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    EFEITO PANDEMIA


    Pandemia: setores econômicos sofrem forte queda em abril no AM

    Até o agronegócio, considerado essencial na pandemia, sentiu os efeitos da retração no faturamento da indústria e do comércio

    LINHA DE PRODUÇÃO HONDA | Foto: IONE MORENO

    Manaus - No primeiro mês completo sob os efeitos das medidas de contenção ao novo coronavírus (Covid-19), em abril, setores como a indústria, comércio e o agronegócio amazonense registraram forte queda na arrecadação, além de grande instabilidade. Enquanto a economia continua a cair, a curva de contágios do vírus, no Amazonas, não para de subir. Até esta segunda-feira (11), o Estado registrava 12.919 casos de pessoas contaminadas, com 320 novos registros nas últimas 24 horas.

    Agronegócio sentiu queda no volume de vendas porque muitos restaurantes fecharam as portas na quarentena
    Agronegócio sentiu queda no volume de vendas porque muitos restaurantes fecharam as portas na quarentena | Foto: Arquivo Em Tempo

    A indústria, por exemplo, recuou pelo menos 25% em abril, de acordo com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). “Abril foi um mês parado para a indústria amazonense. Desde março que nós estávamos com muitos funcionários em férias coletivas. Nesse contexto, mais da metade das empresas do Polo Industrial estavam paradas. Logo, o faturamento também estava congelado. E agora, nós já estamos indo para o segundo mês de empresas que seguem sem produção. Por aí você já tem uma noção dos prejuízos”, pontua o presidente do Cieam, Wilson Périco. 

    O setor industrial do Amazonas foi responsável, em 2019, por 29,53% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Foram R$ 7,939 bilhões arrecadados. O dado é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti).

    Périco explica que, além da falta de produção nas fábricas, há também queda brusca na procura por novos produtos. Durante a pandemia, boa parte das pessoas pode ter que pensar duas vezes antes de adquirir novos eletrodomésticos ou até mesmo um carro, dada a necessidade de racionar as finanças.

    Périco diz que retomada da economia depende das orientações médicas e governamentais
    Périco diz que retomada da economia depende das orientações médicas e governamentais | Foto: Divulgação

    Além disso, em algumas cidades do Brasil está proibida a compra de eletrodomésticos e outros produtos que não sejam considerados essenciais. A cidade de Teresina (PI), por exemplo, vetou a compra de eletrônicos, eletrodomésticos e roupas. O decreto assinado pelo prefeito Firmino Filho no último sábado (9) busca evitar aglomerações em compras consideradas não essenciais.

    “Isso afeta a nossa economia, por que, pergunte a você mesmo: dá pra produzir e não vender? Quanto tempo as empresas conseguirão ficar nessa situação”? Questiona o presidente do Cieam.

    Essencial, mas em prejuízo

    Outros setores sentem menos a crise econômica por terem sido considerados - mesmo que parcialmente - essenciais durante o distanciamento social. O primeiro deles é o agronegócio que, de outubro a dezembro de 2019, arrecadou R$ 1,942 bilhões no Amazonas, uma alta de 9,21% em relação ao mesmo período de 2018.

    Lourenço diz que ainda não é possível apontar um percentual de queda no agronegócio amazonense, em abril
    Lourenço diz que ainda não é possível apontar um percentual de queda no agronegócio amazonense, em abril | Foto: Divulgação

    Mas, agora, diante da crise sanitária, o diretor-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, afirma que o movimento é de queda. Muni conta que, em abril, o agronegócio amazonense sentiu retração e alguns segmentos da atividade foram impactos com redução de vendas e de preços, principalmente por conta da paralisação de restaurantes, bares e feiras livres.

    “Esses lugares são importantes canais de comercialização de hortaliças, frutas, queijos e outros produtos. Mas, para além disso, ainda houve uma dificuldade em enviar os produtos para outras regiões e cidades, dada a pouca disponibilidade de transporte fluvial. Até mesmo no Amazonas”, afirma o presidente da Faea.

    De acordo com Muni Lourenço, o peso dos impactos econômicos só não são maiores na agricultura, porque o setor foi considerado como atividade essencial pelos governos federal e estadual, e por isso não ficou sujeito à paralisação. O motivo é simples: disponibilizar alimentos para a população.

    Comércio

    O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, disse que o balanço ainda não está fechado, mas que há uma previsão de retração no setor comercial de 40% nesse mês de abril. Segundo ele, a crise econômica, com o fechamento das lojas, foi muito além do que os empresários aguardavam.

    Frota diz que se a pandemia se estender por mais tempo, muitas empresas irão ir à falência
    Frota diz que se a pandemia se estender por mais tempo, muitas empresas irão ir à falência | Foto: Divulgação

    "Em abril, 60% das lojas fecharam. No setor de serviços, cerca de 70% dos estabelecimentos também não funcionaram. Todos, claro, por seguirem uma série de recomendações médicas e governamentais contra a Covid-19. Está sendo difícil, mas ainda temos supermercados, padarias e farmácias abertas”, diz Frota.

    Em 2019, só o setor de serviço arrecadou R$ 13,958 bilhões, representando 51,92% de participação no PIB do Amazonas. Ou seja, metade do que ganhou o Estado veio a partir desse setor. Houve também uma alta de 6,88% em relação a 2018. Para o próximo ano, o número ainda é um mistério.