Fonte: OpenWeather

    REAÇÃO ECONÔMICA


    Indústria e comércio amazonense apresentam crescimento em maio

    Com alta de 17,3% na produção industrial e 13,2% nas vendas do comércio varejista, economia amazonense dá sinais de recuperação

    Volume de vendas do comércio varejista amazonense subiu 13,2%, em maio, segundo o IBGE | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A indústria amazonense registrou o terceiro maior percentual de desempenho da produção do país, no mês de maio, com alta de 17,3% em relação a abril. Na mesma esteira de crescimento, o comércio varejista do Amazonas apresentou alta de 13,2% no volume de vendas. Os fazem parte de pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (8).

    Ambos os resultados positivos seguiram tendência nacional, que aponta recuo do pessimismo sobre a expectativa de queda do Produto Interno do Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas do país -, que antes estava estimada acima dos dois dígitos. Para economistas amazonenses, os resultados podem representar uma recuperação no Amazonas dos setores no segundo semestre e ainda mudar a realidade do PIB brasileiro.

    Em maio, a indústria cresceu em 12 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), regional, as taxas foram positivas na comparação com abril, na série com ajuste sazonal. Os percentuais mais elevados foram no Paraná (24,1%), em Pernambuco (20,5%) e no Amazonas (17,3%).

    Em maio, a indústria cresceu em 12 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE
    Em maio, a indústria cresceu em 12 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, a resposta é extremamente positiva depois da queda no mês anterior e não representa somente uma demanda reprimida. “É importante frisar que as medidas de estímulo à produção e ao consumo, colocadas em prática pelas autoridades econômicas, também são responsáveis por esse crescimento”, explica.

    Silva acredita que o crescimento no faturamento no mês de junho será ainda maior do que a porcentagem constatada em maio, podendo chegar a 14%. “A confiança dos empresários da Zona Franca de Manaus (ZFM) está em alta e esperamos superar esse período pós-crise com forte crescimento”, assegura o presidente da Fieam.

    Silva acredita que o crescimento no faturamento no mês de junho será ainda maior
    Silva acredita que o crescimento no faturamento no mês de junho será ainda maior | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Vendas no comércio

    Em maio, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), o volume de vendas do comércio varejista amazonense subiu 13,2%, frente a abril, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o comércio varejista no Amazonas foi negativo (-12,4%).

    Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior, os números são significativos e são resultado da reabertura do comércio em vários estados brasileiros. “Essa volta da demanda comercial está ocorrendo mesmo que no conceito de novo normal, com todas as normas de segurança, distanciamento e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)”, avalia.

    Mourão Junior acredita que, se os resultados continuarem positivos, o segundo semestre pode apresentar uma recuperação na economia, mesmo que sutil. "Infelizmente ainda estamos com a economia muito parada por conta da pandemia e, por isso, creio que só teremos uma volta completa da atividade econômica em 2021. Contudo, talvez possamos observar esse segmento ganhando um pouco de fôlego para continuar nos próximos meses”, diz.

    Diante dos resultados divulgados pelo IBGE, o economista não concorda com economistas mais pessimistas que previam que o PIB brasileiro sofreria uma grande queda, de até 14%, em 2020. Para Mourão Junior, o percentual será negativo, mas não chegará nesse patamar. “Em minhas análises e com esses resultados, penso que o PIB do Brasil ficará em torno de 5% a 8%”, salienta.

    "Penso que o PIB do Brasil ficará em torno de 5% a 8%", relata Mourão
    "Penso que o PIB do Brasil ficará em torno de 5% a 8%", relata Mourão | Foto: Lucas Silva

    Resultados nacionais

    Para o IBGE, as taxas positivas em 12 dos 15 locais pesquisados dentro do crescimento de 7,0% da atividade industrial nacional, na série livre de influências sazonais, verificado na passagem de abril para maio de 2020, refletem, principalmente, o retorno à produção, mesmo que parcialmente, de unidades produtivas, após as interrupções geradas por efeito da pandemia de Covid-19.

    No comércio, o volume de vendas no comércio varejista nacional teve crescimento de 13,9% em maio deste ano, na comparação com abril. No varejo ampliado, que também considera os setores de materiais de construção e de veículos e peças, houve um crescimento de 19,6% no mesmo período.

    Veja mais:

    Faturamento da indústria cresce 11,4% em maio, aponta CNI

    Crescem contratações em maio, mas número ainda é o pior em dez anos

    Indústria pede a Polsin atenção aos PPBs e à reforma tributária