Imobiliário


Em meio à pandemia, cresce procura por imóveis no AM

Com a redução nas taxas de linhas de crédito pessoal e imobiliário, o financiamento da casa própria se tornou mais atrativo

Funcionários do segmento acreditam que o momento é ideal para quem quer financiar a casa própria | Foto: Divulgação

Manaus - Em meio à crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus, o Banco Central (BC) diminuiu os juros básicos da economia pela sétima vez seguida. A taxa Selic caiu para 3% ao ano. Profissionais do setor contam que, com a redução nas taxas de linhas de crédito pessoal e imobiliário, os bancos tornaram o financiamento da casa própria mais atrativo e os clientes não perderam tempo.

Carlos Santos, 36 anos, é funcionário público e deu entrada em um financiamento na última semana. Ele conta que estava esperando o momento certo para fazer um bom negócio. “Já tinha um dinheiro guardado, comecei a pesquisar e percebi que realmente os juros baixaram. Aproveitei a queda para comprar”, relata.

Ele explica que já não estava mais querendo morar em apartamento e que foi o momento perfeito para a aquisição da casa própria. Carlos também esclarece que, como funcionário público, o processo para conseguir o financiamento não é tão burocrático, o que tornou o procedimento mais fácil.

A corretora Francivone Aquino, 46 anos, credenciada no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Amazonas e Roraima (Creci-AM/RR), foi a responsável por lidar com o processo de Carlos. Ela conta que a procura realmente aumentou, mesmo em meio à pandemia da Covid-19.

A procura aumentou no setor de imóveis, afirma Francivone
A procura aumentou no setor de imóveis, afirma Francivone | Foto: iStock/Reprodução

“Além de muitos clientes buscando financiamento, também tivemos uma boa movimentação nos imóveis de valores até R$ 100 mil para compra à vista. A procura durante a pandemia tem sido constante, tanto para compra quanto para locação”, revela a corretora.

Francivone até brinca ao dizer que parece que os clientes estão de férias e não em quarentena, pois sempre estão procurando os serviços imobiliários oferecidos por ela. “Hoje eu não trabalho mais para um imobiliária, mas – mesmo assim – continuo filiada à empresa para possíveis vendas de imóveis de plantas”, conta.

Os corretores estão buscando manter seus serviços durante a pandemia
Os corretores estão buscando manter seus serviços durante a pandemia | Foto: Divulgação

Damião Antônio Guedes, também é corretor credenciado no Creci-AM/RR e declara que o aumento na procura por imóveis foi realmente observado. Contudo, ele acredita que existem dois motivos principais para o crescimento.

“Primeiro temos a redução das taxas bancárias, que estimula bastante a economia e, em segundo; a segurança por trás da compra de um imóvel em relação a desvalorização da moeda. Ambos são atrativos para os investidores”, descreve Damião.

O corretor Damião Guedes fechando um de seus negócios
O corretor Damião Guedes fechando um de seus negócios | Foto: Divulgação

O corretor Adriano Saraiva, 44 anos, credenciado no Creci-AM/RR, salienta que a decisão dos bancos em reduzir suas taxas foi ótima para movimentar o mercado durante a pandemia. “O mercado está extremamente movimentado, inclusive, em relação aos imóveis prontos e usados. A procura aumentou para quem já tinha um dinheirinho guardado e resolveu investir, comprando a casa dos sonhos por um valor lá em baixo”, afirma.

Além disso, Adriano revela que o dia a dia dos profissionais também foi alterado. O uso de ferramentas virtuais tem auxiliado durante a crise. “Estou vendendo muitos empreendimentos em home office. Capto o cliente pelas redes sociais, converso pelo WhatsApp, fazemos todas as simulações e até assinamos os contratos pela internet. Só agendamos de ir ao local na hora de fechar o negócio”, conta.

Funcionários do segmento acreditam que o momento é ideal para quem quer financiar a casa própria
Funcionários do segmento acreditam que o momento é ideal para quem quer financiar a casa própria | Foto: Divulgação

Proprietário da imobiliária Melhor Imóvel, Adeonor Barros ressalta que o Amazonas é um dos estados que tem o menor estoque de imóveis, então os incorporadores da região não sofreram um grande baque com a crise. “Por isso, como o mercado está conseguindo se manter e o bancos estão reduzindo as taxas, esse é o melhor momento para quem quer comprar”, garante.

Ele conta que o, Minha Casa, Minha Vida, programa de habitação popular do governo federal, tem sido um dos responsáveis pela sustentação do segmento imobiliário. “Ele é a base da pirâmide. Temos incorporadoras que sabem muito bem trabalhar com esse produto e conseguem atingir clientes que têm necessidade de ter um imóvel”, encerra.

Habitações do programa "Minha Casa, Minha vida"
Habitações do programa "Minha Casa, Minha vida" | Foto: Divulgação

Sobre a taxa Selic

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 3% ao ano, com corte de 0,75 ponto percentual. A decisão surpreendeu os analistas financeiros.

Segundo a pesquisa Focus do BC, a maior parte dos agentes econômicos esperava a redução dos juros básicos para 3,25% ao ano nesta reunião e um corte adicional, para 2,75%, em junho.

Banco Central do Brasil
Banco Central do Brasil | Foto: Arquivo/Agência Brasil

Em comunicado, o BC informou que o comitê considera promover um novo corte, de até 0,75 ponto percentual, na próxima reunião, em junho. A partir daí, os juros básicos não seriam mais alterados, mas a autoridade monetária admitiu que os riscos estão elevados e que espera mais informações para definir os próximos passos.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos 12 meses terminados em março, o indicador fechou em 3,3%, o menor resultado acumulado em 12 meses desde outubro do ano passado.