Fonte: OpenWeather

    ANTES DA PANDEMIA


    Manaus registra a mais alta taxa de desemprego do país

    Dados do primeiro trimestre do ano apontam uma taxa de 18,5%, a maior entre todas as outras capitais brasileiras

    | Foto: Arquivo EmTempo

    Manaus - Nos três primeiros meses do ano - de janeiro a março -, ainda longe do período crítico da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a cidade de Manaus conseguiu acumular a maior Taxa de Desocupação do país, com uma alta de 18,5%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), divulgada na sexta-feira (15), pelo IBGE.

    A taxa foi maior que a do último trimestre de 2019 (16,9%) e ainda a maior entre as capitais, superando as registradas em Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%).

    Na Região Metropolitana de Manaus, no primeiro trimestre do ano, a taxa de desocupação subiu 1,5 pontos percentuais (p.p.) em relação ao quarto trimestre de 2019, registrando 17,1%. No Estado do Amazonas, a alta na taxa de desocupação foi de 1,6 pontos percentuais no primeiro trimestre do ano, quando registrou 14,5%, em relação ao quarto trimestre do ano de 2019 (12,9%). No trimestre de janeiro a março de 2020, comparado ao mesmo período de 2019, entretanto, o Amazonas registrou queda de 0,6 p.p. no percentual de desocupação.

    A taxa de desocupação no Amazonas foi a décima entre os estados e da Região Metropolitana a a quarta maior
    A taxa de desocupação no Amazonas foi a décima entre os estados e da Região Metropolitana a a quarta maior | Foto: Lucas Silva

    Em relação às outras unidades da federação, o Estado do Amazonas, com a taxa de desocupação de 14,5%, ocupou a 10ª posição dentre as maiores taxas, liderada pelo estado da Bahia (18,7%), seguido do Amapá (17,2%) e Alagoas (16,5%). As menores taxas foram conferidas em Santa Catarina (5,7%), Mato Grosso (7,6%) e Paraná (7,9%). As capitais com as menores taxas foram as de Goiânia (7,2%), Campo Grande(8,5%) e Florianópolis (8,8%).

    Em relação às regiões metropolitanas (RM), a taxa de desocupação registrada em Manaus (17,1%) foi a quarta maior. As maiores foram registradas na RM de Salvador (18,9%), RM de Macapá (18,4%) e Grande São Luís (18,0%); e as menores taxas, na RM de Florianópolis (8,3%), Curitiba (9,2%) e Goiânia (9,2%).

    Nível de Ocupação 

    O nível de ocupação do Amazonas, no primeiro trimestre de 2020, era de 53,6% da população, 1,2 pontos percentuais mais baixo do que o registrado no último trimestre de 2019 (54,8%). Já na comparação entre o primeiro trimestre deste ano, e o mesmo período do ano passado, o nível de ocupação era menor em 2019, 51,6%.

    No primeiro trimestre de 2020, no Amazonas, a taxa de participação no mercado de trabalho foi de 62,7%, com queda de 0,2 p.p. em relação ao último trimestre de 2019. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa foi de 61,7%, o primeiro trimestre deste ano apresentou resultado 1,0 p.p. superior.

    Informalidade

    Nesse mesmo período, a taxa de informalidade no Amazonas alcançou 58,9% da população de 14 anos ou mais, ocupada na semana de referência da pesquisa. Com esse número o Amazonas ficou o terceiro maior nível de informalidade, atrás apenas dos Estados do Pará (61,4%) e Maranhão (61,2%). Já as menores taxas de informalidade foram registradas nos Estados de Santa Catarina (26,6%), Distrito Federal (29,8%) e São Paulo (30,5%).

    O nível de informalidade no Estado do Amazonas, no período estudado, foi o terceiro maior do Brasil
    O nível de informalidade no Estado do Amazonas, no período estudado, foi o terceiro maior do Brasil | Foto: Arquivo Em Tempo

    No nível de pessoas ocupadas por condição em relação à força de trabalho, o número de pessoas de 14 anos ou mais no Amazonas, no primeiro trimestre do ano, foi estimado em 3,053 milhões de pessoas. Desse total, 1,913 milhão de pessoas estava na força de trabalho. Parte era delas ocupadas (1,637 milhão) e a outra parte era de desocupadas (277 mil). Dos 3,053 milhões de pessoas de 14 anos ou mais, 1,139 milhão estavam fora da força de trabalho.

    Já entre as pessoas ocupadas por posição na ocupação, nos três primeiros meses de 2020, a posição de ocupação classificada como “empregado” apresentou, no Amazonas, o maior número de pessoas ocupadas (866 mil pessoas); cerca de 52,9% do total de pessoas ocupadas (1,637 milhão). Sendo que destes, 550 mil pessoas estavam empregadas no setor privado, 248 mil pessoas estavam ocupadas no setor público e 67 mil como trabalhador doméstico.

    Amazonas - empregos por conta própria

    No Amazonas, segundo a pesquisa, há 561 mil pessoas que trabalham por conta própria (34,27% do total de pessoas ocupadas). Desses, 530 mil não possuíam CNPJ, ou seja, 94,5% estão na informalidade. O número de pessoas ocupadas como “empregadores” alcançou 45 mil pessoas (2,62% do total de pessoas ocupadas).

    De um modo geral, o número de pessoas ocupadas de janeiro a março de 2020 nessas posições de ocupação se manteve estatisticamente constante em relação ao quarto trimestre de 2019. As exceções foram: empregados no setor privado com uma redução de 40 mil postos de trabalhos e uma redução de 28 mil postos de trabalho dos empregados com carteira.

    Por atividade

    Em relação ao número de pessoas ocupadas por grupamento de atividade, o comércio foi o grupo que apresentou o maior número de pessoas ocupadas (316 mil pessoas). A agropecuária ficou na segunda posição com 305 mil. Em terceiro, a administração pública e serviços sociais com (288 mil). A indústria ficou em quarto lugar, com 178 mil pessoas ocupadas.

    Antes da pandemia, o comércio foi a atividade com maior número de pessoas ocupadas, com 316 mil
    Antes da pandemia, o comércio foi a atividade com maior número de pessoas ocupadas, com 316 mil | Foto: Arquivo Em Tempo

    Em relação ao trimestre anterior, a redução estatisticamente significativa ficou por conta da atividade da construção civil, ou seja, redução de 17 mil postos de trabalho. Já o aumento ficou por conta do número do setor da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com aumento de 20 mil postos de trabalho.

    Rendimento médio

    O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas em todos os trabalhos no primeiro trimestre do ano, no Amazonas, foi de R$ 1.783,00, segundo a PNAD-Contínua. Em relação à posição na ocupação, as pessoas ocupadas como “empregado” ganhavam, em média, R$ 2.075,00 nesse período.

    O empregador com CNPJ foi o grupo que apresentou o maior rendimento (R$ 5.438). Em segundo lugar, foi o empregado do setor público (com carteira) com rendimento de R$ 4.097.

    E em terceiro lugar, foi o empregado do setor público (militar e funcionário público estatutário) com rendimento de R$ 3.981,00. Os grupos de atividade que continuam a receber os menores rendimentos são: os trabalhadores domésticos sem carteira assinada (R$ 676,00) e os trabalhadores por conta própria sem CNPJ (R$ 940,00).

    Leia também:

    Greta e outros ativistas fazem vídeo e carta a favor da Amazônia