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    EFEITO PANDEMIA


    Auxílio emergencial é negado para mais de 46,6 milhões de brasileiros

    Dataprev diz que 32,8 milhões não se enquadram nos requisitos e 13,7 milhões precisam completar cadastro

    | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Criado para ajudar trabalhadores informais, microempreendedores individuais chefes de família desempregados em do o Brasil, durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o auxílio emergencial do governo federal de R$ 600 tem revelado fragilidades na sua aplicação. Além das aglomerações nas portas das agências da Caixa Economia Federal de todo o país, o auxílio não tem alcançado todos os brasileiros que precisam. Dados da Dataprev apontam que, aproximadamente, 46,5 milhões de pessoas tiveram o auxílio negado.

    Auxílio foi criado durante a pandemia para ajudar informais e microempreendedores, mas muitos deles não estão conseguindo receber
    Auxílio foi criado durante a pandemia para ajudar informais e microempreendedores, mas muitos deles não estão conseguindo receber | Foto: Arquivo Em Tempo

    O levantamento da empresa pública que está responsável por identificar quem tem direito a receber o auxílio emergencial se refere aos cadastros feitos no período de 7 a 22 de abril. Dos 46,5 milhões de CPFs barrados,  32,8 milhões foram considerados inelegíveis  (ou seja, não se enquadram nos requisitos para pedido do auxílio) e 13,7 milhões estão inconclusivos, ou seja, precisam de complemento cadastral

    De acordo com da Dataprev, dos 97 milhões de requerimentos que ela recebeu, 50,5 milhões foram classificados pelos órgãos como elegíveis - atenderam aos critérios da lei. Desses, 50 milhões receberam o benefício, segundo a Caixa, que repassa o valor de acordo com as liberações graduais do governo federal.

    Segunda parcela

    Para aqueles que conseguiram confirmar o cadastro, o governo anuncia que o calendário para o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600 sai na próxima semana. A informação foi dada na sexta-feira (1º) pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, durante videoconferência para apresentar balanço do pagamento da primeira parcela.

    A previsão inicial era de que a segunda leva de pagamentos começasse a ser paga na última segunda-feira (27) para os inscritos no Cadastro Único e os cadastrados por meio do aplicativo e do site do programa. Mas, o Ministério da Cidadania soltou uma nota afirmando que a divulgação do calendário deve ocorrer agora em maio.

    Segundo Guimarães, o banco ainda está fechando o detalhamento dos pagamentos da primeira parcela e fechará o calendário após reunião com o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e aprovação do presidente da República, Jair Bolsonaro.

    Caixa e ministério prometem estratégia para evitar aglomerações nas portas do banco
    Caixa e ministério prometem estratégia para evitar aglomerações nas portas do banco | Foto: Lucas Silva

    Pagamento em dias diferentes

    De acordo com o presidente da Caixa, o pagamento da segunda parcela ocorrerá em dias distintos dos dias para o pagamento do Bolsa Família. A medida visa evitar aglomerações nas agências bancárias.

    “O segundo pagamento levará em conta tudo o que esta acontecendo agora. De uma maneira muito clara: não há condição de misturar o pagamento do Bolsa Família com o das contas digitais. Passamos este mês montando a base de dados”, disse Guimarães. “Na semana que vem, vamos publicar o calendário do segundo pagamento e ele vai ser muito mais simples porque já temos uma base de dados de 50 milhões de pessoas”, acrescentou.

    Até o momento, cerca de 50,1 milhões de pessoas foram aprovadas para receber o auxílio. Desse total, 19,2 milhões são beneficiários do Bolsa Família; 10,5 milhões estão inscritos no Cadastro Único e 20,3 milhões são formados por trabalhadores informais, micro empreendedores individuais (MEI's) e contribuintes individuais. Outras 12,4 milhões estão com o cadastro inconclusivo.

    Problemas

    Durante a coletiva, o presidente da Caixa disse que o pagamento da primeira parcela teve problemas devido ao banco ainda não ter informações mais precisas sobre o perfil de quem pediu o benefício. Guimarães disse ainda que um terço das pessoas não tinha acesso a conta em banco.

    “Todos os que já receberam vão receber de novo e agora já sabemos quem é Bolsa Família, Cadastro Único e informais, estes últimos vão receber de acordo com a data de nascimento”, disse.

    Medidas contra aglomerações

    Questionado sobre as medidas tomadas para evitar aglomerações, Guimarães disse que o banco está adquirindo mais equipamentos de proteção individual para os empregados, como máscaras (560 mil), protetores faciais (11 mil) e 600 mil litros de álcool em gel. Também estão sendo contratados mais três mil seguranças para ajudar no controle de filas e 500 recepcionistas. Cinco caminhões da Caixa também vão ajudar no atendimento, especialmente em cidades das regiões com maior dificuldade.