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    Dia do Trabalho


    “Os negócios serão virtuais com o fim da pandemia”,diz Ulisses Tapajós

    Em entrevista ao EM TEMPO, o ex-secretário Municipal de Finanças afirmou que mesmo com o fim da pandemia o mercado de trabalho não voltará a ser o mesmo devido o receio da população com o vírus

    | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus - Formado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná, Ulisses Tapajós veio para Manaus em 1970 onde iniciou sua trajetória trabalhando em diversas empresas reconhecidas na capital amazonense e no Brasil, como Moto Importadora, Ambev, Novotel, Moto Honda, Friopesca e na Masa da Amazônia onde começou a trabalhar como engenheiro e por seu desempenho e destaque assumiu a presidência da empresa em 1993. Ao investir em uma equipe competente e motivada a empresa passou a ser considerada a melhor empresa para se trabalhar no Brasil nos anos de 2006 e 2007.

    Tapajós também assumiu o cargo de secretário Municipal de Finanças em 2013, durante a gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto. Já aposentado, Ulisses participa do Conselho de Administração de importantes empresas que atuam em Manaus. Em entrevista ao EM TEMPO, ele revela que o mercado de trabalho vai sair muito machucado quando a quarentena for liberada e as empresas do PIM sofrerão nos primeiros seis meses pela redução do consumo pela sociedade. Confira a entrevista especial em comemoração ao DIA DO TRABALHO!

    EM TEMPO: Como o senhor avalia o atual cenário econômico de Manaus e no Brasil?

    Ulisses Tapajós: Antes desse momento difícil que vivemos com a ameaça do novo coronavírus sobre a população brasileira, já vivíamos uma terrível dificuldade financeira. A crise ocorrida desde o segundo semestre de 2014 até o final do primeiro semestre de 2019, levou o Brasil com seus estados e municípios a uma situação de déficit financeiro muito difícil, faltando recursos para todas as áreas. Iniciamos um processo de recuperação a partir da aprovação da Reforma da Previdência, mas a chegada inesperada dessa pandemia obrigou todos a suspenderem vultuosas somas no combate aos problemas de saúde e de renda da população. Voltamos hoje à estaca zero, temos muito trabalho pela frente.

    EM TEMPO: Em sua opinião, como sua experiência do passado pode ajudar hoje o cenário econômico atual?

    UT: Os cenários vividos nos últimos 50 anos são completamente diferentes do que temos agora. Estamos sob uma verdadeira catástrofe mundial. Penso que temos de exercitar novas soluções adequadas à crise do momento presente.

    EM TEMPO: Como o senhor compara o mercado de trabalho da época em que liderava uma empresa do distrito para os dias de hoje?

    UT: O mundo muda numa velocidade incessante e contínua. Na última década, o avanço da tecnologia nos trouxe um mundo completamente diferente e muito avançado. Veja o exemplo do celular e reflita quantas atividades foram agregadas nesse aparelho que contribuem para o avanço cultural e para atividades de inovação das pessoas. Tudo hoje é feito com o sentido de ganhar mais eficiência e produtividade. Daí que os processos se modificam procurando se usar cada vez mais da automação. Progressivamente muitas profissões estão desaparecendo. O futuro é da tecnologia e é nessa direção que os jovens devem focar em suas formações.

    EM TEMPO: Em sua opinião, como será o futuro do mercado de trabalho na pós-pandemia?

    UT: O mercado de trabalho vai sair muito machucado quando a quarentena for liberada. A possibilidade de contágio só vai desaparecer quando tivermos uma vacina, o que deve demorar de 12 a 18 meses. Durante esse período as pessoas evitarão aglomerações e os negócios tenderão a ser virtuais. Alguns negócios crescerão e outros diminuirão. Exemplo do que vai crescer: Ensino à distância, Entretenimento online (lives), nutrição e saúde, telemedicina, delivery de alimentação, internet, produtos de limpeza, produtos que ajudam a prevenir a Covid-19. Exemplo do que vai ter uma recuperação lenta: produtos de beleza, roupas/sapatos/acessórios, academias de ginástica, cinema, teatro, hotéis, eventos presenciais, restaurante, viagem e turismo.

    EM TEMPO: E como ficará o Polo Industrial de Manaus (PIM) no pós-pandemia?

    UT: As empresas do PIM sofrerão nos primeiros seis meses pela redução do consumo pela sociedade. As pessoas guiarão suas compras pelo senso de necessidade e comprarão em primeiro lugar os produtos destinados às suas sobrevivências. Os produtos fabricados no PIM não são de primeira necessidade logo sofrerão redução de consumo. Somente após seis meses as coisas irão se normalizar.

    EM TEMPO: O senhor tem grande reconhecimento por liderar uma empresa norte-americana e trazer a cultura da meritocracia para o setor público, o senhor acha que esse mecanismo ainda ajuda o desenvolvimento organizacional? 

    UT: Na Secretaria Municipal de Finanças e Tecnologia da Informação (Semef), graças a um intenso trabalho de conscientização (lideranças ouvindo e trabalhando com os servidores e vice-versa) houve a possibilidade de implantar várias metodologias entre as quais a Avaliação de Desempenho Profissional alicerçada na meritocracia. Foi um sucesso. Todos tinham suas metas, aprenderam a fazer os planos de ação para atingir as metas, participavam intensamente das reuniões de monitoramento do atingimento das metas, construíam seus gráficos de performance e festejavam os bons resultados. A meritocracia trouxe para a Semef o reconhecimento do Banco Mundial como um dos melhores sistemas de gestão para resultados no serviço público. A meritocracia aumenta substancialmente a performance e os resultados.

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    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     
    | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo