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    Turismo


    Agências de turismo do Amazonas seguem acumulando prejuízos

    Em maio as perdas no setor alcançaram R$ 37 bilhões, segundo a CNC, e sem a liberação dos pontos turísticos, empresas ainda passam por dificuldades

    Mesmo com a permissão, algumas agências de turismo no Amazonas não retomaram as atividades | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Desde o início da pandemia da Covid-19, em março, o turismo brasileiro acumula perdas superiores a R$ 87 bilhões, em relação ao faturamento médio do período anterior à crise, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No Amazonas, o setor é responsável por uma receita total de mais de R$ 540 milhões, de acordo com a Amazonastur e os proprietários de agências relatam que as perdas continuam ocorrendo mesmo depois da reabertura das empresas no Estado

    A Organização Mundial do Turismo (OMT), braço do ano especializado em políticas para o setor, divulgou que o mês de abril, um dos mais importantes para o setor no ano, registrou queda de 97% nas viagens na comparação com o mesmo mês do ano passado. O mercado foi um dos mais afetados pelas restrição de circulação imposta pelas medidas para impedir a propagação da Covid-19.

    Dono da Realtur, Alexandre Teixeira, 30 anos, afirma que a reabertura a partir do dia 1º de junho não trouxe muitos resultados para o setor, pois os pontos turísticos continuam fechados no Estado. “Do que adianta autorizar a volta das agências de turismo, mas não liberar os locais que geralmente levamos os clientes? Presidente Figueiredo, por exemplo, é o carro chefe da empresa e não podemos fazer passeios por lá nesse momento”, explica.

    "Presidente Figueiredo é o carro chefe da empresa e não podemos fazer passeios por lá", relata Alexandre
    "Presidente Figueiredo é o carro chefe da empresa e não podemos fazer passeios por lá", relata Alexandre | Foto: Divulgação

    Alexandre salienta ainda que, por conta dos riscos que as aglomerações ainda representam, a questão do transporte se torna limitada na hora de preparar pacotes de viagens e passeios. “Não podemos levar um grupo acima de 30 pessoas em um micro-ônibus, por exemplo, pois precisamos respeitar o distanciamento entre os passageiros. Isso acaba nos deixando somente com a metade desse número e não compensa”, esclarece.

    Ele informa que, de acordo com a programação do Governo Estadual, os locais para visitação estarão somente estarão disponíveis a partir do dia 29 de junho, então sua expectativa de recuperação só poderá ser alcançada no final do mês. “Na época em que estávamos parados não entrou um centavo na empresa. Esperamos que no final de junho tenhamos um retorno de, pelo menos, 80% dos clientes”, revela.

    Proprietário da Rogertur, Ilson Rogério, 34 anos, relata que, em sua agência – durante o período do decreto que exigiu a paralisação das atividades do segmento - 100% dos pacotes de viagem foram cancelados e 90% das passagens foram remarcadas, com 10% restante de cancelamento.

    Proprietário da Rogertur, Ilson Rogério
    Proprietário da Rogertur, Ilson Rogério | Foto: Divulgação

    “Ainda vai levar muito tempo para o Turismo se recuperar. Segundo alguns especialistas, ainda vamos levar uns 12 meses para equilibrar as contas nas agências nacionais, pensar em uma recuperação total ainda esse ano não é possível para mim”, desenvolve Ilson.

    Ilson está com pacotes para 2020, mas esses só estão sendo programados para a partir do mês de setembro, se os efeitos da pandemia não piorarem no Estado. Ele diz ainda que, desde o retorno da do funcionamento da agência, ele e seus funcionários só estão mantendo os pacotes que já tinham e vendendo passagens áreas, mas não tem condições de oferecer novos passeios para os pontos turísticos nesse momento.

    Ilson e seus funcionários só estão mantendo os pacotes que já tinham e vendendo passagens áreas
    Ilson e seus funcionários só estão mantendo os pacotes que já tinham e vendendo passagens áreas | Foto: Divulgação

    De acordo com a proprietária da Paradise Turismo, Cláudia Mendonça, 57 anos, as perdas foram imensas durante a paralisação do setor e o faturamento em sua empresa caiu 100% nos últimos meses. “Mesmo com a permissão, não abrimos ainda, porque estamos nos preparando corretamente para esse momento e aguardando que os locais de visitação e os pontos turísticos sejam reabertos”, conta.

    A pretensão da empresária é voltar no dia 15 de junho, mas Cláudia entende que, ainda assim, o faturamento não será satisfatório enquanto uma liberdade maior não for concedida ao segmento. “Eu entendo os motivos pelos quais não retornamos com tudo normalmente nesse momento, mas vamos nos preparar para essa nova temporada mesmo que ela seja pequena”, assegura.

    O faturamento na empresa de Cláudia caiu 100% nos últimos meses
    O faturamento na empresa de Cláudia caiu 100% nos últimos meses | Foto: Divulgação

    Cláudia declara que, enquanto sua empresa estava de portas fechadas, ela conseguiu ajuda do Governo Federal com a suspensão de contratos, como formo de salvar sua empresa de algumas despesas e de proteger seus funcionários durante a crise. Contudo, ela afirma que os planos liberados pelo governo são extremamente burocráticos e que, quase ninguém da sua área está conseguindo.

    Dados alarmantes para o setor

    Um estudo feito pela CNC demonstra que, em março, as perdas no setor chegaram a R$ 13 bilhões, subiram para R$ 36 bilhões em abril, e, em maio, alcançaram R$ 37 bilhões. O trimestre, registrou "uma paralisia quase completa do setor”.

    Outro estudo, feito pela Fundação Getulio Vargas Projetos (FGV Projetos), afirma que o produto Interno Bruto (PIB) do turismo só retornará ao patamar pré-pandemia no ano de 2022. A FGV calcula que o PIB do setor será de R$ 143,8 bilhões em 2020, um tombo de 46,9% em relação a 2019. Em 2021, o PIB do turismo somará R$ 236,5 bilhões, ainda 12,6% inferior ao resultado de 2019.

    A FGV calcula que o PIB do setor será de R$ 143,8 bilhões em 2020, um tombo de 46,9% em relação a 2019
    A FGV calcula que o PIB do setor será de R$ 143,8 bilhões em 2020, um tombo de 46,9% em relação a 2019 | Foto: Divulgação

    Em março, quando foi decretada a situação de pandemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o setor turístico brasileiro faturou R$ 13,38 bilhões menos do que a média mensal dos dois meses anteriores. Com as medidas de isolamento social, fechamento de fronteiras e restrição à circulação de pessoas, as atividades turísticas tiveram nova perda de R$ 36,94 bilhões em abril, seguida de outra queda de R$ 37,47 bilhões no faturamento em maio.

    O economista da Fábio Bentes, autor do estudo da CNC, lembra que, historicamente, para cada retração mensal de 10% no volume de receitas do setor turístico, há uma destruição potencial de 97,3 mil postos de trabalho num horizonte de até três meses. Diante da atual perda na geração de receitas, 727,8 mil postos de trabalho podem ser perdidos até agosto.

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