EFEITO COVID-19


Produção de motocicletas do PIM tem o pior mês abril desde 1986

Fabricação do setor foi 98% menor que abril de 2019 e 74% menor do que o mês de abril de 1993, até então o pior da série histórica

Yamaha foi uma das empresas que voltou a produzir em maio, com medidas de proteção aos funcionários | Foto: Divulgação

Manaus - Um dos principais polos produtivos da Zona Franca de Manaus (ZFM), o setor de duas rodas já amarga o pior abril da sua história, em razão dos efeitos da pandemia da Covid-19 sobre a economia. No quarto mês do ano - o primeiro completo sob os efeitos das medidas de distanciamento social contra o novo coronavírus -, o segmento registrou uma queda de 98% na produção de motocicletas em relação ao mesmo mês do ano passado (91.226 unidades) e de 98,6% em relação a março deste ano (102.865 unidades).

As fabricantes de motocicletas produziram em abril deste ano apenas 1.479 unidades, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O volume é 74% menor que o mês de abril de 1993, quando essa indústria entregou apenas 5.744, segundo os dados da série histórica, a contar de 1986, quando os dados da Abraciclo passam a conferir a produção de duas rodas, do Polo Industrial de Manaus (PIM), mês a mês.

Moto Honda foi uma das empresas do setor que estendeu a suspensão das atividades produtivas no PIM
Moto Honda foi uma das empresas do setor que estendeu a suspensão das atividades produtivas no PIM | Foto: Ione Moreno/AET

Os efeitos negativos já são sentidos também no acumulado do ano - janeiro a abril -, quando foram fabricadas 299.078 motocicletas, o redução de 18,7% frente ao mesmo período de 2019, quando foram entregues 367.986 unidades. “A produção do segmento ficou praticamente estagnada em abril, já que 70% das fábricas de motocicletas paralisaram suas atividades produtivas como medida de prevenção e segurança de seus colaboradores diante da pandemia da Covid-19”, explica o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

O diretor de relações institucionais da Yamaha Motor da Amazônia, Hilário Kobayashi, disse que a redução veio em função de os fabricantes de motocicletas instalados em Manaus terem adotado, como medida de combate à propagação da pandemia, o fechamento das fábricas no mês de abril, o que levou a paralisação integral da linha de produção da maioria das empresas. “Pelo que se sabe, apenas uma empresa não parou, e outras duas trabalharam apenas metade do mês de abril. A Yamaha e a maioria das fabricantes não produziram nada. Isso explica a queda vertiginosa de 98%”, explicou

Diretor de relações institucionais da Yamaha avalia que será difícil recuperar o ano diante da queda de abril
Diretor de relações institucionais da Yamaha avalia que será difícil recuperar o ano diante da queda de abril | Foto: Divulgação

Diante do resultado de abril, no início de maio metade das fábricas de motocicletas do PIM já havia voltado a funcionar. A Yamaha foi uma delas, mesmo diante da curva de contaminação da Covid-19 seguir em alta descontrolada em Manaus. Mas, Kobayashi assegurou que hoje, diante do cenário, a principal preocupação da empresa é com a preservação da saúde de colaboradores e seus familiares. 

“No retorno à produção se adotou medidas em consonância com a OMS, como aferição de temperatura de todos que ingressam nas dependências da empresa, e ao menor vestígio de febre, se recomenda que o profissional volte pra casa (...). O uso de máscaras é obrigatório em todas as dependências da empresa”, afirmou.

Quanto à retomada do mercado, o diretor de relações institucionais da marca japonesa avalia que difícil trabalhar com uma previsão, mas o que se sabe é que a produção do mês de abril não será reposta ao longo desse ano. “Embora haja diversos fatores que permitam vislumbrar que na pós-crise haja aumento de vendas, pois as pessoas vão procurar meios para evitar o transporte de massa, outros fatores como: desemprego massivo e restrição ao crédito direto dado o risco de inadimplência devem ser contrapontos ao crescimento”, avaliou.

Revisão

O presidente da Abraciclo alertou que, devido ao cenário atual, as projeções para 2020 do segmento de motocicletas serão revistas. “Não resta dúvida que os resultados do segmento serão impactados pela pandemia da Covid-19. Por isso, iniciaremos agora um processo de revisão dos números”, disse.

Fermanian também chama atenção para a situação das fabricantes do segmento, bem como de seus parceiros do varejo, que sentiram fortemente a súbita paralisação das atividades de um modo geral e necessitam do apoio de medidas governamentais que aliviem as dificuldades de caixa das empresas.

“Estamos apresentando pleitos referentes às necessidades operacionais e econômicas mais urgentes das fabricantes de motocicletas e também das parceiras que atuam no varejo para os governos federal, estadual e municipal. O andamento está em diversos estágios, sendo que em alguns casos entramos na fase de agendamento de reuniões por videoconferência.”

Fermanian acrescenta que “o segmento de motocicletas precisa que a interface no varejo volte a funcionar plenamente, considerando-se, obviamente, os cuidados de prevenção necessários como uso de máscaras, distanciamento físico e higienização das mãos com álcool em gel, além da adoção de entregas e serviços específicos com hora marcada”.

VENDAS NO ATACADO

Em abril, as fábricas repassaram para as concessionárias 5.173 motocicletas, uma redução de 94,3% no comparativo com abril do ano passado (90.293 unidades) e de 94,4% ante março (92.900 unidades). No acumulado de 2020 as vendas no atacado atingiram 282.575 unidades, correspondendo a uma queda de 21,7% na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado (361.017 unidades).