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    POLO DE DUAS RODAS


    Produção de motocicletas cresce 462% na indústria de Manaus, em junho

    Segmento produziu 78 mil unidades em junho, o que indica para as empresas uma retomada, segundo a Abraciclo

    Sob o efeito das paralisações, o primeiro semestre fechou com retração de 27% | Foto: IONE MORENO

    Manaus - A indústria brasileira de motocicletas registrou em junho 78.130 unidades produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM), de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Este volume representa uma alta de 427,6% em relação a maio do presente ano (14.809 unidades*), mês em que as montadoras retomaram a produção de forma gradual.

    Diferentemente do que foi divulgado pela Abraciclo no balanço de maio passado, o volume correto de produção de motocicletas naquele mês totalizou 14.809 e não 14.609 unidades. O volume total precisou ser ajustado em função de informações complementares enviadas por uma das associadas da entidade após a divulgação dos dados daquele mês.

    O volume de junho também maior que o mesmo mês do ano passado, segundo a Abraciclo
    O volume de junho também maior que o mesmo mês do ano passado, segundo a Abraciclo | Foto: Arquivo Em Tempo

    Na comparação com junho do ano passado (68.121 unidades), houve uma alta de 14,7%. Esse crescimento, no entanto, está relacionado ao período de férias parciais registrados no ano passado em algumas fábricas de motocicletas do PIM. No primeiro semestre de 2020 foram fabricadas 392.217 motocicletas, correspondendo a uma redução de 27% na comparação com o mesmo período de 2019 (537.105 unidades).   

    "Esses números mostram que o setor registra uma retomada consistente. Logo no início da pandemia, Manaus foi uma das cidades mais atingidas pela covid-19 e agora, com o retorno gradativo da produção, o segmento de motocicletas apresenta uma tendência de recuperação, cuja evolução dependerá ainda da normalização das operações de varejo", avalia Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.

    Fermanian acrescenta que existe também um nicho na demanda por motocicletas constituído pelos cotistas contemplados de planos de consórcio, que ainda não utilizaram suas cartas de crédito para adquirir os veículos por razões diversas. “O consórcio tem uma participação importante nos negócios com motocicletas e o objetivo das fabricantes e suas concessionárias é atender estes clientes com eficiência e qualidade, oferecendo os modelos exatos de produtos desejados por eles. Juntamente com a retomada e evolução da produção, as fábricas têm procurado adequar o mix de produtos para atender às necessidades destes clientes, bem como de todos os compradores de motocicletas”, explica. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios – ABAC, há mais de 100 mil cotas contempladas de planos de motocicletas, no País, com crédito pendente de utilização.

    Em relação à revisão das projeções de produção e vendas do setor originalmente feitas para 2020, Marcos Fermanian esclarece que isso ainda não é possível de ser feito com a devida precisão, tanto por conta do cenário atual, bastante complexo, quanto à instabilidade do comportamento do mercado. “Estamos acompanhando a implementação das medidas de saúde pública, prevenção ao contágio pelo coronavírus e combate aos impactos da pandemia e, simultaneamente, analisando como as operações comerciais se desenvolvem nesse contexto. Acreditamos que mais à frente já será possível rever as projeções, considerando que o mercado nacional de motocicletas, assim como em outros setores econômicos, tem sido bastante impactado pela pandemia”, completa.

    Atacado

    Em junho, as fábricas venderam no atacado – para suas concessionárias – 76.189 motocicletas, representando um crescimento de 315,1% no comparativo com maio (18.355 unidades) e elevação de 5,6% ante junho do ano passado (72.121 unidades). 

    No acumulado do primeiro semestre do presente ano, as vendas no atacado somaram 377.119 unidades, significando uma queda de 28,7% na comparação com o mesmo período de 2019 (528.893 unidades). 

     Emplacamentos

    Os emplacamentos registraram alta em junho na comparação com maio do presente ano. Segundo levantamento do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) analisado pela Abraciclo, foram licenciadas 45.855 motocicletas, representando um aumento de 57,1% na comparação com maio (29.192 unidades) e um recuo de 42,7% em relação a junho de 2019 (80.023 unidades).

     “A alta no número de emplacamentos de junho em comparação com maio, no entanto, em parte também inclui vendas realizadas no mês anterior, quando os Detran’s não se encontravam em operação plena e, em vários estados, quase não efetuaram licenciamentos”, lembra o presidente da Abraciclo.

    Com 20 dias úteis, a média diária de vendas em junho foi de 2.293 motocicletas, a menor para o mês desde 2003 (3.107 unidades). Na comparação com maio (1.460 unidades/dia), no entanto, que também teve 20 dias úteis, ocorreu uma alta de 57,1%. Em relação a junho de 2019 (4.212 unidades/dia, em 19 dias úteis), houve um recuo de 45,6%. 

    Com 18.299 unidades, a região Sudeste foi a que mais emplacou motocicletas em junho no Brasil. Na sequência vieram Nordeste (13.190 unidades), Norte (5.657 unidades), Sul (4.651 unidades) e Centro-Oeste (4.058 unidades).

    O estado de São Paulo voltou a liderar o ranking de licenciamentos com 13.294 unidades, seguido por Minas Gerais (4.008 unidades), Maranhão (3.428 unidades), Pará (2.903 unidades) e Bahia (2.689 unidades).

    No acumulado do primeiro semestre do ano, as vendas no varejo somaram 350.141 unidades, representando uma retração de 33,9% na comparação com o mesmo período de 2019 (530.034 unidades).


    *Com informações da assessoria