RETOMADA GRADUAL


Com restaurantes abertos, pedidos de delivery caem até 15% em Manaus

Apesar da queda, volume de entregadores que quadruplicou durante o período crítico da pandemia, não reduziu na cidade

Reabertura dos restaurantes ainda não impactou fortemente no volume de serviços de entrega | Foto: Lucas Silva

Manaus - Durante o período crítico da pandemia em Manaus, a quantidade de entregadores para o serviço delivery de restaurantes e supermercados, quadruplicou na cidade, por conta das medidas de distanciamento social. Hoje, há pouco mais de 40 dias do retorno do atendimento presencial nos bares e restaurantes, na retomada gradual do comércio da capital, o número de entregas caiu até 15% nos estabelecimentos, de acordo com proprietários.

A diminuição afeta a vida de centenas de prestadores desse tipo de serviço que encontraram nele uma alternativa à falta de emprego que cresceu com a crise econômica, causada pela mais grave crise sanitária da história do Brasil, em 100 anos.

Apesar de as principais empresas do segmento que operam em Manaus como iFood, Uber Eats e Rappi não divulgarem o percentual de crescimento no número de profissionais que ingressaram nas plataformas, uma alta de 300% foi observada no volume de pedidos do aplicativo Rappi, em março, e - no mesmo período - 280% no volume de cadastros de novos entregadores.

O motorista de aplicativo Eduardo Henrique, 34 anos, relata que se cadastrou em diversos aplicativos logo no início da pandemia e aproveitou os deliverys para conseguir uma renda extra. “Nos primeiros dias, com o fechamento do comércio, houve uma alta significativa nos pedidos. Passei quase quinze dias fazendo entregas direto”, conta.

No início das medidas de isolamento social, trabalhadores se cadastraram em diversos aplicativos de serviço de entrega
No início das medidas de isolamento social, trabalhadores se cadastraram em diversos aplicativos de serviço de entrega | Foto: Lucas Silva

Eduardo afirma que, com a retomada gradativa dos restaurantes e com o alto número de entregadores disponíveis, os pedidos começaram a diminuir. Contudo, até o momento, os serviços estão sendo mantidos, segundo ele. “Desconheço colegas que tenham sido desligados de seus serviços por conta disso, mas estamos observando”, esclarece.

Eduardo afirma que os pedidos começaram a diminuir
Eduardo afirma que os pedidos começaram a diminuir | Foto: Lucas Silva

De acordo com o entregador de aplicativo Karilo Sousa, 29 anos, as entregas caíram justamente por conta da reabertura dos restaurantes. Para ele, os consumidores já estavam querendo sair de casa há muito tempo e esse está sendo o momento. “Alguns colegas pararam de trabalhar por um tempo, mas agora já estão retomando, mesmo que com a diminuição nas entregas”, diz.

Acima da média

O proprietário da Soparia Amazônica, Victor Rafhael Paiva, 32 anos, diz que, durante o fechamento da loja física, as suas vendas por delivery chegaram a aumentar até 60%. Agora, com a retomada, a baixa foi percebida, mas ainda se mantém acima da média. “Mais da metade dos clientes estão voltando para o restaurante e eles estão confiantes. Mesmo assim, a queda no serviço delivery não foi tão violenta. Observamos algo em torno de 10% a 15% de queda”, afirma.

Segundo a proprietária da Lulu Pães e Doces, Rafaela Carvalho, 34 anos, o volume de pedidos no delivery foi bem maior durante a pandemia e, com a reabertura de sua loja física, ela também foi capaz de observar uma diminuição de cerca de 10% nas entregas. Contudo, para ela, essa quantidade só está normalizando agora.

“A demanda de pedidos aumentou durante a pandemia e agora está normalizando, não caindo", afirma Rafaela
“A demanda de pedidos aumentou durante a pandemia e agora está normalizando, não caindo", afirma Rafaela | Foto: Arquivo EM TEMPO

“A demanda de pedidos aumentou durante a pandemia e agora está normalizando, não caindo. Alguns estabelecimentos que não trabalhavam com entregas, por exemplo, tiveram que passar a entregar e isso fez com que mais oportunidades se apresentassem aos entregadores. Alguns, inclusive, usaram o serviço de entregas como freelance e não como renda fixa”, salienta.

De acordo com o administrador e gerente do restaurante Yakimix Delivery, Rellysonn Grandal, 32 anos, o serviço de entrega precisa continuar sendo valorizado, como foi durante a pandemia. “Se o empreendedor trabalhar estrategicamente, ele pode reestruturar seu efetivo sem dispensar os entregadores. Por mais que haja uma crise no momento é possível manter o emprego dessas pessoas se organizando para isso”, avalia.

Reivindicações

Entregadores de aplicativos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador aderiram em grande número à greve nacional da categoria que ocorreu no dia 1º de julho. As reivindicações são pelo mínimo de condições para o trabalho.

As reivindicações do movimento de entregadores são pelo mínimo de condições para o trabalho
As reivindicações do movimento de entregadores são pelo mínimo de condições para o trabalho | Foto: Divulgação

Mesmo em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus, esses trabalhadores se arriscam diariamente sem itens básicos de saúde, como álcool gel, máscaras faciais entre outros equipamentos de proteção individual. O movimento também é por melhor remuneração no serviço de entregas (atualmente em torno de R$ 2 por quilômetro), auxílio alimentação e outros direitos básicos.

Na lei

O Projeto de Lei 3384/20 que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, assegura uma série de direitos aos entregadores de produtos que atuam por meio de aplicativos de serviços, por conta da pandemia provocada pela Covid-19. A proposta é assinada pelos deputados Gervásio Maia (PSB-PB), Danilo Cabral (PSB-PE), e Vilson da Fetaemg (PSB-MG).

Segundo o texto do projeto, pelo período de três anos, com os efeitos retroativos, a partir de 1º de janeiro de 2020, as empresas de aplicativo de entrega ficarão obrigadas a, por exemplo, garantir aos profissionais motoristas o ressarcimento de uma manutenção anual do veículo cadastrado, no valor correspondente a, no mínimo, R$ 500, mediante apresentação de nota fiscal.

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