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    Profissão


    Manauaras mudam de profissão para driblar a crise na pandemia

    Depois de perderem o emprego durante a pandemia, amazonenses usam a criatividade para driblar a crise econômica causada pela Covid-19

    O ramo alimentício também foi benéfico para a cantora Vanessa Auzier que montou sua própria empresa para delivery de lasanha
    O ramo alimentício também foi benéfico para a cantora Vanessa Auzier que montou sua própria empresa para delivery de lasanha | Foto: Lucas Silva

    Manaus – A crise sanitária causada pelo novo coronavírus (Covid-19) afetou diretamente a economia do país levando a um saldo negativo em abril deste ano, de 860 mil de empregos de carteira assinada a menos, segundo dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).  Só em Manaus, forma mais de 8,6 mil. Com o fenômeno, muitos profissionais precisaram migrar de profissão para driblar a crise financeira.

    Um dos setores que ainda recebe alta demanda durante a crise é o alimentício. Mesmo com as empresas migrando para o delivery, os pedidos continuam chegando e saindo para as entregas. É o que comprova a confeiteira Brenda Silva, que decidiu deixar seu trabalho como auxiliar de produção no Polo Industrial de Manaus para investir no mundo dos doces.

    Brenda investiu em cursos de especialização para confeitaria
    Brenda investiu em cursos de especialização para confeitaria | Foto: Divulgação

    “Eu percebi que não teria chance de contratação em meio a pandemia e acabei tendo que optar por outra área. Ainda no ano passado eu tinha feito um curso online de brigadeiros gourmet dos quais vendia no trabalho, mas quando decidir mudar de profissão me arrisquei nos bolos, comecei a assistir vídeos no youtube e fazendo bolos para a família mesmo. E quando percebi já estava vendendo e aceitando várias encomendas, graças a Deus os clientes gostaram e eu encontrei uma atividade que eu realmente me identifico”, afirmou Brenda.

    Ex-auxiliar de produção no PIM, Brenda Silva diz que se descobriu como confeiteira durante a pandemia
    Ex-auxiliar de produção no PIM, Brenda Silva diz que se descobriu como confeiteira durante a pandemia | Foto: Arquivo Pessoal

    A alta demanda nas encomendas durante a quarentena surpreendeu a confeiteira. “Achei que com o isolamento social não teria sucesso nas encomendas, mas deu super certo. E o número de encomendas cresceu bastante, fiquei surpresa. Como meu espaço de produção é pequeno, eu aceito cinco encomendas por dia, mas já houve fins de semanas que cheguei a entregar 10 bolos em um dia e tem sido ótimo, pois o retorno financeiro tem me ajudado muito. Hoje eu vejo que a mudança de profissão foi boa, os bolos me cativaram, o lucro está muito bom e eu tenho meu próprio negócio”, ressaltou Silva.

    O ramo alimentício também foi benéfico para a cantora Vanessa Auzier que montou sua própria empresa para delivery de lasanha devido os eventos artísticos terem sido suspensos.

    “Eu e meu marido vivemos de música e com a pandemia a nossa profissão foi a primeira a parar e vai ser a última a retornar devido as aglomerações. Então com a falta de eventos eu decidi montar a empresa. A ideia surgiu devido ao meu marido gostar muito de lasanha e foi quando eu pensei em comercializá-la. A empresa passou a se chamar minha lasanha, mas quando as pessoas iam encomendar sempre perguntavam se era a lasanha da rainha, pois meu apelido carinhoso é rainha do Carnaval. Então mudei o nome e temos tido um bom retorno”, afirmou Vanessa.

    A cantora Vanessa Auzier se encontrou na produção de alimentos e está longe de deixar o novo negócio
    A cantora Vanessa Auzier se encontrou na produção de alimentos e está longe de deixar o novo negócio | Foto: Arquivo Pessoal

    A cantora contou que apesar o ramo ter sido apenas para driblar a crise, os planos é que a empresa continue ativa no pós-pandemia, mas ela afirma que isso não fará ela abandonar os palcos.

    “A música é minha paixão, acho que nada me faz abandonar minha profissão. Somente se for da vontade de Deus, pois é o que eu amo fazer. Entretanto encontrei um ramo que tem dado certo e é por meio dele que estamos nos reinventando, conseguindo pagar nossas despesas e não sair tão prejudicados nesse momento”, analisou a cantora.

    A cantora contou que apesar o ramo ter sido apenas para driblar a crise, os planos é que a empresa continue ativa no pós-pandemia
    A cantora contou que apesar o ramo ter sido apenas para driblar a crise, os planos é que a empresa continue ativa no pós-pandemia | Foto: Lucas Silva

    Segundo Auzier, o retorno nas encomendas tem sido satisfatório, mas como todo segmento o serviço passa por dias bons e ruins.

    “Todos que trabalham com comércio passam por isso. Mas nós tivemos uma aceitação muito boa do serviço que inclusive não esperávamos. E isso nos permitiu gerar emprego e montar recursos para uma cozinha industrial. Eentão, apesar dos dias bons e ruins, o importante é continuar em frente, se reinventando e não deixar zerar que tudo vai se normalizando”, incentivou a cantora

    A fisioterapeuta Whandermary Mota conseguiu auxiliar a renda familiar com a produção de máscaras
    A fisioterapeuta Whandermary Mota conseguiu auxiliar a renda familiar com a produção de máscaras | Foto: Arquivo Pessoal

    Em alguns casos, a mudança no ramo profissional foi benéfica para toda a família, mesmo que de forma passageira os novos investimentos têm possibilitado muitas pessoas não serem prejudicadas pelo desafio econômico vivenciado no país. É o caso da fisioterapeuta Whandermary Mota, que investiu na venda de máscaras faciais para ajudar a mãe com as despesas de casa.

    “Decidi abrir minha clínica de estética este ano e logo depois a crise aconteceu. De início as máscaras e tocas eram para ser utilizadas na minha profissão, mas como não abri a clínica, coloquei as peças à venda para ajudar nas despesas. E como a minha mãe já trabalhava com artesanato, conforme as vendas foram ganhando espaço, ela passou a produzir mais e eu realizo a venda”, afirmou.

    A fisioterapeuta também tem investido nas vendas de cursos online para driblar a crise. Segundo ela, ainda não foi possível se dedicar ao ramo devido à alta procura nas máscaras faciais, mas garante que a área é promissora.

    Pauta e edição: Rebeca Mota