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    NOVOS NEGÓCIOS


    Número de novas empresas cai em 24% no Amazonas, em meio à pandemia

    O total de 495 empresas foram extintas durante os três meses críticos da pandemia, de abril a junho de 2020

    Economistas apontam as incertezas sobre o futuro como a principal causa do fechamento de empresas | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O Amazonas registrou, no período mais crítico da pandemia da Covid-19, de abril a junho de 2020, a abertura de 1.145 novas empresas. No mesmo período do ano anterior, foram registradas 1.506. O número representa uma queda de 24% na criação de novos negócios, percentual menor do que o estimado para o período de paralisação das atividades econômicas. Segundo economista, as incertezas sobre o futuro da economia é a principal causa da diminuição no volume. 

    Entro os tipos empresariais mais registrados, o empresário individual está sempre na liderança, apresentando 512 novas constituições durante esses meses. Em seguida está o registro de sociedade empresária limitada, com 337 novas aberturas. Contudo, os dois modelos também são os que registraram o maior número de fechamentos de empresas nestes meses, com os totais de 259 e 164 extinções, respectivamente.

    Também são os tipos empresariais que registraram o maior número de fechamentos de empresas nestes meses
    Também são os tipos empresariais que registraram o maior número de fechamentos de empresas nestes meses | Foto: Agência Brasil/Arquivo

    Dados disponibilizados pela Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) também demonstram que 495 empresas foram extintas durante os três meses críticos da pandemia. Número equivalente a 32% a menos do que o registrado nos mesmos meses no ano de 2019, que totalizaram o fechamento de 654 empresas.

    Efeito pandemia

    Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior, mesmo com toda a ajuda de programas do governo federal, a incerteza em relação a economia no pós-pandemia é uma das causas principais na diminuição no número de novas empresas.

    “Não sabemos como será o ‘novo normal’ na economia. As empresas podem ficar muito tempo sem poder lidar com as aglomerações, gastos grandes podem existir com materiais de segurança e ainda existe uma expectativa negativa de uma segunda onda da Covid-19. Esses fatores, somados, fazem com que muitos evitem o empreendedorismo e não queiram tentar abrir novos negócios”, explica o economista.

    Economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior
    Economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Júnior | Foto: Divulgação

    Mourão ressalta, no entanto, que em momentos de crise, alguns conseguem se aproveitar da situação e se reinventar. Nesse momento, os empresários individuais são realmente mais comuns que as sociedades, por exemplo. “Não muitos, mas os que conseguem, se reinventam e já pensam no próprio negócio. Mesmo sabendo dos riscos, pois o momento é único no mundo inteiro, essas pessoas buscam fazer sozinhos suas empresas”, esclarece.

    Resultado Nacional

    A abertura de novas empresas teve queda de 25,7% em abril em comparação com o mesmo mês de 2019, segundo levantamento da Serasa Experian. Foram abertas 194,8 mil empresas no mês, sendo que 84,7% na categoria de microempreendedor individual (MEI).

    A maior parte das novas pessoas jurídicas é do setor de serviços (68,9%) e está na Região Sudeste (51,1%). A Região Sul foi a segunda em número de novos negócios, com 17,6% do total, seguida pelo Nordeste, com 15,8%.

    Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o perfil dos novos empreendimentos mostra que as pessoas veem a necessidade de garantir renda com pouco investimento. “Por isso, o setor de serviços é preferível, já que nessa área podem ser criados ramos de atuação que não dependem da contratação de um espaço ou equipe de trabalho”, destacou.

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