão serviu também para mostrar que o processo de aprendizado é uma via de mão dupla.

    “Todos somos ao mesmo tempo, alunos e professores. Eu costumo sempre falar que respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito. Hoje auxiliamos, amanhã seremos nós os necessitados de auxílio. Que possamos cuidar de quem cuidou de nós com amor e paciência e se o tempo envelhecer o seu corpo, mas não envelhecer a sua emoção, você será sempre feliz”, diz a cuidadora.

    O fenômeno do envelhecimento

    Com 52 anos de vida dedicados à medicina, Euler Ribeiro alerta que o envelhecimento saudável depende do ‘autocuidado’
    Com 52 anos de vida dedicados à medicina, Euler Ribeiro alerta que o envelhecimento saudável depende do ‘autocuidado’ | Foto: Arquivo Pessoal

    Para o Doutor Euler Esteves Ribeiro, de 79 anos, que além de geriatra e gerontólogo, é reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (Funati) e presidente da Academia de Medicina do Amazonas - o envelhecimento deve ser encarado como um privilégio. “Envelhecer não é igual a adoecer”, diz ele.

    Com 52 anos de vida dedicados à medicina, Euler Ribeiro alerta que o envelhecimento saudável depende do ‘autocuidado’, que compreende exercícios físicos, evitar estresses, hidratação correta, tempo suficiente de sono e alimentação saudável. E ressalta ainda evitar de “comer de tudo: gorduras, açúcares, vitaminas, proteínas, sais minerais e fibras, todos proporcionalmente”.

    “Tem que evitar se aborrecer por qualquer coisa, pois pode liberar catecolaminas, que são adrenalina e noradrenalina e podem levar a questões muito sérias de repercussão cardiorrespiratória. Quer escrever? Escreva. Quer dançar? Dance. Faça qualquer coisa para que tenha sempre alegria, porque na alegria você libera endorfina, que nada mais é do que o hormônio do prazer. Portanto, você envelhece sempre com qualidade e com alegria”, sugere o gerontólogo.

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    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo