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    Coronavírus


    938 mil não conseguiram emprego em maio por causa da pandemia, no AM

    Dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que, pela primeira vez, foi feita via telefone

    Além das pessoas que tentaram emprego, mas não obtiveram retorno, há ainda outras 759 mil que não conseguiram sequer procurar uma vaga de trabalho | Foto: Divulgação

    Manaus - Quase um milhão de pessoas queriam um emprego, em maio, mas não conseguiram por causa da pandemia do novo coronavírus. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se referem apenas ao Amazonas. Resultados foram obtidos por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), que, pela primeira vez, foi realizada por telefone. 

    Cerca de 938 mil pessoas mostraram interesse em conseguir um emprego, em maio, mas não obtiveram êxito, no Amazonas. Para entender a complexidade do momento, os dados foram divididos em duas categorias de pessoas. A primeira delas é a de quem procurou vaga de trabalho, mas não obteve resposta. Foram 179 mil pessoas nesse caso, no Amazonas.  

    Pela primeira vez, pesquisa foi feita por telefone não pessoalmente
    Pela primeira vez, pesquisa foi feita por telefone não pessoalmente | Foto: Agência Brasil

    Kalled Almeida, 25, é um desses amazonenses que tentou, mas não conseguiu emprego. Ele é professor particular de matemática, química e física, mas a escassez de trabalhos durante a pandemia o levou a procurar vaga em outras áreas.

    "Comecei a enviar currículos no final de maio e início de junho. De todos, fui apenas uma entrevista. A vaga era para atendente em uma cafeteria, mas já no início da entrevista o dono demonstrou que não me contrataria", comenta Almeida.

    Desempregado formalmente há cinco anos, ele costumava dar aulas particulares para conseguir uma renda, mas até isso foi prejudicado durante a pandemia. Kalled diz que não conseguiu captar novos estudantes para ensinar e também seu aluno fixo ficou sem condições de retomar as aulas. 

    "Para me sustentar, eu tinha um dinheiro reserva, mas bem reserva mesmo. Eu ainda estou em uma posição de privilégio em relação as outras pessoas, porque moro com meus pais. Mas, por outro lado, é angustiante porque não me sinto confortável em depender deles e também eu tinha outros planos para o meu dinheiro guardado", conta ele, que agora conta com apenas um aluno. 

    Nível de contratações aumentou, mas números ainda são ruins
    Nível de contratações aumentou, mas números ainda são ruins | Foto: Lucas Silva

    Além das pessoas que tentaram emprego, mas não obtiveram retorno, há ainda outras 759 mil que não conseguiram sequer procurar uma vaga de trabalho por causa da pandemia ou por falta de oportunidade na região, ou cidade onde mora.

    Para esse caso, também não é difícil encontrar exemplo. Carlos Eduardo, 18, trabalha como jovem aprendiz em uma empresa da Zona franca de Manaus. Seu contrato acaba no dia 17 de julho, mas desde maio ele já demonstrava interesse em procurar emprego.

    "Por causa da pandemia, eu não saí de casa para isso. Eu me limitei a enviar pelo computador mesmo. Enviei por alguns sites de emprego. Ainda não está tão puxado para mim porque minhas contas estão em dia e moro com meus pais, mas já estamos nos movimentando para não dar tanta falta quando eu for desligado oficialmente", conta ele.

    Empregados e desempregados

    Quando for desligado, Carlos irá para o grupo de pessoas que estão aptas a trabalhar, mas não ocupam nenhuma vaga de emprego. Segundo o IBGE, até maio, eram 2,9 milhões de pessoas nessa categoria. Ou seja, todas essas pessoas tinham acima de 14 anos e poderiam contribuir para o mercado de trabalho, mas por causa da pandemia, continuaram desempregadas.

    Na contramão desse dado, há ainda  1,3 milhões de amazonenses que estavam em algum emprego, até maio. Se olhar apenas esse número, pode parecer completamente positivo. Mas se comparar a outros, o resultado se mostra preocupante. Por exemplo, o IBGE estima o Amazonas possua 4 milhões de habitantes. Destes, 2,95 milhões estão aptos para trabalhar. No entanto, apenas 1,3 milhões, até maio, declararam ocuparem algum posto de trabalho. 

    Fonte: IBGE
    Fonte: IBGE | Foto: Divulgação

    Desses 1,3 milhões de empregados, cerca de 498 mil informaram trabalhar por conta própria, 336 mil ocupavam vagas no setor privado e com carteira assinada e 135 mil eram militares ou servidores públicos. 

    A pesquisa do IBGE também concluiu que dos 1,3 milhões de amazonenses empregados, 367 mil estavam afastados do trabalho na semana em que o Instituto entrou em contato para realizar a entrevista. O Norte do País foi a segunda região onde mais pessoas foram afastadas de seus postos de trabalho, de acordo com os dados da PNAD. A região mais afetada foi o Nordeste. 

    Margem de erro

    A pesquisa do IBGE busca estimar dados do mercado de trabalho no Amazonas, mas não dá números exatos. O  coeficiente de variação para pessoas ocupadas é de 2,1 pontos acima ou abaixo. Confira as outras variáveis abaixo.

    | Foto: Divulgação

    Um dos fatores que intervém nos dados é, por exemplo, o sinal de telefone. Como a pesquisa foi feita via ligação, os interiores que possuem uma baixa ou mesmo nenhuma cobertura de sinal não puderam ser diretamente representados.

    Tiago Almudi é coordenador estadual da pesquisa PNAD e explica como a pesquisa via telefone impôs desafios ao IBGE.

    "Por causa da pandemia, nos vimos na necessidade de realizar a pesquisa por ligação. Além do sinal de telefone, nós tivemos também outros fatores que influenciaram no resultado. Algumas pessoas entrevistadas ficavam desconfiadas, tinham medo de ser golpe. Então foi um novo método com seus pontos positivos e negativos", afirma ele.

    Outro ponto ressaltado por Almudi é o número de celular dos entrevistados. Segundo ele, como o IBGE utilizou dados que estavam no arquivo da instituição há pelo menos um ano, alguns números telefônicos já não eram o mesmo. 

    Confira neste link todos os resultados da pesquisa PNAD Covid-19. 

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