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    Coronavírus


    Mercado essencial segue de portas abertas em meio à pandemia

    Alguns estabelecimentos apresentaram uma redução de até 50% nas vendas enquanto outros estão sentindo um grande aumento

    Alguns proprietários e funcionários relatam aumento nas vendas, outros uma redução | Foto: Lucas Silva

    Manaus – Na capital amazonense, decretos lançados pelo governo do Amazonas estão mantendo o comércio não essencial fechado por conta da pandemia ocasionada pela Covid-19. Contudo, os estabelecimentos que oferecem serviços e produtos essenciais continuam a todo vapor na cidade de Manaus. Alguns proprietários e funcionários relatam aumento nas vendas, outros uma redução.

    Redução

    Francijander Pereira de Oliveira, proprietário da Panificadora Cintia, relata que já está afastado do estabelecimento por estar com o novo coronavírus, mas que seus funcionários continuam trabalhando no local com a ajuda dos gerentes.

    “Não estamos sofrendo com desabastecimentos, mas com as vendas em si. Já tivemos uma queda de 20% a 30%, porque oferecíamos muitos serviços – como almoço e café da tarde – mas com o decreto, tivemos que paralisar”, explica Francijander.

    A panificadora está com o horário de funcionamento reduzido
    A panificadora está com o horário de funcionamento reduzido | Foto: Divulgação/Panificadora Cintia

    O proprietário ainda conta que foi necessário reduzir o horário de funcionamento e dar férias para 50% do efetivo de funcionários, ficando apenas com as vendas de produtos, feitas de acordo com os critérios que a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou. De acordo com Francijander, a panificadora tentou fazer as vendas por delivery, mas o lucro não foi observado.

    Dona da padaria Lispan, Rozely Ferreira, declara que também sentiu uma redução em suas vendas, quase 50%. Ela admite que ela e o esposo estão sentindo dificuldades em relação as vendas em si e aos produtos que precisam comprar. “O abastecimento não é um problema, mas percebo que tudo está ficando mais caro e os produtos que precisamos aqui principalmente”, afirma.

    Rozely afirma que o preço dos produtos estão ficando cada vez mais caros
    Rozely afirma que o preço dos produtos estão ficando cada vez mais caros | Foto: Divulgação

    Angelo Cabral é motorista de aplicativo e admite que está muito difícil trabalhar durante a pandemia. Ele sentiu uma queda na quantidade de passageiros e muitos motoristas também resolveram parar de sair tanto para fazer corridas.

    “Além da redução, um colega de trabalho faleceu por conta da Covid-19. Isso nos deixa receosos, mesmo sabendo que saímos com máscaras, luvas e álcool em gel no carro. No fundo, isso não é suficiente, mas precisamos trabalhar porque essa é a nossa fonte de renda”, desabafa Angelo.

    Também motorista de aplicativo, Kelly Magalhãs revela que o medo e a necessidade tomaram conta dos motoristas. “O fluxo de passageiros reduziu muito, alguns motoristas tiveram que entregar seus carros e outros, como eu, estão tentando negociar com o banco. Todos estamos preocupados em não deixar faltar alimento dentro de nossas casas”, diz.

    Motoristas revelam seus medos e anseios durante a pandemia
    Motoristas revelam seus medos e anseios durante a pandemia | Foto: Debora Rosa

    Ela informa que a Uber liberou um termo para os funcionários afirmando que, se for confirmado que o motorista está com coronavírus, eles oferecem uma forma de auxílio. Mas Kelly ressalta que não sabe se isso de fato acontece e, além disso, muitos motoristas que ela conhece estão com os sintomas da doença, mas estão com medo de ir aos hospitais para fazer os testes.

    Aumento nas vendas

    Proprietária da Farmácia Super Popular, Pamela Brito afirma que as vendas aumentaram bastante, mas que com esse aumento vieram também maiores preocupações. “O perigo está em duas situações: o risco de pegarmos o coronavírus e o receio de assaltos por conta do faturamento”, confessa.

    Pamela comunica que o motoboy e a caixa foram afastados durante alguns dias por apresentarem possíveis sintomas da doença. O balconista do local também está sentindo alguns leves sintomas, mas ainda não precisou deixar o trabalho. “Eu mesma estou com uma tosse há uns dias e sinto muito cansaço por conta do trabalho em si”, diz.

