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    SERVIÇO GRÁFICO


    Gráficas estimam alta de até 30% nos serviços para eleição no Amazonas

    Com perdas de até 50% durante a paralisação de abril e maio, gráficas retomam serviços com otimismo para as eleições municipais

    Depois do período crítico com cortes na pandemia, segmento gráfico aposta as fichas nos serviços para as eleições | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A partir do dia 27 de setembro de 2020, o período de campanha eleitoral começa em Manaus, uma vez que as eleições municipais foram adiadas para novembro, em função da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Apesar das incertezas de mercado, por conta da crise sanitária que afeta a economia, a expectativa das gráficas na capital amazonense é alta de até 30% no período eleitoral, que demanda muitos serviços de impressão gráfica que vão dos santinhos aos cavaletes.

    Campanha eleitoral nas ruas se faz com santinhos, bandeiras, cavaletes e muitos outros itens autorizados pela Lei Eleitoral
    Campanha eleitoral nas ruas se faz com santinhos, bandeiras, cavaletes e muitos outros itens autorizados pela Lei Eleitoral | Foto: Arquivo Em Tempo

    A pandemia impactou o segmento gráfico não apenas em Manaus e no Brasil, mas em todo o mundo. Uma pesquisa realizada pela consultoria de mercado global Quocirca, especializada na área de impressão, revelou que os volumes de impressão na maioria dos segmentos apresentaram declínio acentuado. A pesquisa aponta que 66% dos executivos do ramo afirmaram que a Covid-19 afetou significativamente seus negócios e 3% disseram que a crise é crítica. O estudo teve respostas de empresários da Europa (44%), Estados Unidos (27%) e outras regiões (29%).

    Apesar do período ruim causado pela pandemia de março a maio, o proprietário da Retec Gráfica, Ronaldo Rebouças, 39 anos, está otimista com a retomada do comércio e de seu empreendimento, desde o mês de junho. Ele acredita que o período de campanha eleitoral fará com que a demanda das gráficas aumente em Manaus. “Contamos com uma estrutura capaz de produzir em grande escala e com equipamentos modernos. Estamos preparados para uma demanda maior que o normal”, afirma.

    Praguinhas também são muito usadas pelos candidatos majoritários e proporcionais durante a campanha
    Praguinhas também são muito usadas pelos candidatos majoritários e proporcionais durante a campanha | Foto: Lucas Silva

    Durante a pandemia, Ronaldo relata que passou por um dos momentos mais financeiros mais críticos em 20 anos de trabalho na área. “Tivemos que diminuir em 50% o nosso quadro de funcionários e foi necessário que nós nos reinventássemos. Nos adequamos ao sistema online de pedidos e entregas e aumentamos nossa presença nas redes sociais para manter os negócios”, explica.

    Segundo o dono da Meca Gráfica, Matheus Carcalho, 36 anos, uma recuperação já está sendo observada em sua empresa e que só tende a melhorar. Ele afirma que já conseguiu, inclusive, trazer de volta os funcionários que ficaram afastados durante a paralisação. “Acredito que irá melhorar, pois a demanda aumenta em torno de 30% durante o período eleitoral”, observa o empresário.

    A fundadora e responsável pela produção da Gráfica Gift & Print, Fernanda Marinho, 25 anos, diz que, apesar da reação do setor depois da retomada do comércio amazonense, a expectativa para os serviços nas eleições deste ano é mais baixa que a dos outros anos. “Nós notamos uma melhora no faturamento desde a reabertura do comércio. Contudo a procura ainda é baixa e não sabemos como ficará durante as eleições”, diz.

    Campanhas mais digitais

    O advogado e especialista em direito eleitoral Felipe Peixoto diz que durante o período de propaganda eleitoral, as gráficas e empresas de comunicação visual lucram bastante com santinhos (impressos pequenos), folders (um pouco maiores), adesivos e cavaletes.

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    Esse ano a legislação está mais rígida. Os outdoors, por exemplo, são proibidos. Pinturas em muros, propagandas em casas e doações também. Tudo que induza o leitor a vincular aquela ação do candidato com o voto "

    Felipe Peixto, advogado especialista em direito eleitoral, sobre a legislação da campanha

    Além disso, ele também salienta que a eleição será completamente diferente em 2020, por conta da pandemia. Segundo Felipe, não é obrigatório que as convenções sejam feitas de forma virtual, mas ele acredita que a maioria dos partidos optará pelas redes sociais e sites online, o que é muito inovador e fará com que os candidatos adentrem o mundo dos meios digitais para fazer campanha.

    Sem preparação

    Para o presidente do Sindicato das Indústria Gráficas do Estado do Amazonas (Sindgraf-AM), Roberto Caminha, a expectativa para as eleições desse ano é pequena. Para ele, apesar de o volume de casos de contaminação e óbitos causados pela Covid-19 terem diminuído na capital, o problema continua com intensidade nos municípios do interior do Estados. Ele avalia que esse cenário dificulta a possibilidade de um processo normalizado.

    “Não há preparação para essa eleição que se aproxima. As revendedoras de papel continuam com seus estoques pré-crise. As gráficas e os candidatos, só agora, receberam o calendário eleitoral. Há, portanto, uma grande indefinição”, alerta o presidente da Sindgraf-AM.

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