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    Mercado de trabalho e o caminho para o novo “normal”

    As transformações decorrentes deste salto, viabilizado pela pandemia, exigiu a capacidade de internalizar mudanças que demorariam cerca de dois anos para serem internalizadas

    Empresas precisam evoluir de um modelo mecanicista e de inovação linear, endógena e isolada, para um modelo estratégico, orgânico e relacional
    Empresas precisam evoluir de um modelo mecanicista e de inovação linear, endógena e isolada, para um modelo estratégico, orgânico e relacional | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Estamos vivendo um cenário desafiador com a pandemia do COVID-19, reunindo uma crise sanitária mundial, sem precedentes, que desmobilizou os avanços obtidos para a retomada do crescimento econômico. No Brasil, acentuou a instabilidade política, que persiste em concorrer com o foco principal do momento: o combate à pandemia e a mitigação de suas consequências.

    O Governo Federal, por meio da recente reforma trabalhista, conseguiu flexibilizar as relações de trabalho, o que em certa medida, facilitou a edição e aprovação das diversas medidas provisórias que forneceram amparo legal para lidarmos com essa crise, no âmbito prático das necessidades das empresas e de seus colaboradores.

    Contudo, não podemos esquecer, que o mercado de trabalho já vinha passando pelas transformações decorrentes do processo de digitalização e emprego de inteligência artificial que, obviamente, já havia impactado na quantidade de empregos gerados (pelo menos desse emprego da forma a qual estávamos habituados).

    Pois bem, nesse contexto, fomos surpreendidos pelo avanço da pandemia, que está funcionando como um acelerador de todas as estratégias, planejadas ou não dentro das organizações, no sentido de migrar para um modelo de negócio mais digital. As lojas físicas e restaurantes tiveram que se adaptar para o e-commerce, delivery e fortalecimento das plataformas de marketplace. Indústria e comércio, na grande maioria, antes muito resistentes a liberar os colaboradores para trabalhar em home office, hoje estão se adaptando. Aquelas reuniões que não poderiam ser feitas em conference call, estão sendo realizadas e produzindo os efeitos esperados no compartilhamento de ideias, negociações e tomada de decisão.

    As transformações decorrentes deste salto, viabilizado pela pandemia, exigiu a capacidade de internalizar mudanças que demorariam cerca de dois anos para serem internalizadas. Isto nos mostra o potencial do ser humano em adaptar-se rapidamente e evoluir.

    O ambiente complexo e dinâmico marcado pelas incertezas e mudanças com ciclos cada vez mais curtos, exigem velocidade nas ações, tanto para o trabalhador quanto para as empresas.

    Neste sentido, as empresas precisam evoluir de um modelo mecanicista e de inovação linear, endógena e isolada, para um modelo estratégico, orgânico e relacional, onde seja estimulada a criação de redes colaborativas e a inovação aberta, dentro de uma abordagem sistêmica. Não se consegue fazer nada sozinho!

    Esse movimento empresarial é imprescindível para a geração de oportunidades de trabalho no futuro, com modelagens de contratos de trabalho completamente distintos aos praticados antes da pandemia.

    Por sua vez, os profissionais precisam estar abertos à capacitação para atuarem neste novo mercado, empoderando-se cada vez mais de conhecimentos distintos, não se limitando em sua capacidade criativa, desprendendo-se de títulos e saberes antigos, que sim, lhe darão base forte nessa nova caminhada, mas podem se transformar em peso inútil se não aproveitados como base para novos e constantes aprendizados (lifelong learning).

    Empresas e instituições precisam ajudar nessa capacitação, tanto de colaboradores atuais quanto de ex-colaboradores e da comunidade em geral. Precisamos formar redes colaborativas para capacitar as pessoas para esse novo mercado de trabalho. Estimular os jovens, estimular o uso de mentores para encurtar o tempo de aprendizagem e melhorar a educação formal, aproximando-a da demanda real do mercado.

    A pandemia deixa muitas perdas, vidas foram ceifadas abruptamente. Muitas famílias enlutadas, traumatizadas, que precisam ser acompanhadas e cuidadas. Tudo isso precisa estar na prioridade de empresas, instituições e governo.

    Por fim, destaco uma consequência muito positiva dessa pandemia e do isolamento social, que fomos forçados a fazer, a oportunidade que tivemos de resgatar os valores essenciais do ser humano, redescobrindo o que de fato é importante. O convívio maior com a família, a falta do contato físico, do abraço dos amigos, o compartilhamento das mesmas dores, do pânico e da constatação da nossa vulnerabilidade e humanidade. Da perda de todas as certezas, nasce uma inquestionável certeza: precisamos evoluir como seres humanos! Se conseguirmos, certamente construiremos um mundo melhor.

    *Kátia Andrade Barroncas - Doutora em Gestão da Inovação, Msc. Engenharia da Produção e Especialista em Administração de Recursos Humanos e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Amazonas (ABRH-AM)

    Veja o vídeo sobre "Trabalho" produzido pela TV WEB EM TEMPO: 

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