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    EFEITO PANDEMIA


    Comércio amazonense ainda sem planos para recuperar o ano

    Representantes do setor dizem que ainda não há estratégia, sem a certeza da liberação do Estado para o retorno das atividades

    Apesar de o retorno gradual do comércio previsto para junho, setor ainda não tem certeza da volta | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Mesmo diante do resultado de zero nas vendas do comércio não essencial amazonense, entre abril e a primeira quinzena de maio, por conta da crise ocasionada pela pandemia da Covdi-19, o setor ainda não pensa em estratégias para recuperar as gigantescas perdas do período. Ainda que, com o possível retorno gradual a partir de junho, representantes do comércio não pararam para discutir possível campanha de queima de estoque como a Black Fiday, como estratégia para recuperação do setor no segundo semestre.

    Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes de Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, ainda não há projetos de queima de estoque envolvendo promoções, por exemplo. “Temos que esperar para saber quando ocorrerá a reabertura e, se acontecer, não podemos ser responsáveis por aglomerações. Sabemos que promoções geram aglomeração de pessoas e precisamos tomar muito cuidado com os protocolos de saúde”, disse.

    Ralph Assayag diz que preocupação é evitar aglomerações em possível retorno
    Ralph Assayag diz que preocupação é evitar aglomerações em possível retorno | Foto: Reprodução/Internet

    De acordo com Assayag, se as medidas forem desrespeitadas e o volume de pessoas dentro das lojas aumentarem exacerbadamente, o decreto pode ser revogado e o número de infectados pelo novo coronavírus pode aumentar. “Sabemos dos prejuízos, afinal, as lojas não essenciais estão totalmente fechadas e o balanço para o mês de abril e primeira quinzena de maio foi zero, mas temos que pensar nas questões de saúde”, salientou.

    Ele informa que, para o comércio essencial, as vendas tiveram um aumento de 7% a 8% durante o mês de abril, mas a partir de maio, começaram a cair. Assayag apresenta dois motivos: o maior número de pessoas que perderam seus empregos e que, assim, também perderam poder aquisitivo. “As pessoas só estão comprando o necessário, o básico, e essa queda nos preocupa, porque prejudica também a arrecadação do Estado”, explicou.

    O presidente da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomercio-AM), Aderson Frota, afirmou que o comércio do Amazonas está dependendo das estatísticas em relação à Covid-19. “No início do mês observamos uma queda nos casos e uma melhora na rede de saúde pública. Alguns já estavam dizendo, inclusive, que havíamos passado pelo pico da curva. Aguardamos que o calendário seja adiantado de acordo com os novos números e que o comércio possa retomar”, disse.

    Josana Mundstock, representante da Abrasce diz que entidade já trabalha com protocolo baseado em experiências internacionais
    Josana Mundstock, representante da Abrasce diz que entidade já trabalha com protocolo baseado em experiências internacionais | Foto: Divulgação

    A representante da Associação Brasileira de Shopping Centers no Amazonas (Abrasce-AM) e superintendente do Manaus Plaza Shopping, Josana Mundstock, disse que o centro comercial onde atua é um dos que mais tem sofrido com a crise.

    “Para minimizar os impactos, estamos concentrando nossos esforços em dois planejamentos: segurança do ambiente para que o cliente se sinta mais à vontade, na hora de frequentar, e canais alternativos de vendas para os lojistas. Nossas ações estão sendo dirigidas para um ambiente de multicanalidade e a liquidação é uma das futuras ações”, avalia Josana.

    A representante da Abrasce disse que a entidade já desenvolveu um protocolo de operações, baseado em experiências internacionais, que incluem boas práticas, treinamento e recomendações dos profissionais da saúde e que tem sido utilizado na adaptação dos shoppings. Ela também observou que, as ações de aglomerações, como eventos, estão sendo descartadas no primeiro momento.

    Prorrogação do decreto

    O novo decreto do Governador Wilson Lima, que suspende o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais e de recreação e lazer, até o dia 31 de maio, foi assinado na quarta-feira (13), e estabelece uso obrigatório de máscara e penalidades, como multa diária de R$ 50 mil para pessoas jurídicas que não cumprirem as determinações.

    “Percebemos que, nos últimos dias, houve queda nos casos e aí, sobretudo, usamos como parâmetro o número de enterros. Mas ainda é muito cedo para falar com a segurança necessária para que possamos fazer reabertura do comércio”, disse Wilson Lima.

    A diretora-presidente da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde), Rosemary da Costa Pinto, também alertou que não há como afirmar que haverá redução de casos de Covid-19 nos próximos dias, mesmo com diminuição de internações e sepultamentos observada na última semana.

    “Dizer que o risco passou ainda é muito prematuro, podemos inclusive ter um segundo pico que pode ser tão preocupante quanto o das últimas semanas, tudo vai depender no quão bem-sucedidos seremos na manutenção do isolamento social e uso de máscaras”, afirmou.