    A proprietária afirma que as vendas aumentaram e as preocupações também
    A proprietária afirma que as vendas aumentaram e as preocupações também | Foto: Lucas Silva

    A proprietária assegura que está fazendo o máximo pela segurança de seus funcionários e dos clientes, oferecendo máscaras, luvas e álcool em gel para todos. Pamela contratou até um rapaz para ficar na porta do estabelecimento borrifando álcool em gel e pedindo para que todos respeitem a distância dentro do local.

    “Quanto a segurança, estou fazendo o que posso para manter a farmácia funcionando, contudo, já estamos tendo problemas com abastecimento. Estão faltando alguns medicamentos, além de inaladores, termômetros, vitamina C e outros. Não está sendo fácil”, evidencia Pamela.

    Ediandra, que preferiu não revelar o sobrenome, é proprietária da Drogaria Riachão e também revela que percebeu um aumento nas vendas. “Temos muitos clientes e estou fazendo de tudo para manter a segurança deles e dos meus funcionários. Contudo, a minha preocupação é com a falta de alguns medicamentos e de inaladores”, descreve.

    A falta de vitamina C é um problema recorrente nas farmácias e drogarias
    A falta de vitamina C é um problema recorrente nas farmácias e drogarias | Foto: Bruna Oliveira

    Elane Medeiros faz parte da diretoria do Grupo DB, rede de supermercados brasileira, e informa que – em um momento como este – é gratificante manter as atividades das lojas em Manaus, prestando um serviço tão necessário a população. “Estamos assegurando necessidades básicas da sociedade e também empregos e renda para milhares de famílias que trabalham em nossos supermercados”, salienta.

    A diretora comunica que a rede supermercados não está correndo risco de desabastecimento, porque segue recebendo produtos de suas fornecedoras. Segundo Elane, a empresa também está preocupada com seus funcionários, clientes e colaboradores. Por isso, estão tomando todas as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

    “Fornecemos espaços próprios para higiene pessoal com produtos de limpeza e álcool em gel. O DB também realizou, de modo preventivo, uma série de treinamentos, palestras e orientações técnicas com profissionais da área de saúde, para as equipes de atendimento ao público, gerenciais e colaboradores de todos os setores da empresa. Também foram intensificadas a distribuição de equipamentos de EPI, como luvas e máscaras em todos os setores”, esclarece Elane

    Além disso, ela destaca que o grupo está intensificando suas ações sociais com o lançamento da campanha "Cuidar de Você é Cuidar de Todos". Desde de março o projeto já beneficiou dezenas de instituições sociais, assistenciais, comunidades carentes e ribeirinhas, instituições públicas e privadas em Manaus.

    “Estamos ajudando, por exemplo, a Associação de Catadores de Materiais Reciclados Nova Recicla, a Arquidiocese de Manaus e o Governo do Amazonas, com doações de milhares de cestas básicas, itens de higiene, limpeza e ovos de Páscoa para 2 mil crianças na capital amazonense”, evidencia Elane.

    Aumento nas vendas

    O superintendente da Associação Amazonense de Supermercados (Amase), Alexandre Zuqui, afirma que houve um grande aumento nas vendas e que isso ocorreu em função de dois aspectos principais: o medo da população e o isolamento social.

    Alexandre Zuqui, Associação Amazonense de Supermercados
    Alexandre Zuqui, Associação Amazonense de Supermercados | Foto: Divulgação

    “O medo faz com que as pessoas comprem mais para evitar voltar ao supermercado, pois estão optando pelo isolamento social. Muitas pessoas faziam apenas uma refeição em casa, por conta de seus empregos e estudos e agora precisaram reabastecer suas dispensas com boas quantidades”, explica Zuqui.

    Ele acredita que as vendas irão estabilizar daqui um tempo, pois muitas famílias já estarão abastecidas. E, quanto ao abastecimento dos supermercados, ele não se preocupa. Segundo o superintendente, as indústrias continuam funcionando normalmente e podem continuar vendendo seus produtos. “A exceção só existe no caso de itens que estão em grande e rápida procura pela população, como o álcool em gel, que não era tão usado antes”, ressalta.