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    Construção Civil


    Preço do tijolo fica até 270% mais caro para a construção em Manaus

    Milheiro, que antes custava R$ 400, está sendo vendido por até R$1,5 mil e alta no valor prejudica construtoras

    Empresários dizem que a justificativa das olarias é o efeito demanda reprimida | Foto: Reprodução

    Manaus – O preço do tijolo em Manaus para as construtoras ficou até 270% mais caros depois da retomada das atividades comerciais. O milheiro que custava entre R$ 400 e R$ 500, está sendo vendido por até R$ 1,5 mil, o que dificulta o processo de continuidade das obras da construção civil na capital amazonense. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), carregamentos que abastecem o estado já estão com dois meses de atraso.

    A principal denúncia veio por meio do vereador Sassá da Construção Civil. Ele relatou os preços abusivos na sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM) de segunda-feira (6). O parlamentar solicitou uma audiência pública entre com várias entidades ligadas à construção civil, a fim de discutir o aumento abusivo do preço do milheiro de tijolo, além de outros materiais como cimento e ferro.

    Os preços abusivos serão discutidos em audiência pública
    Os preços abusivos serão discutidos em audiência pública | Foto: Reprodução/Internet

    Segundo o proprietário da Haus Engenharia, Victor Fernandes, a dificuldade foi percebida por sua empresa nas últimas semanas, com diversos materiais de construção. “Mesmo em meio à pandemia os tijolos passaram por um aumento além do esperado em seu valor. Já cheguei a encontrar o milheiro sendo vendido por R$1,5 mil. Também notei um aumento no valor dos derivados de madeira, muitos essenciais para nossas obras”, relata.

    Victor explica que os fornecedores de tijolos e madeira alegam que, devido a pandemia, a produção foi paralisada e, assim, a oferta diminuiu. Nesse sentido, com o retorno da demanda além do esperado, o preço aumentou. “Eles sempre justificam que a é a lei da oferta e da procura que impera nessas situações”, observa.

    A dificuldade na procura continua sendo uma realidade para os proprietários
    A dificuldade na procura continua sendo uma realidade para os proprietários | Foto: Pinterest

    O engenheiro e sócio da Verum Engenharia, Fábio Lima, diz que o aumento do valor do tijolo só não interferiu em suas obras, porque ele já estava prevendo um crescimento na procura e se preparou para o momento. Contudo, as dificuldades em achar empresas que vendam tijolos continua sendo uma realidade.

    “Nós fazemos negócio com os fornecedores, ou seja, com as empresas de matérias de construção e elas fazem negócio com as olarias. Essas olarias precisam de matéria prima e cremos que o aumento vem justamente dessa matéria. Com a demanda, o custo das produções aumenta e os fornecedores também acabam elevando sua margem de valores”, explica o engenheiro.

    Reajuste

    De acordo com o Sinduscon-AM, empresas associadas realmente informam aumento no valor dos tijolos no estado e de outros materiais relacionados a construção civil também. “O saco de cimento aumentou em média R$3,00 e o ferro está previsto para sofrer um aumento de 10%. Esses valores representam um significativo impacto no custo das obras do setor”, explicam.

    "O saco de cimento aumentou em média R$3,00", afirma Sinduscon-AM
    "O saco de cimento aumentou em média R$3,00", afirma Sinduscon-AM | Foto: Shutterstock

    O sindicato salienta que alguns carregamentos de materiais já estão com dois meses de atraso no Estado, o que resultou em uma alteração no cronograma de obras que dependem de produtos vindos de outros estados, principalmente.

    Contudo, a variação dos preços dos tijolos não está orçada pelo Sinduscon-AM, uma vez que é fiscalizada pelo o Sindicato das Indústrias de Cerâmica do Estado do Amazonas (Sindicer-AM). O portal EM TEMPO entrou em contato com o Sindicer-AM para obter mais informações, mas não recebeu autorização para divulgação de explicações, pois uma Carta Aberta será lançada pelo sindicato ainda essa semana.

    O ferro também está previsto para sofrer um aumento de 10%
    O ferro também está previsto para sofrer um aumento de 10% | Foto: Reprodução/Internet

    Lei

    A prática de aumento de preços em plena pandemia é proibida no Amazonas por meio de uma Lei estadual. No dia 26 de março, foi sancionada a Lei nº 5145 que veda a majoração, sem justa causa, do preço de produtos ou serviços, em todo o Estado, durante o período em que estiver em vigor o Plano de Contingência da Secretaria de Estado de Saúde, referente ao novo coronavírus.

    "O Procon entende que a construção civil é um mercado que gera emprego e renda e movimenta a economia. Temos que estar atentos a tudo que envolve esse segmento. É importante que a população denuncie para que, assim, o instituto tenha conhecimento das demandas que estão surgindo", informou Jalil Fraxe, diretor-presidente do Procon/AM. 

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