SETOR IMOBILIÁRIO


Mercado de aluguel de imóveis negocia e volta a crescer em Manaus

Mesmo com prejuízos, setor conseguiu se manter e a retomada já registra alta de 10% no volume de novos contratos

Além da baixa procura durante a pandemia, muitos distratos foram feitos no período em Manaus | Foto: Reprodução/Internet

Manaus - Projeções apontavam que o mercado de aluguel de imóveis apresentaria grande crescimento em 2020, mas a pandemia da Covid-19 fez com que a estagnação do comércio causasse grandes perdas para o setor. Buscando manter o segmento e recuperar os prejuízos, corretores e proprietários de imóveis de aluguel de Manaus passaram a negociar com seus inquilinos e agora estão observando o ramo crescer novamente.

Em 2019, o setor imobiliário gerou 15% do total de empregos formais criados no Brasil e de 2018 para 2019, houve um crescimento de 52% na geração de empregos, o que demonstra a perspectiva positiva para o setor, de acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Se consolidadas as previsões, o crescimento do mercado em 2020 teria potencial para construir até 1 milhão de novas moradias e a partir desse cenário, o setor geraria 5.5 milhões de postos de trabalho, o que corresponderia a 5% de todos os empregos gerados no país.

Crescimento do mercado em 2020 teria potencial para construir até 1 milhão de novas moradias
Crescimento do mercado em 2020 teria potencial para construir até 1 milhão de novas moradias | Foto: Divulgação

Contudo, a realidade da pandemia mudou o rumo do segmento para muitos proprietários e inquilinos. Durante a crise, a confeiteira Joelma Tinoco, 44 anos, precisou abrir mão da locação que tinha com o marido para vender seus produtos. “A dona quis reduzir o valor do aluguel para que pudéssemos permanecer com a loja, mas, mesmo assim, não tínhamos condições de continuar pagando”, explica a empreendedora.

Joelma explica que perdeu boa parte de seu público com a paralisação das escolas e cursinhos em Manaus, uma vez que sua clientela era formada majoritariamente por estudantes que faziam aulas pelas redondezas do empreendimento. “Com o fluxo reduzido e depois com o decreto de suspensão das atividades comerciais, não tínhamos mais renda para manter o negócio e arcar com as despesas, então optamos por sair”, afirma.

Antônio aponta que a procura quase dobrou em junho
Antônio aponta que a procura quase dobrou em junho | Foto: Divulgação

O corretor Antônio Nascimento, 45 anos, conta que durante o período mais severo da pandemia, a procura por imóveis praticamente parou. Segundo ele, muitos dos clientes que estavam negociando optaram por esperar para ver como se comportaria o mercado e se realmente valeria a pena seguir com as compras.

“Mesmo com os bancos contribuindo com a baixa taxa de juros, nos meses de quarentena, foi bastante complicado conseguir novos clientes e manter os que já estavam em contato. Muitos proprietários ficaram no prejuízo, mas a retomada já se mostra positiva, visto que – neste mês de junho -  a procura quase dobrou”, esclarece Antônio.

Marlison afirma que renegociar os aluguéis foi necessário
Marlison afirma que renegociar os aluguéis foi necessário | Foto: Divulgação

Segundo o corretor Marlison Silva, 34 anos, renegociar os aluguéis comerciais que ele administra foi necessário para manter a renda, mas poucos foram os distratos. “A retomada aumentou a quantidade de novos contratos em 10% nos valores entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil. A média de contratos assinados por semana está sendo de 4 a 6 imóveis residenciais”, enfatiza.

Para o corretor Adriano Saraiva, 44 anos, a queda foi maior durante a primeira quinzena da pandemia, por conta do receio provocado pela doença na maioria dos compradores. Ele afirma que o setor continuou em constante movimento mesmo em meio aos contratempos.

Corretor afirma que a queda maior foi durante a primeira quinzena da pandemia
Corretor afirma que a queda maior foi durante a primeira quinzena da pandemia | Foto: Divulgação

“Conseguimos nos manter, porque entendemos a necessidade das negociações entre locadores e locatários. Sem isso, muitos distratos iriam ocorrer. Nesse momento de reabertura gradual a procura está bem maior e, por isso, os valores tiveram pouca oscilação, não representando uma queda”, salienta Adriano.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas e Roraima (Creci AM/RR), Paulo Carvalho, Manaus é uma praça diferenciada de todas as outras e conseguiu manter o mercado mesmo com as perdas iniciais. “O segmento de locação continuou firme mesmo com os sustos gerados pela pandemia”, assegura.

Presidente do CRECI AM/RR, Paulo Carvalho
Presidente do CRECI AM/RR, Paulo Carvalho | Foto: Divulgação

Carvalho confirma que muitos corretores o procuraram nesse período para saber mais sobre como negociar com os clientes e como se adequar as necessidades dos inquilinos em meio à crise econômica. Para ele, o segmento precisava se manter para que agora pudesse aproveitar o aquecimento do mercado.

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