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    PEIXES ORNAMENTAIS


    Pesca ornamental do Amazonas expande durante a pandemia

    Crescimento da atividade foi possível diante de medidas do Estado que ajudaram os exportadores amazonenses

    Sepror incentivou a capacitação de produtores e pescadores de peixes ornamentais do Amazonas | Foto: Arthur Castro/Secom

    Manaus - Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o mercado de peixes ornamentais no Amazonas vem alcançando bons resultados e contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado. O bom desempenho é resultado da implementação de medidas do Governo do Estado que ajudaram os exportadores a diminuírem os impactos causados pela maior crise sanitária da história do Amazonas.

    A atividade, que é acompanhada pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), por meio da Secretaria Executiva de Pesca e Aquicultura (Sepa), possibilita a geração de emprego e renda, além de promover a cultura da pesca ornamental do Amazonas em países da Europa, Ásia e América do Norte, que estão entre os maiores compradores estrangeiros das espécies locais.

    Antes concentrada no Alto Rio Negro, atividade agora é realizada em mais de 20 municípios
    Antes concentrada no Alto Rio Negro, atividade agora é realizada em mais de 20 municípios | Foto: Arthur Castro/Secom

    “É uma atividade que, historicamente, sempre teve uma presença marcante na produção de peixe ornamental do Brasil. Já conseguimos ser um dos maiores produtores e exportadores de peixe ornamental”, ressaltou o secretário executivo de Pesca e Aquicultura, Leocy Cutrim.

    Ele lembrou que, no ano passado foram realizadas audiências públicas para ouvir a categoria, tanto os criadores que pescam nos municípios como também as empresas que atuam na exportação do peixe ornamental. “Fizemos capacitações para melhorar a qualidade desse peixe que é exportado junto com os criadores, pescadores e as empresas que preparam esse peixe para embarcar”, pontuou o secretário.

    Antes concentrada na região do Alto Rio Negro, em municípios como Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, a pesca ornamental é hoje realizada como atividade econômica em, aproximadamente, 20 municípios do Amazonas.

    “É uma atividade que está em ampla expansão, gera renda, emprego, dividendos para o Estado, porque esse é um produto legal, que tem documentação, é exportado de forma legal. E a tendência é melhorar cada vez mais, principalmente com a abertura de uma nova instrução normativa do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento], que vai facilitar ainda mais a exportação desse produto do Amazonas”, observou Leocy Cutrim.

    No Amazonas, os peixes ornamentais possuem o selo de Indicação de Procedência/Indicação Geográfica, que caracteriza a geração de sustentabilidade econômica, beneficiando as famílias estabelecidas no local da produção, a preservação da história local e do produto, bem como a preservação da biodiversidade e proteção de um patrimônio nacional e econômico.

    Peixes ornamentais do Amazonas possuem o selo de Indicação de Procedência/Indicação Geográfica
    Peixes ornamentais do Amazonas possuem o selo de Indicação de Procedência/Indicação Geográfica | Foto: Arthur Castro/Secom

    Apoio aos exportadores

    Entre as conquistas possibilitadas pelo apoio do Governo do Amazonas, a Associação dos Exportadores de Peixes Ornamentais do Amazonas (Adepoam) é uma das mais expressivas para o desenvolvimento da atividade. Criada em 2019, a entidade é fruto de uma mobilização feita para organizar a categoria e alinhar as discussões sobre iniciativas voltadas ao crescimento do setor.

    “As empresas de peixes ornamentais, os empresários em si não tinham contato um com os outros. Nós trabalhávamos de forma individual. A Secretaria de Pesca uniu, a gente pôde se aproximar, discutir os nossos interesses e entender que nós precisávamos sim da Associação para ter algum tipo de representatividade”, disse o presidente da Adepoam, Sued Canavieira. A entidade já registra a adesão de nove das 12 empresas amazonenses do setor.

    Proprietário da Amazon Peixes Ornamentais - empresa que exporta para Alemanha, China e Estados Unidos -, Sued frisa que os esforços direcionados ao setor em 2019 surtiram bons resultados. A empresa dele, que emprega cinco funcionários e trabalha com cerca de 150 espécies, movimentou US$ 650 mil em 2019, com a realização de duas a três exportações por semana. A pesca é praticada, principalmente, nos rios Amazonas, Negro e Solimões.

    Edital de apoio

    O Governo do Amazonas lançou, em maio deste ano, por meio da Sepror, um edital de apoio à pesca ornamental. Nele está prevista a escolha de Organizações da Sociedade Civil de pescadores, interessadas em firmar Acordo de Cooperação para doação de 125 (cento e vinte e cinco) conjuntos de materiais para a pesca ornamental.

    Cada conjunto será composto de 10 caixas plásticas brancas tipo caçapa de 40 litros; uma lanterna de cabeça 12 LEDs; uma lanterna 1.500 velas holofote tocha cilibrim foco de mão 12v; uma bateria 60 amp; uma tela mosquiteira de nylon verde 1x50 metros (rapiché); um facão para mato 16 polegadas; uma faca inox peixeira reforçada com cabo de madeira de 6 polegadas; uma lona cobertura carreteiro 3x4 metros; um chapéu de palha aba grande de 15cm; um par de botas sete léguas; um par de luvas de pano tricotada de algodão pigmentada.

    “As entidades vão concorrer e vai ser distribuído, de forma gratuita, esse material de apoio ao pescador piabeiro, que é (aquele) das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito mais baixo, e que precisa fortemente do apoio do Estado”, reforçou o titular da Sepa, Leocy Cutrim.


    *Com informações da assessoria