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    SERVIÇOS ESSENCIAIS?


    Governo do AM não incluirá academias e salões como serviços essenciais

    Sentindo os prejuízos financeiros, donos de academias, salões e barbearias dividem opiniões sobre o novo decreto de Bolsonaro

    Governador não vai incluir academias no rol dos essenciais e ainda estendeu a suspensão das atividades não essenciais | Foto: divulgação

    Manaus - Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro publicar decreto que inclui academias, salões de beleza e barbearias no rol de atividades essenciais durante pandemia da Covid-19, nesta terça-feira, o Governo do Amazonas se posicionou contrário a medida e afirmou que não vai acatar o decreto, em razão do atual cenário cuja curva de contaminação e mortes pelo vírus segue em alta. O governador Wilson Lima inclusive prorrogou a suspensão das atividades não essenciais do dia 18 para 31 de maio.

    A medida de Bolsonaro divide opinião entre os empresários dos segmentos. O dono da Academia David Fit, David Barbosa, 46 anos, afirma que seu estabelecimento só irá voltar quando a propagação do novo coronavírus não for mais um problema de saúde pública. “O meu trabalho é corpo a corpo, sou professor de musculação e ginástica. Não vou colocar a mim mesmo e a minha família em risco nesse momento. Mesmo com o decreto, só vou abrir minha academia quando não formos mais infectados por contato pessoal”, declara.

    David Barbosa, dono da Academia David Fit
    David Barbosa, dono da Academia David Fit | Foto: divulgação

    Ele diz que os prejuízos financeiros estão sendo sentidos desde o decreto estadual de paralisação das atividades não essenciais. “Antigamente nós tínhamos dinheiro em caixa todo dia. Hoje em dia estamos economizando mais do que nunca para poder pagar nossas contas e ter o que comer dentro de casa. Mas é preciso se adaptar e se isolar para diminuir essa taxa de transmissão”, explica.

    A administradora da Academia New Fit Alessandra Fernandes, 40 anos, afirma também que o estabelecimento não abrirá nesse período, mesmo que o governador acatasse pelo decreto federal. Ela diz que a situação financeira de toda a classe comercial está sendo prejudicada e que muitos contratos foram paralisados na empresa.

    Academia New Fit
    Academia New Fit | Foto: divulgação

    “A academia que trabalho tem muitos alunos, mais de mil e quinhentos, então nós tivemos uma perda até que pequena nesse sentido, não chegou nem a 30% ainda. Mesmo assim, estamos deixando de cobrar, o que significa que depois teremos mais prejuízos ainda, por isso entramos na medida provisória do governo e paralisamos contratos”, explica Alessandra.

    A administradora confessa que, apesar do momento não ser o mais oportuno, a definição das academias como essenciais é muito benéfico e importante para o segmento. Segundo ela, a atividade física melhora a imunidade e ajuda no fortalecimento da saúde, então deve ser reconhecida.

    A proprietária do Studio Beleza Aline Bentes, Aline Bentes, 31 anos, relata que o salão está paralisado há meses e que as contas estão chegando e ela não está conseguindo arcar com tudo. “Ainda não consegui o auxílio do governo e perdi 100% da minha clientela. Se o governo estadual em algum momento permitir a reabertura, nós iremos reabrir, pois estamos passando por dificuldades”, revela.

    Aline Bentes, proprietária do Studio Beleza Aline Bentes
    Aline Bentes, proprietária do Studio Beleza Aline Bentes | Foto: LEONARDO MOTA

    Ela diz que tomará todas as devidas precauções referentes à saúde, como atender uma pessoa, no máximo duas, por vez; utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários; e manter o local higienizado de acordo com as definições da Organização Mundial de Saúde (OMS).

    O dono da Barbearia Don Luiz, Luiz Alberto Oliveira, 35 anos, concorda plenamente com o decreto e agradeceria se o governo estadual o aceitasse. “Eu acho maravilhoso, pois estamos há meses parados e todos do segmento estamos sentindo as perdas. Muitos de nós trabalhamos em locais alugados e temos outras despesas com fornecedores e funcionários. É muito difícil pagar tudo isso sem poder produzir”, informa.

    Luiz Alberto Oliveira, dono da Barbearia Don Luiz
    Luiz Alberto Oliveira, dono da Barbearia Don Luiz | Foto: divulgação

    Ele demonstra tristeza pelos colegas de trabalho que já tiveram que fechar as portas, mas, por outro lado fica feliz pela definição de sua profissão como essencial. Segundo ele, o reconhecimento é muito importante para o crescimento econômico das barbearias. “Precisamos reabrir para sobreviver. Ninguém mais consegue crescer em 2020, só sobreviver”, diz.

    Governos estaduais

    Além do Amazonas, pelo menos mais oito Estados anunciaram que não vão seguir as novas diretrizes do governo federal. Os governadores e prefeitos brasileiros, que não seguirem o decreto presidencial estão amparados pela Constituição Federal, segundo análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Flávio Dino (Maranhão) e Givaldo Ricardo (superintendente de comunicação do governo de Sergipe) se posicionaram contra a inclusão dos serviços na lista de essenciais, que agora tem 57 atividades.

    O Governo do Amazonas declarou, em nota ao EM TEMPO, que até o momento as medidas para o enfrentamento da pandemia estão mantidas. Contudo, acrescenta que o governador Wilson Lima se reunirá, nesta terça-feira (12/05), com representantes de demais poderes e órgão de controle, para definir medidas mais rígidas de isolamento social.

    “A Bahia vai ignorar as novas diretrizes do governo federal. Manteremos nosso padrão de trabalho e responsabilidade. O objetivo é salvar vidas. Não iremos nos afastar disso”, disse Rui Costa em publicação nas redes sociais.

    “Aqui no Maranhão nós sabemos que a terra é redonda e que precisamos cuidar do coronavírus com seriedade. Vai continuar a valer o decreto estadual”, declarou à Reuters Flávio Dino.