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    POLO URUCU


    Após 33 anos, Petrobras anuncia que deixará Polo de Urucu, no Amazonas

    Enquanto economistas consideram uma boa estratégia econômica, políticos alertam para risco de demissão em massa e perda de arrecadação

    SONY DSC | Foto: Agência Petrobras

    Manaus - Em uma onda de 'privatizações' desde o início do ano, nesta sexta-feira (26) a Petrobrás, maior estatal do Brasil, anunciou a venda total de sua participação na exploração e produção de petróleo no Polo Urucu (650 quilômetros de Manaus). A decisão, segundo a empresa, é uma estratégia para transferir investimento para outras áreas "mais rentáveis". Especialistas veem a medida como positiva em um primeiro momento, mas políticos amazonenses alertaram para risco de demissão em massa e queda de arrecadação.

    Estatal venderá as sete concessões  terrestres localizadas na Bacia do Rio Solimões
    Estatal venderá as sete concessões terrestres localizadas na Bacia do Rio Solimões | Foto: Divulgação

    A Petrobrás irá vender sete concessões de produção terrestres localizadas na Bacia do Rio Solimões. São elas: Araracanga, Arara Azul, Carapanaúba, Cupiúba, Leste do Urucu, Rio Urucu, Sudoeste Urucu. Todas estão localizadas nos municípios de Tefé e Coari e ocupam uma área de cerca de 350 quilômetros quadrados (km²).

    Na nota que anuncia a venda das concessões, a empresa informou que a decisão está de acordo com as diretrizes de investimento e melhoria de direcionamento do seu dinheiro. 

    "Essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e melhoria de locação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultra-profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos", diz parte do texto.

    A estratégia da Petrobras para o Polo do Urucu não é isolada. Desde o início do ano a estatal iniciou uma série de vendas de campos de petróleo e gás natural por todo o Brasil. Entraram na onda de concessões os ativos de Alagoas, Campos de Manati (BA), Colômbia, Bacia do Espírito Santo, Bacia Pará-Maranhão, Polo Ceará, dentre outros.

    Descontinuidade e risco de desemprego

    Até então, as atividades da empresa estão em funcionamento, mas o risco da venda das participações é que haja descontinuidade. O termo se refere ao comportamento de uma empresa em ser reformulada, o que pode gerar novas estratégias econômicas, mas também demissão de funcionários. O deputado federal Marcelo Ramos (PL) alerta para o risco de isso acontecer com as concessões do Polo de Urucu.

    Marcelo Ramos diz que o que mais preocupa nessa decisão é a possível demissão em massa de funcionários
    Marcelo Ramos diz que o que mais preocupa nessa decisão é a possível demissão em massa de funcionários | Foto: Câmara dos Deputados

    "A Petrobrás está vendendo vários campos de exploração pelo Brasil. Nesse contexto, nós da bancada federal e o governo precisamos ficar atentos para que ela não desative os campos e pare a produção antes de vender, porque isso geraria desemprego, queda de arrecadação e até o risco de que o campo não seja comprado. Não pode haver descontinuidade", argumenta o parlamentar.

    A preocupação se estende também ao senador Plínio Valério (PSDB). Para ele, "o buraco é mais embaixo". Ele explica que até então as concessões não vão sofrer problema de descontinuidade. Mas, alerta que isso pode acontecer a depender de quem adquirir os ativos.

    Plínio Valério diz que é necessário ficar atento para que não haja descontinuidade na exploração
    Plínio Valério diz que é necessário ficar atento para que não haja descontinuidade na exploração | Foto: Divulgação

    "É sempre assim e isso nos deixa tensos, porque se trata da Petrobras, que tem um nível de confiança altíssimo, que opera bem e todo brasileiro confia. Vamos ficar atentos para que não haja descontinuidade por parte de quem assumir essas concessões", afirma o senador.

    Perda para os cofres públicos

    Além do risco de redução no quadro de funcionários, o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) alerta para graves consequências aos cofres públicos. Ele ressalta que a Petrobras, como a maior empresa da América Latina, é também a maior contribuinte em impostos para o Amazonas e a sua saída pode ser muito ruim para a economia do Estado.

    Serafim Corrêa alerta para possível perda da maior fonte de arrecadação tributária do Amazonas
    Serafim Corrêa alerta para possível perda da maior fonte de arrecadação tributária do Amazonas | Foto: Divulgação

    "O governo do Estado deve se articular, porque a Petrobras está saindo por vários motivos, mas um deles é o tratamento que ela sempre recebeu por parte do poder público estadual aqui no Amazonas. São intermináveis os litígios com o governo estadual por conta de cobrança de tributos sem que nunca tenha conseguido manter o entendimento. Seja por culpa dela ou nossa", afirma o parlamentar.

    Estratégia econômica certeira

    Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior, a decisão da Petrobras é "certeira". Segundo ele, a manobra é comum no mercado e pode gerar benefícios tanto para a estatal como para o Amazonas.

    Economista é mais otimista quanto a possibilidade de novos investimentos no Amazonas
    Economista é mais otimista quanto a possibilidade de novos investimentos no Amazonas | Foto: Divulgação

    "A Petrobras está com uma nova estratégia de direcionar seus investimentos para campos que ela sabe que estão dando mais lucro. Eu não vejo pontos negativos nessa decisão, apenas benefícios. A companhia ganha porque vai poder vender suas concessões e acumular capital", avalia o economista.

    Ele acrescenta que o Amazonas pode avançar com novos investimentos. "Porque certamente a empresa que assumir a produção de petróleo e gás natural irá injetar dinheiro nas concessões", afirma o especialista.

    Polo Urucu

    O Polo do Urucu, onde estão as concessões que a empresa irá vender, é a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do Brasil, segundo a companhia. E apesar de se concentrar numa região de difícil acesso, o custo para a extração das matérias-primas está entre os menores do Brasil. 

    Ainda segundo o comunicado da Petrobras, no primeiro trimestre de 2020, a produção média do polo Urucu foi de 106.353 barris de óleo equivalente por dia (boed), sendo 16,5 mil barris por dia (bpd) de óleo e condensado, 14,3 milhões de metros cúbicos ao dia (m³/d) de gás e 1,13 mil toneladas por dia (ton/dia) de GLP.